Nandadornelles's Blog

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Você já reparou na capacidade ilimitada e surpreendente que as crianças tem de obter o melhor de suas experiências? Se você reparar bem, nem é preciso ensiná-las. Aliás, tudo tende a funcionar ainda melhor quando você, adulto, pai, mãe, responsável, educador, emitir o menor número de impressões, deixando a criança de fato livre para experimentar a situação e chegar a suas próprias conclusões. Conclusões que somadas e interligadas, um dia, naturalmente construirão o tão almejado aprendizado.

Minha filha tem uma mãe sonhadora e absolutamente transparente. Tenho dificuldade de admitir um mundo regido por aparências e sonhar com um lugar onde podemos expressar quem somos e realizar nossos sonhos é uma tentação a qual não consigo resistir. Como o universo é sábio e mágico, minha filha conta com outros pontos de vista diferentes do meu em suas relações. Pessoas como perspectivas de um mágico caleidoscópio. Possibilidades; o mundo é feito em primeiro lugar de um número infinito delas, nada mais.

Algodões surgiu como uma sonho. Uma cidade pequena no litoral da Bahia. Vida simples, natureza, convivência saudável, ideais convergentes de um novo mundo que se constrói a medida que se sonha e se busca. – “Algodões, Algodões, Algodões…” era minha música durante os mês que antecederam nossa viagem. Era meu mantra por uma realidade, senão ideal, então apenas mais próxima do sonho de uma vida mais acessível, justa, pura. Possível.

-“Esparadrapo, esparadrapo, esparadrapo…” Era o mantra oposto recitado por meu companheiro Gustavo. Laura ouvia e ria. O sonho e a realidade como um desafiador contraponto à felicidade: sempre existe a pior possibilidade. Assim seguimos fazendo tudo o que precisava ser feito. Eu sonhando, arrumando, cozinhando, correndo, cantanto. Gustavo correndo, mudando, cozinhando, encontrando soluções e nos lembrando que até que se torne realidade, sonhos são apenas sonhos.

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Pois lá fomos nós. Corajosos, destemidos, abertos, entregues. Algodões nos recebeu com chuva e frio depois de uma viagem difícil. O mar de que ouvimos falar era divino, de águas cristalinas, com piscinas naturais. O que se apresentou a nós era revolto e turvo. Igualzinho ao mar que havíamos deixado para trás num dia de vento sul. Depois de dois dias de tempo bom que nos anunciava a descoberta da mágica vida nova em Algodões, Laura caiu de febre. Uma febre nunca tida antes. Três dias de zumo de gengibre com limão, própolis, compressas, banhos, colo, muito colo. Noites em claro, reza. Estranho, a febre só aumentando.

Algodões era muito mais difícil do que no sonho. Palavras mal interpretadas, promessas que não se concretizam, projetos pessoais que não alcançam o social. Expectativas servem para serem frustradas em primeiro lugar. Sem carro, conseguir comida de qualidade – como tanto prezamos e estamos acostumados, nada extravagante, brócolis e cenoura não poderia ser pedir demais – mostrava ser um desafio à parte. A febre da Laura só começava a deixar tudo mais claro e ressaltar os obstáculos, demarcar os limites do sonho e da realidade.

No terceiro dia, apesar de todo amparo e orientação que a médica da Laura nos dava de longe, precisamos recorrer ao posto de saúde mais próximo. Investimento, empenho. Deslocar-se em Algodões era muito mais desafiador que jamais poderia ser na realidade que deixamos pra trás. Difícil, caro, demorado. Sem muitas alternativas, o negócio foi confiar no diagnóstico do médico alopata, jovem, preconceituoso do próprio povo e do lugar onde morava. Infecção bacteriana por estafilococos. Se não pelo banho no rio que corta Algodões, então pela própria água do poço usada na higiene pessoal.

Algodões não foi um sonho que se realizou. Ao contrário, foi oportunidade para muitos aprendizados. Laura, que nunca havia tomado um antitérmico sequer, tomou até dipirona na veia e cumpriu com honra e glória – apesar de um tanto de choro e revolta –  os sete dias de tratamento antibiótico. Bravura, persistência, resiliência, flexibilidade, inteligência que se constrói com o desencadear dos fatos. Sem aula. Sem ensinamento prévio. A força e a vida intrínseca dos movimentos. Sabedoria.

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Se nossa busca era por poder amar, por um lugar mais justo e harmonioso para viver que enxergasse nas crianças as próprias linhas-guia para o novo mundo a se construir, Algodões foi impecável. A seu modo, um tanto aos trancos e barrancos, organizou esse grupo de 3 – quase 4 – que caminha junto. Ninguém precisou explicar nada para Laura. Depois da consulta com o médico, fomos almoçar e antes de conseguirmos pegar o taxi de volta para “Algodões, algodões, algodões”, Laura caiu de madura numa calçada e abriu o joelho. Nada grave, mas considerando que havíamos acabado de descobrir o poder das bactérias daquele lugar, voltamos ao posto de saúde para desinfetar e fazer um curativo.

Laura estava triste. Claro, assim como nós. Acreditamos. Sonhamos e nos empenhamos. Pesquisamos, investimos, apostamos. Mas, acima de tudo, percebermos juntos a importância de nunca perder de vista a realidade com bom humor e coragem para com esse fio de aço costurar aos poucos nossos sonhos à realidade. De dentro pra fora, do menor núcleo para os maiores, até sermos capazes de contagiar isso que hoje nomeamos sociedade com o melhor que cada um tem a oferecer. Sonhar como a disponibilidade básica para superar, transcender, elaborar, zerar, recomeçar.

Quando a enfermeira foi finalizar o curativo no joelho de Laura, minha filha deixou explodir uma gargalhada. – “Olha, mãe, esparadrapo! Como o Gustavo sempre fala quando você diz: “Algodões, algodões, algodões. Esparadrapo, esparadrapo, esparadrapo!”

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O amor é uma

Canção

Que cantamos

Para alguém

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Uma força,

Um fio de

Inspiração

Que nos conduz

Por entre

Momentos de

Eternidade

Sabedoria

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É a luz da

Transcendência,

Superação,

Razão da existência

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Uma entrega

Sincera, necessária,

Honesta

De quem somos

Para a única

E verdadeira

Razão de

Existir;

O outro

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Sua beleza,

Seu encanto,

O fim da solidão

O cessar de qualquer

Pranto

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Amor é

Tudo quanto acontece

E nos une

É o vórtice

Que coloca frente

À frente

Dois seres

Idênticos sempre

Apesar de diferentes

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Seres como

Instrumentos

Seres como

Música

Canções

Mantras que

Resgatam o passado

Para fazer ressurgir

Sonhos

Sonhos de uma vida

Feliz

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Nada além

Da simples

Felicidade

De poder expressar

Quem somos

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E impregnar a realidade

Do mais puro

Êxtase

E ser UM

Com o mundo

Todo

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Dentro de

Nós mesmos

Podendo oferecer

Um lugar

Perfeito

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Pleno

Sagrado:

Todo espaço

Entre e

Ao redor

Daquele que ama

E o ser

Amado.

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 OM

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Eis que um

Dia chegou

A uma festa

Uma convidada

Especial

Que trouxe consigo

Beleza e

Sentido

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Não ficou por ai.

Uma coisa

Puxa a

Outra

E já é difícil

Imaginar a vida

Sem essa

Particular

Companhia

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Como se fosse

Possível

Ver formar

Todo dia

Algum arco-íris

Ou ser feliz

Sem motivo

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Ou fazer pedido,

Sonhar junto.

Assoprar as velas

É respeitar o

Próprio instinto

De seguir em frente

Confiando na força

Do destino,

Na tenacidade do

Espírito e – !muito importante!

No valor de cada

Amigo

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Aquilo que perseguimos

Pode ser grande

Ou simples

Como um bolo de fubá

Feito especialmente

Para celebrar

Um choro vem junto

Parece que não

Há êxito sem

Conflito

E a maior conquista

Fica sendo mesmo

O presente de

Fazer o necessário,

O mais correto,

O justo

E assim deixar que

Prossiga

O caminho

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A cor,

A arte,

A beleza

Habitam nosso

Mundo como

Pontes para

Encontros,

Esconderijos,

Refúgios

Onde num piscar

De olhos

Somos um

… basta isso.

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Mas por mais

Que nos empenhemos

Em tentar

Talvez não haja

Uma forma perfeita

Para expressar

O valor de um pedido

Atendido

Ou de um dia

De aniversário

Bem comemorado.

Ofertar quem

Somos

Parece o

Mínimo

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Se é assim

Que venham

Mais muitos,

Infinitos!

rsrsrsrs

Mesmo que

Só dure

O tempo para

Foto

Esse respiro.

DSC_0683 Foi teu sorriso

Que eu vi

Não era você,

Claro que não,

Mas era o seu

Sorriso

E a alegria que ele

Desperta em mim

Que passeavam

Pela minha rua

Lá, um tantinho acima

Das bordas do portão

Passou algo tão lindo

Quanto teu sorriso

Por uma deliciosa fracãozinha

De segundo

Cheguei a sorrir de volta

Mas a lógica e a memória

Não me deixaram ir muito

Longe

No meu sonho

De ter conseguido chamar

Sua atenção

Bem quando

Corria pra outra

Direção DSC_0646 Como se fosse possível

Existir Uma coisa

Sem

Outra coisa

Ás vezes acho que

Amar você

Também pode não ser

Uma questão de

Querer …

Quando passou de volta

Teu sorriso

Já não era mais

Teu

Ambos já S

Sabíamos que aquele

Bater de olho

Não passou de um sonho

Como aquele

Outro

Onde longe

Nunca nos demoramos

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steps

É praticamente uma mania de “ai ai”. Uma interjeição suave que com o próprio passar do tempo vai ficando mais canto e menos vocábulo. Ainda assim, parece sempre uma espécie de lamúria que, quiçá! um dia, poderá vir a ser música…. mas que enquanto isso não é mais do que um suspiro, anunciação de pranto, refúgio para uma doce melodia, uma valsa ou coisa parecida.

“Ai ai” como remédio e alívio em uma só sentença. Talvez, um jeito antigo de chamar para si a presença do próprio espírito. Ou reclamar a ausência de velhos amigos. A saudade de olhares e sorrisos. A impossibilidade de gemidos e encontros celebrados sem motivo. “Ai ai” diz a saudade quando bate ou a aquela pontinha de cansaço diante do trabalho realizado. “Ai ai” faz a sola dos sapatos descolados, velhos, laceados enquanto caminham para longe do portão até que se percam na rua, no cascalho, na estrada que leva ao desconhecido rumo da vida.

Vogais que se combinam espontaneamente para expressar o caráter infinito de tudo o que sinto. “Ai!” diz minha filha quando perde o traço nos limites da página onde imprime suas visões e descobre suas próprias limitações. A brabeza dela revela a mesma fúria que preciso todos os dias me dispor a domar. “Ai ai” é a minha inconformidade pelas bordas que insistem a me espreitar quando tudo o que urge é se derramar e amar. E meu assombro é a pequenez de toda resignação que pode habitar nessa mania de “ai ai”.

pressa

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De segundo em

Segundo

Encontro com o

Ímpeto de

Me declarar

Tua,

Fiel,

Alma gêmea,

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Companheira e

Guerreira

Sem medo de

Sonhar e

Lutar

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E se a separação é

Uma ilusão,

A distância que

Nos liga

Deve ser

O fato que

Me salva e

Coloca tudo no

Seu devido

Lugar

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Onde basta

Amar

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Será!?

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E se ser feliz

É descobrir

A ordem que rege

O momento de cada

Estar

Quando permitimos

Saciar em

Primeiro

Lugar

Nossa necessidade de

Brincar

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Você resiste

Me amar?

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Pela luz do

Teu olhar

Aos poucos me

Regenero

E mil pedaços

Desconexos

São pelo meu

Amor

Por ti

Descobertos

E se há alguma

Beleza naquilo que

Insiste em ficar

Expresso

É senão o

Silêncio que

Fazemos

Para ouvir o

Pranto que nos

Espreita

No assoviar do

Vento

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Fotografia: Laura Dornelles


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