Nandadornelles's Blog

Archive for June 2014

caminho

Eu gostaria de compartilhar duas perguntas que me ocorreram nesses últimos dias e que, longe de poderem apropriar –se de meus pensamentos, considerando o universo multi task que me rodeia, foram fundamentais para me colocar de volta nos trilhos da minha caminhada pessoal. Da minha única, irrevogável e intrasferível jornada espiritual.

Faço questão de adicionar esse último termo. Um detalhe, tudo vai mal quando dele me esqueço. Sim, é verdade que vivemos em um mundo terreno. Talvez nada possa ser mais factível do o cansaço e as perdas. Entre as perdas, as mortes daqueles que através de laços sanguíneos compartilham desse exigente exercício: o desafio de estar vivo.

Mas antes que eu me perca nos devaneios da dualidade e da dicotomia que nos cerca e permeia. Me dou direito ao foco talvez como forma de me render e de responder à dureza da minha própria necessidade. Da minha fome de cumprir com o que quer que tenha me comprometido antes de embarcar nessa aventura.De fazer jus ao privilégio de  ocupar um espaço nesse Planeta tão vibrante e da responsabilidade em ajudar a promover e restaurar o equilíbrio desse complexo sistema que é a própria vida através do amor com que nutrimos nossas relações. De cada particular ponto de interação com o mundo, com o outro, comigo.

É verdade que o mundo só poder ser transformado através do trabalho coletivo. Mas ele é antes de tudo e de igual forma co-criado em nosso íntimo. No nosso diálogo secreto com o mundo – resgatando particularmente o momento vivido com a Daniela Reis a alguns dias atrás. Aliás, aqui há uma série de autores e fontes para citar porque muito se tem falado sobre o poder das perguntas na cristalização do nosso dia a dia e dos desdobramentos mais simples da nossa vida. E antes que isso se torne mais uma estratégia para adquirir o carro do ano ou exibir corpo e roupas e acumular likes e shares e views… eu compartilho essas duas perguntas como quem realiza a urgência de estar salvando a si mesma do peso da dívida de fazer qualquer outra coisa diferente de ser eu mesma.

Assim, foi no meio de uma manhã de Sol enquanto seus raios já eram fortes a ponto de esquentar tudo em volta e eu e minha filhota podermos estar do lado de fora. A manhã já acontecia, era simplesmente qualquer dia. Nossos cachorros Tobi e Arco-íris intercalavam-se entre corridas com latidos e pedidos de carinho. Em nossa colorida mesa de desenhos – um caixote de fruta adaptado – folhas de papel já exibiam os sonhos coloridos. Espalhados, gastos tijolinhos de giz de cera faziam par com beijinhos cor-de-rosa, um céu, nuvens e copas verdes de dois abacateiros gigantes…

Foi quando me ocorreu: De que forma a abundância de recursos afetaria minha vida? Como seria,  o que eu faria hoje se meu saldo bancário ou os acessos das minhas relações mais próximas fossem outros, maiores, mais amplos? Pra minha surpresa eu consegui pensar em umas 3 ideias adjacentes àquela própria realidade que pudesse completar ou potencializar de alguma forma aquilo que já era a própria felicidade. Das três apenas uma teria uma aplicação direta naquela realidade e não demorei muito pra encurtar o assunto tratando de limpar o cocô do cachorro eu mesma já que ele não iria desaparecer magicamente assim como – pela minha experiência – nem um príncipe encantando me pouparia aquele trabalho.

Tão simples quanto dar cabo do cocô da Arco-íris, a disponibilidade para assumir o compromisso primeiro de estar no agora foi reencontrado. De repente, tudo e todos daquele micro contexto naquela manhã foi congelado pela força da eternidade. A presença como uma marca na grade do infinito, o entregável número um da educação, da maternidade enquanto caminho para auto-educação, assim como o resultado último e de todos os sonhos e das relações que nos são mais caras. A minha conclusão básica: cada vez mais minha felicidade condiciona a realidade ao invés de ser condicionada por ela. Mas, como isso é uma caminhada, um ásana, uma postura de equilíbrio que requer e exige movimentos constantes para que tudo mais aconteça a partir de um eixo central, eis que em seguida surgiu uma outra pergunta.

Se é verdade que eu já sou feliz. Se é fato que não faltam peças nesse quebra-cabeça da minha realização pessoal nesse particular momento da minha vida, então, cadê a gratidão que eu sei vai me invadir e transformar o medo, a tensão, a indecisão, a falta de confiança em determinação, fé, entrega e ainda mais aceitação?

… ops, tá aqui, chegou… Segura peão, que o mundo já mudou!

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