Nandadornelles's Blog

Archive for April 2014

Como podem ser engraçados os contextos dos nossos aprendizados! Você já parou para reparar? Claro, eles sempre podem ser trágicos ou dramáticos. Mas se é verdade que queremos viver com mais leveza e num lugar mais próximo da tal felicidade, então é fundamental que os aprendizados venham de maneira mais leve, permeando nosso cotidiano. Como fazendo omeletes, por exemplo. Por que não?

Eu adoro cozinhar. Não sei nem que tipo de cozinha é essa que eu invento. Sei que uso o que está disponível combinando ingredientes e temperos de maneiras que jamais sei recombiná-los novamente. O pai do meu primeiro marido teve muito influência nisso. Mas o meu ingrediente secreto, esse é ancestral e sinto que me acompanha – ou persegue – há muitas gerações: o amor, a alegria peculiar de alimentar o outro, de servir e assim me redescobrir.

Mas nem só de ingrediente secreto se faz um bom prato e apesar de eu ter as minhas manias, como por exemplo nunca experimentar o alimento que estou preparando – porque o sabor faz parte do merecimento conquistado e às vezes tem gosto bom, às vezes não –  e de sempre acabar fazendo uma quantidade excedente de comida, hoje, fazendo omeletes para o café da manhã com a minha filha acabei descobrindo senão uma mania, uma necessária medida: não se deve quebrar os ovos direto na comida.

Claro que a gente vê isso em programa de culinária ou quando vai visitar aquela amiga expert em cozinha – né Luana Erig. Mas só hoje depois de muitas e muitas horas de fogão é que descobri as implicações de não adotar um consenso nem na cozinha. Acontece que existe mesmo uma razão para os cozinheiros de plantão quebrar os ovos em uma tigela antes de lança-los à panela. E ela é óbvia como muitos de vocês já devem saber.

Depois de já estar com todo tempero na frigideira, cebola roxa picadinha bem fininha, manjericão da horta, pego a sacola com os ovos ganhos de presente da vizinha numa troca de gentilezas e plaft! ele estava estragado.

É engraçado pensar que até hoje – e olha que faço omelete regularmente – isso nunca tinha me acontecido. Até hoje, fosse omelete, bolo, panqueca, nunca tinha perdido um prato por um ovo estragado ao mesmo tempo em que nunca, nunca me dei ao trabalho de quebrar os ovos separadamente.

Tá e dai? Pra que pode servir a dramática vivência da omelete perdida? Acontece que quando estamos em constante diálogo interno o menor dos acontecimentos pode ser útil pra fechar com chave ouro dilemas já vencidos pelo tempo. No meu caso, quebrar os ovos direto na panela, na forma ou no liquidificador carregava tanto da minha ingenuidade quanto da minha inocência e da minha rebeldia. Três qualidade que se não precisam ser eliminadas, visto que nunca é o caso de tamanha severidade, mas sim revistas e reorganizadas. Cada qual tem a sua serventia, mas elas não podem mais ser maiores que a inteligência que rege a minha vida.

Assim, a omelete desperdiçada hoje ficou longe de ser um problema. Antes, foi uma oportunidade para ver com os olhos da consciência e da aceitação amorosa dos fatos e de si mesma essa mania de acreditar que só o melhor virá de todos os lados. O bom existe e dentro de mim isto é um fato concreto inquestionável. Mas que ele se expresse em todos os lugares e a todos os momentos é uma ilusão que a própria realidade já quebrou. Foi esse o recado que o ovo podre veio trazer: Acreditar em um mundo bom é confiar em você mesmo e em primeiro lugar nunca abrir mão de usar a inteligência que Deus lhe deu! Não custa conferir se o presente está em sintonia com o que você faz da vida ou a qualidade do alimento que oferece a sua filha.


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