Nandadornelles's Blog

Archive for May 2013

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Se eu fosse um meio de comunicação visando fins lucrativos, teria me antecipado e escrito sobre o Dia das Mães na véspera dele.  Ou se fosse o caso de meu objetivo estar em outro lugar que não no compartilhamento da minha experiência, já teria divulgado meus pré-conceitos antecipadamente influenciando os desavisados a pensarem como eu. Mas como este blog não se trata disto, e sim de relatar descobertas, eu organizo agora algumas das ideias que me ocorreram enquanto esse dia comemorativo aconteceu.

Eu sou uma pessoa abençoada. Além de uma filha que me permite exercer a maternidade 24hs por dia, eu aindative o privilégio de passar o dia das Mães ao lado da minha e ela ao lado da dela. Quatro gerações lado a lado numa convivência próxima e verdadeira. Tudo começou com a visita da minha avó no início da semana e quando o domingo chegou, relações antigas e complexas haviam sido transformadas pela presença de uma menina.

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A maternidade só se recicla a medida em que acontece. O curso natural da história é a evolução; o aprimoramento da vida. Esse exercício natural de gerar, nutrir e conduzir uma vida está conectado com o que há de mais Divino no Universo. Essa função de perpetuar, de transformar, de co-criar, de desejar e realizar resume a pura essência da Luz-Amor e é aí, nessa aceitação da Luz e do Amor que a evolução acontece. E não ao contrário, para fora disso, rumo a coisas externas.

Desde o início da minha gravidez eu busquei formas orgânicas de acolher, nutrir e conduzir um ser nesse mundo e uma delas era a de dispensar o uso de fraldas seguindo a teoria do Diper Free – Elimination Communication.  Assim como tudo o que pude descobrir de melhor, mais natural e simples eu busquei aplicar desde os primeiros segundos de vida da minha filha e o que mais aprendi e ainda aprendo é que as realidades tendem a ser muito mais complexas do que uma folha de papel. Este fato no início me causava muito desânimo e frustração, hoje apenas serve para que eu busque a minha realidade tendo a teoria como a inspiração para  a minha prática que tem sempre um principal objetivo: fazer o melhor possível.

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Mas isto foi uma conquista que veio com o tempo e antes disso muitas vezes eu me considerei um fracasso por não conseguir o feito completo, tal qual eu havia lido ou intuído a respeito. Além da pressão interna de querer acertar eu ainda convivi com questionamentos receosos de que eu estivesse louca por querer tanto amamentar e por confiar que meu leite, o meu peito, o meu colo era do que a minha filha mas precisava. E confesso, fui muito influenciada por todos esses medos bobos de que algo além da nossa compreensão possa acontecer quando dois seres se conectam tão profundamente quanto mãe e filho.

Na preparação para o segundo dia das mães da minha vida, fiquei sem palavras ao escutar minha avó falando naturalmente que na sua quarta filha, das cinco mulheres que ela teve e criou praticamente sozinha, aplicou o diper free desde o terceiro mês. “Como já estava grávida, me dizia ela, eu fica cuidando da pequena e assim levava ela num penico quanto sentia que ela precisava e desde o terceiro mês ela não usou mais fraldas”. Veja quanta simplicidade. No caso da minha vó que vivia na roça sem carro, sem nada além do necessário, bastou que ela estivesse ao lado da sua filha para realizar um feito que agora precisamos estudar, se informar, querer, batalhar.

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Ouvir o relato da minha avó, além de estar com ela todos estes dias, foi um presente; conviver com alguém que já vai fazer 80 anos de vida e está completamente lúcida, capaz e aberta. Aberta não necessariamente a ideias, mas à vida e ao amor e a quebra de paradigmas que uma neta de quase dois anos pode desencadear é o traz real significado a uma data como essa onde – tanto quanto no caso do diper free espontâneo da minha avô quanto no nosso dias das mães – tudo o que foi realmente necessário foi a presença materna.

Ah, bom, a presença. Chegamos no ponto. Maternidade: o exercício de estar presente como mãe. De ser olhos, boca, ouvido, braços, mãos, pernas e sexto sentido de um outro ser. De pressentir suas necessidades reais, internas, vitais, espirituais, emocionai, energéticas. De assumir seus karmas e lutar pela libertação de seu samskaras A maternidade não é nada além de presença e isto não consta nos discursos campeões de audiência e eu faço uso desse espaço para desabafar o meu cansaço.

Por um atrapalho geral da nação algumas coisas se perderam e dentre elas a capacidade do ser humano de estar presente e de acabar sempre saindo de si mesmo para buscar fora algo que só pde estar dentro e isto não é nenhuma novidade. Acontece que a maternidade e uma assunto delicado. Nós falamos facilmente dos criminosos, das adolescentes, dos capetinhas mimados, dos loucos, dos políticos, dos enfermos. Mas nós temos medo de apontar as faltas da maternidade e de encontrar os mesmos traços doentis destes outros grupos, num grupo santo e bento, o único capaz de trazer a Terra os tão necessários gurus, mestres e messias.

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Ainda há um blá blá blá que circula por cartazes em elevadores e vitrines de loja e comerciais de tv falando da mãe sofredora, abdicadora, que doa sua vida ao filho, que abre mão de seus sonhos e sacrifica suas vontades em prol do rebento ingrato… afff. Não dá mais pra aguentar né. Até quando?!

Se nós queremos – ou sabemos que devemos – construir um mundo humano, sensível, justo, valoroso, precisamos começar pela não destruição da forma mais pura de amor que existe na Terra: uma criança. A proteção e os cuidados com estes seres nos seus primeiros anos de vida, enquanto ainda são indefesos, resume a básica tarefa de não permitir que neles seja infiltrada a mentira e noções deturpadas a respeito do que pode ser a vida e do que eles podem vir a ser. Esta é sem dúvida umas das maiores crueldades que alguém pode ser capaz de cometer e todo mundo morre de medo de apontar uma mãe como possível candidata a réu.

Ser mãe é oferecer-se a conceber, receber, nutrir e conduzir um ser nesta vida. A atividade de ensino-aprendizagem acaba ficando intrínseca nesta relação porque o objetivo de alguém que se proponha a esta tarefa é a de construir no Ser a sua autonomia, partindo do óbvio de que ninguém sabe melhor do que precisa do que si mesmo. Qualquer troca que acontece fora deste esquema configura uma relação mas, infelizmente, foge ao exercício da maternidade.

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A única forma real de aprendizagem é o exemplo amoroso e sólido. A ação reta, baseada no amor e na verdade. Se é assim, os pequeninos recém-chegados nesse mundo Terra, só construíram em si o valor de estar bem nutridos e a importância de caminhar para um bom caminho se virem seus pais – as mães no caso, já que o dia era nosso – fazendo o mesmo.

A questão é sempre a mesma: que tipo de pessoa quero que meu filho se torne? A resposta deveria ser: a melhor pessoa que ele pode ser. E para isso é preciso que nós mães liberemos nossos filhos para que se mostrem e nos surpreendam e transcendam nossas pequenas e ridículas expectativas, muitas vezes. E, desafio top 1 – concertemos em nós mesmas nossas contradições e desvios expostos pelo comportamento transparente e a resposta espontânea de uma criança.

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Vamos só mencionar o básico: se queremos que nossos filhos saibam se alimentar, que pratiquem esportes, que tenham pensamentos positivos, que tenham relacionamentos saudáveis, então… temos que cumprir com o básico e darmos o exemplo. Se queremos ir além, se queremos que nosso filho seja um destaque, precisamos mostrar como se tornar um. Qual a trajetória de um destaque, como ele se constrói. Se queremos que ele seja um vencedor temos que ao menos lutar por algo, arriscar tudo por algum ideal e falarmos sobre isso de todas as formas possíveis, apesar dos medos, vergonhas e arrependimentos. Claro isso pode ser feito de muitas maneiras, mas o exemplo é a forma que fala mais alto de toda.

MAIS UMA VEZ CHEGAMOS NESSE PONTO! Nenhuma transformação será possível se nosso discurso não estiver alinhado com nossa prática. Se, como mães, não dermos o exemplo primeiro da retidão e da ternura, do acolhimento e da disposição incansável de aceitar-se no outro ao mesmo tempo em que permitimos que o outro transcenda sua origem e recrie a partir de si mesmo e da missão que veio cumprir nesse mundo e nos ensine e também nos guie… Do contrário, correremos o risco de sermos mães que desejam a felicidade a seus filhos sem nem saber o que isso significa de fato e nesse simples e último gesto servil da maternidade, podemos desperdiçar a real oportunidade de sermos mães de verdade.

Andréa Martins da Silva-Leilão Francisco Antiguidades 12 de novembro de 2008 - item 058

Presenciar minha filha de 1 ano e 8 meses dizer eu te amo espontanemente para sua bisavó foi o melhor presente de Dia das Mães que eu poderia ter. Melhor do que isso só se todas as suas avós e a meia dúzia de bisavós estivessem lá desfrutando do mesmo sentimento! Um mundo melhor se constrói com mães felizes todos os dias e o resto é bobagem.

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