Nandadornelles's Blog

Archive for April 2013

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Poucas coisas podem causar tanto desconforto quanto o limitado espaço que muitas vezes concedemos a nós mesmos. E isso diz respeito tanto ao lugar no mundo que escolhemos quanto para as pessoas com quem nos relacionamos, as palavras que pronunciamos ou o quadro que pintamos.

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No nosso eu interno, superior, somos o infinito e toda vez que não conseguimos dar vazão a este fato através do nosso eu pessoa / ego, nos deparamos com a limitação que o somente o próprio eu divino pode transpor através da consciência da nossa existência.

Se essa dinâmica acontecesse isoladamente, assim como no parágrafo acima, nenhum de nós teria problema na vida. A questão é que essa equação acontece sobre a constante regência da relatividade e é aí que a coisa complica.

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A consciência é una, mas o revelar da consciência é múltiplo, variado, imprevisível. Se sinceramente desejamos nos conhecer em primeiro lugar com o objetivo supremo de aceitar e amar a nós mesmos e ponto, tomaremos inevitavelmente formas desconhecidas , inclusive de algumas das quais discordamos ou nos consideramos superiores. Tem até um ditado que alerta para o poder da nossa língua porque ao proferirmos palavras de julgamento alheio, ou quando gritamos brados erguendo bandeiras que mais segregam do que inspiram, acabamos assumindo para nós mesmos o compromisso de corrigir através de nossa ação o que quer que tenhamos afirmado “não ser” ou repelindo o outro e a sua ousadia em manifestar. Isso pode acontecer na mesma vida ou em outra encarnação e tentar identificar as raízes de uma coisa e da outra só nos leva para os misteriosos meandros da especulação e, geralmente, à perda de tempo.

Isso explica porque eventualmente estamos vivendo a nossa vida com amor e dedicação e de repente somos surpreendidos por uma pequena versão de nós mesmos. No início demora algum tempo até que percebamos o que está de fato acontecendo, mas o “transtorno” pode ser facilmente diagnosticado através de um sutil desconforto. O principal sintoma energético de que por algum motivo limitamos o espaço da nossa existência pode ser uma inquietante dor no peito. Outros indicativos podem ser cotidianos avisos, como uma batida de carro, uma queda de luz, a falta de água, um telefone que não chama ou que estranhamente fica fora de área.

A princípio, se permitirmos, o Universo conduzirá retamente o melhor destino e a realização do Plano Divino, tal qual as correntezas levam águas de um rio. O que acontece é que constantemente em função das nossas centenas de vontades e anseios e desejos acabamos fazendo as vezes de entraves , se interpondo na correnteza do rio, alterando seu leito, suas margens, sua velocidade, sua cor, seu cheiro. É por isso que ao negarmos sutis setas indicativas do Universo o apite soa do lado de dentro e por isso merece tanta atenção qualquer dor no peito. Mas, nada tão agudo que possa ser confundido com infarto, angina, derrame ou coisas do tipo. Ao menos não num primeiro momento. Estas outras manifestações de desarmonia só aparecem muito mais tarde quando as barreiras que protegem nosso corpo físico foram ultrapassadas e todos os outros níveis mais sutis da nossa existência já foram ignorados. Antigamente levava anos, agora tudo já se dá em processos muito mais rápidos.

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A dor no peito, como uma angústia, num primeiro momento, pode trazer a sensação de que cometemos um erro. Principalmente na esfera cristã de interpretação, ter-se-á a impressão de haver cometido uma injustiça, que deve se acentuar se a pessoa com quem revelamos esse “eu limitado” é alguém de quem gostamos muito. Mas se o amor é tanto o corrimão quanto os degraus, as pedras, a paisagem e o sol que guia o nosso caminho, então, em seguida a dor cede, dando espaço para a revelação da humanidade em nós mesmos e da luz milagrosa da consciência que realiza o plano de todo o Universo quando permite a nós mesmos simplesmente nos vermos.

Braços caídos, mãos abertas, pescoço levemente inclinado para frente, olhos relaxados pelo amor incondicional que nos revela perfeitos pelo simples fato de nos permitirmos estar no momento presente sem a pretensão de ser qualquer coisa diferente daquilo que somos: Luz-Amor. Como se por um milagre, de repente, todos os entraves do rio fossem retirados e a correnteza voltasse, levando as águas embora desembocar em algum outro lugar, maior, infinito, receptivo, acolhedor; o Deus Oceano.

Exatamente na mesma medida que nos grandes mestres que a humanidade já teve – Krishna, Jesus, Buda, etc., nosso eu superior também está disponível e acessível em nós, assim como a capacidade de ver e viver o amor acima de tudo. Tanto quanto nosso ego e as pequenices do eu inferior. Algumas vezes esse estado de bem-aventurança acontece espontaneamente, quando o contexto e os elementos e as pessoa,s como os principais deles, que nos cercam inspiram esse desabrochar, esse transbordar do eu divino, do amor incondicional e da presença do infinito. Outras vezes, podemos sofrer interferências tão poderosas quanto as acima, contudo, que acentuam nossas misérias ou reforçam comportamento negativos. Ou ainda, estarmos tão entregues ao momento presente como insubstituível oportunidade de cura (nossa e do outro), que reproduzimos padrões vencidos de vibração negativa e outros de que até nunca ouvimos falar e nem entendemos o que estamos sentindo, pensando ou porque estamos agindo. Independente de qual seja a situação – porque enquadrá-la em uma ou outra nos exigiria julgamento próprio e alheio – o fundamental é testemunharmos o que quer que seja, aceitar amorosamente e nesse simples gesto ajustar-se consigo mesmo, com o espaço que ocupamos na Terra, como o eixo que nos conecta com os ideais mais elevados que nossos mestres têm para este Planeta e para a nossa minúscula e singular existência.

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É claro que em função de existirmos em sociedade e estarmos organizados coletivamente e não alcançarmos qualquer feito na vida isoladamente, apenas aceitar-se e amar-se incondicionalmente pode não ser suficiente para dar continuidade ao trabalho dos céus. Muitas vezes seremos convidados inclusive a estender este mesmo  auto-amor gerado na experiência com o outro e humildemente nos retratarmos e nos emprenharmos em reverter a situação. A humildade é uma ferramenta que pode ser utilizada a todo momento para remover obstáculos do leito do rio, mas isso claro na velocidade e na profundidade que permite a busca de cada um e a entrega e o desprendimento no exercício primeiro da auto-reflexão.

A reflexão é intrínseca à vida e experimentá-la é uma consequência de estar aberta à vida e às diferentes formas que pode tomar o fluxo da consciência Divina. Uma vez que estou aberta a ela e que tenho isso como uma prioridade em minha prática, a reflexão passa a ser o elo de uma corrente que me religa comigo mesma e com o outro da melhor forma possível, como a ponte que permite que o rio seja cruzado sem alterar sua natureza ou interferir na sua correnteza mas ainda assim possibilitando uma espécie de vôo seguro, onde não lanço assas me desligando daquele fluir de águas, ao mesmo tempo contemplando-as e não sendo tocado por elas. A reflexão, no meu caso é o que organiza o meu ser e me liga de forma orgânica com o mundo por intermédio de tudo com o que me relaciono e que me permeia.

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Quando essa permissão à vida e a toda prosperidade e saúde e realização que a co-habita é a base de onde partem nossas ações, então a luz já encontrou o seu espaço – por mais que às vezes seja uma pequena brecha – e nós ampliamos a nossa consciência e a Divina e por nosso intermédio Deus já passou a permear um cantinho a mais da vasta escuridão incrustrada na experiência mundana.

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Certo é que a Luz-Amor nos permeia mesmo quando não temos consciência. Ela é conduzida inclusive pelo desconforto de aceitarmos manifestar qualquer coisa menor do que Amor Verdadeiro, Incondicional e a Gratidão infinita. Depois, a Luz-Amor pega carona com o Auto-Amor gerado pelo nosso íntimo e sincero processo reflexivo – que é facilitado pelo amparo do trabalho de grandes Mestres  as escrituras sagradas uma honesta prática de Yoga.

Cada vez mais o que sei é que ainda há muito para ser feito e que o pedido pela luz da consciência precisa ser constante. Deus só pede pelo espaço para revelar-se e o prejuízo de não concedê-lo dentro de nós mesmos pode ser acabar compartilhando versão limitadas, impregnadas de tristeza e desconfortos dos mais variados, como um peito apertado, reclamão de uma realidade mais ampla, um quadro que contemple a todos nós como Deuses de nós mesmos, cúmplices caminhantes no espectro da Verdade.

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