Nandadornelles's Blog

Archive for March 2013

borboleta

A retomada do blog, por enquanto, ainda é mais vontade do que fato. Peço desculpas a quem pode se frustrar pelo longo periodo entre um post e outro. Acontece que as ideias reunidas aqui são fruto de processos intensos de pesquisa existencial. Por isso mesmo, alguns levam tempo tanto para acontecerem em sua completude quanto para serem registrados, esmiuçados em sua natureza e relacionados com o cotidiano. Por falar em cotidiano, conciliar tudo isso com a maternidade é também um desafio e eu sou uma dedicada aprendiz. Peças ainda se encaixam dentro de mim, encontrando seu lugar na peça que eu sou dentro dessa engrenagem cósmica que é a vida. Assim, logo os posts terão também o seu ritmo.

***

Mas vamos, lá, o tema de hoje é a aceitação. Na verdade a aceitação é um pano de fundo bastante grande e um escopo amplo demais para ser tratado em uma só vez e esgotado. De qualquer forma, a virtude nos guiará enquanto identificamos e abraçamos as raízes dos nossos sofrimentos e conhecemos um pouquinho mais sobre nós mesmos.

LAPIDANDO-ME

Ao longo dos séculos temos sido convidados a aceitar. Ao menos é o que indica a bíblia como registro histórico dessa necessidade. A aceitação como movimento natural está no cerne da nossa condição de ser vivo. Isso é muito mais amplo do que simplesmente o compromisso com a reprodução ou a natureza da nossa espécie: humana. A aceitação, esse acolhimento seja do que for, situação, mundo, outro, si mesmo, planeta, universo etc. está na origem do Todo e está em nós a vontade de testemunhá-Lo.

Aceitação (1)

A aceitação é uma das manifestações mais importantes de energia. Ela está na raiz do yin, está no útero da mãe Terra, Gaia é metade aceitação. E a outra metade é força, poder e destruição. Se a aceitação é essa força feminina ela existe melhor na companhia da sua melhor amiga, a força masculina, a força criadora, expulsora, tão fundamental para a vida quanto a outra. Isso porque a cada instante o que nos é pedido é que aceitemos o que é e que caminhemos na direção do que queremos e de tudo que pode vir a ser.

Cada um de nós é movido por algo. Se não houver nada que me mova, eu padeço para os outros momentos e morro. Porque é verdade que mover-se a qualquer direção exige esforço. O esforço de viver, de realizar alegremente o nosso trabalho básico. Tudo o que a gente vem a expressar na nossa vida é uma consequência direta e perfeita da nossa motivação: a força suprema capaz de nos tirar da inércia e nos fazer melhores, maiores, diferentes, mais evoluídos, ainda mais capazes de aceitar, de querer e de realizar.

O que desejamos vem do que sabemos e do que já experimentamos. Mas também de toda parte da nossa natureza da qual ainda não temos consciência. Muitos falam em aceitação e amor incondicional, mas poucos são aqueles que sabem do que estão falando e são capazes de expressar isso em seus atos, de tornar esse sonho realidade através da sua prática, consolidando a sua genuína vontade.

Isso porque aceitar não é fácil. Apesar de aceitarmos muitas coisas o tempo todo, exatamente porque temos sido ensinados a fazer isso há tanto tempo, a verdade é que não sabemos aceitar. Aceitamos como quem engole um sapo vivo, gosmento, enrugado. Aceitamos torto. Aceitamos pela metade. Só até enquanto dure a felicidade. Aceitar é difícil e exige atenção. É uma equação matemática daquelas complicadas! Mas a aceitação está na base da vida e fica cada vez mais inevitável aceita-la!

Experimentar a paz que a aceitação oferece pode ser um desejo real no nosso coração e ainda assim outros sentimentos não tão agradáveis ocorrerão. Mas eles serão rapidamente permeados por essa sensação de conforto e de possibilidade infinita capaz de dissipar qualquer tensão. E está é a diferença entre o discurso e a prática.

aceitação

Engana-se quem acha que um yogi vive 100% do tempo na paz e na harmonia. Assim como não leva a lugar algum julgar qualquer pessoa só porque perdeu as estribeiras. A questão é que falar em aceitação exige mais do que repetir mantras sociais – que inclusive tem o seu peso e a sua importância na transformação. A aceitação requer prática que só pode acontecer como resultado de uma transformação pessoal. E isso dói.

Dói e dói mesmo. Às vezes dói demais e se manifesta até como doença física. É preciso cuidado com o que se fala. Se você fala em aceitação e amor incondicional vai acabar sendo “convidado” a experimentar um. Contudo, nem sempre do lado da moeda que você imagina e é difícil estar preparado.

A virtuosa capacidade de aceitar não amarra qualquer situação à tranquilidade e à paz necessariamente. Essa relação pode ser feita em muitos momentos, mas o próprio movimento de aceitar pode provocar terremotos se houver necessidade de colocar as coisas no lugar. O medo de terremotos nos ensinou a aceitar qualquer coisa, inclusive para evita-los, só não nos ensinou a aceitar eles mesmos.

Lioness with Cub

Para alguns a aceitação parece ser uma pata incapaz de correr ou atacar. Um colo fofo ambulante e a despreocupação de quem vive a passear. Para outros, ao contrário, a aceitação é uma leoa ou uma elefanta que acolhe sem medida mas que também enfrenta um inimigo com bravura. Nos bichos, o que os move é o instinto, em nós humanos é o divino. Ou ao menos, deveria ser, no caso de ser real nosso discurso sobre aceitação e amor incondicional. Nossa metade bicho não é pacífica mas a metade homem é reflexiva e, inspirada no divino, pode aceitar nossos instintos para, inteiros, podemos Ser compreensivos. Aliás, requisito básico para quem quer sondar o desconhecido ou apenas não morrer sozinho.

Digo isso porque muitas vezes estamos vivendo nosso dia com devoção e algum Ser – às vezes, alguém com conhecido espírito de porco, outras alguém que surpreende pelo comportamento pequeno – atravessa o nosso caminho com algumas pedras na mão que são lançadas na nossa direção. Isso não é nenhuma novidade. Essa é a vida, como diz, sem comparação logo abaixo, Fernando Pessoa. A aceitação não sorri abobalhadamente cada vez que uma destas pedras ameaça nos atingir. A aceitação não se joga na frente das pedras só para mostrar que ela é maior do que tudo. Tampouco, a aceitação fica parada próxima a alguém que só sabe jogar pedras e se nega a ver sua beleza mesmo assim tão próxima. A aceitação é sabedora de si e da humanidade que permeia a nós mesmos e ao outro por consequência. A aceitação cresce no solo fértil da compreensão e da retidão, ingredientes fundamentais na “obrigação” de dar o exemplo a estes que ainda permitem que pedras partam de suas mãos, para que eles um dia também possam vir a aceitar. Mas antes ainda, a aceitação gosta de aprender mais sobre ela mesma. E se expandir  e acolher até explodir. Yin e Yang em sua dança cósmica, infinita e eterna dentro, fora e entre nós.

3452707136_b3dbbdd8b3_z

Pedras no Caminho

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que minha vida

É a maior empresa do mundo…

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

Se tornar um autor da própria história…

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

Um oásis no recôndito da sua alma…

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “Não”!!!

É ter segurança para receber uma crítica,

Mesmo que injusta…

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

fernando pessoa


Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Join 673 other followers

March 2013
M T W T F S S
« Dec   Apr »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031