Nandadornelles's Blog

Archive for March 2012

Dia da Mulher. A data em si já é um convite ao questionamento. Seria ofensivo para nós precisarmos de um dia que nos lembre, ou um presente, um pequeno gesto de reconhecimento dentro da imensidão que é o universo feminino?

Acredito que não exista uma resposta certa para uma questão como esta, uma vez que ela estaria relacionada com a intenção genuína de quem idealizou a data em primeiro lugar – o que provavelmente se perdeu – e o que temos à disposição é o sentimento aleatório pré-existente em cada mulher. Ou seja, se você se sente feliz e grata pela experiência na versão feminina, provavelmente, aceita com felicidade os parabéns enquanto também abraça e felicita outras mulheres. Mas, se você se sente muitas vezes sobrecarregada e esquecida no meio de tantas tarefas a serem desempenhadas, talvez sinta como uma ofensa ter apenas um dia para comemorar o que deveria ser diário. Algumas ainda consideram machismo. E dentro do seu universo, cada uma está certa. Ah, pode ser meu lado poliana, mas eu considero o dia da mulher um gesto bonito com potencial positivo.

E é ao potencial positivo que quero me ater. Porque o mundo não gira em torno do que é, mas, sim, do que fazemos com isto. Então, no fim das contas pouco importa a intenção ou o objetivo da data, e sim, o potencial reflexivo.

A capacidade para reflexão é o que torna o ser humano especial. E, só para deixar claro que reflexão é diferente de análise. É mais profundo, envolve mais fatores e vai além dos atos, leva em conta os sentimentos e interfere em nossos padrões de comportamento. Por isso, pra que apenas celebrar ou rejeitar uma data se ela pode servir de ponto de partida para uma atividade bem específica e humanamente conhecida?

É dia da mulher e a pergunta que ouço é: o que significa ser mulher nos dias de hoje? Afinal, a mulher continua sendo um ser com as mesmas características principais desde que o mundo é mundo. O que muda o tempo todo é o contexto e este é o que fortemente influencia se a experiência feminina vai ser negativa ou positiva. Ao menos, é como eu vejo.

Eu até queria ser otimista como geralmente sou e dar voz apenas às mulheres que vivem seu lado yin, que expressam suas características femininas em 80% do dia. Mas a verdade é que o mundo ainda é dos homens e, talvez, pior ainda, que eles passam a dividir com mulheres masculinizadas. É muito triste admitir, mas, mulheres mesmo, não são tantas assim.

Sim, já sinto muitas pedras na minha direção pela audácia da minha afirmação. Tudo bem, nós podemos discordar, mas, deixa eu ao menos tentar explicar.

Não quero dizer que você que dá duro para conciliar casa com vida profissional não é mulher, de forma alguma. A questão é como fazemos isso. Quanto de nós mesmas, daquilo que nos torna diferentes, não acabamos reduzindo ao mínimo, talvez a um dia de retiro ou ao cuidado com nossos filhos. Eu me refiro à brutalidade com que tratamos nossos corpos em busca da forma perfeita ou do comportamento esperado, seja escondendo um choro ou usando salto alto. Eu questiono a falta de limites para se encaixar em padrões previamente estabelecidos, fabricados por equipes de marketing que visam unicamente a lucratividade. Eu falo da falta de espaço para sensibilidade e de todas as doenças que se originam do desequilíbrio.

Eu não acho que lugar de mulher seja em casa, mas acho que, sim, mulher fica linda mesmo é de saia. Não penso que devemos ser as donas da cozinha, mas acho, sim, que este deveria ser um laboratório para nossa bruxaria e alquimia. Não acho que temos o dever de procriar, mas somos impelidas a amar e a cuidar seja de um filho, de uma mãe ou de marido. E isso não quer dizer no sentido submisso. Apenas maternal como a nossa natureza, pra que fugir dela? O nosso instinto é de pegar no colo e afagar, porque, então, brigar?

As mulheres que mais amo e admiro deram muito duro na vida, mas não abriram mão do que considero as coisas mais importante da vida de uma mulher: a capacidade de amar e a intuição. São apenas dois aspectos que, ao meu ver, nos distinguem dos homens. Como se fosse o nosso cromossomo X. É claro que eles também podem tudo isso (sim, porque só estes dois aspectos significam na prática todo um universo). Conheço muito homem que tem seu lado mulher bem resolvido, escuta seu coração e ama de montão. Mas é isso, são homens que revelam através destas características o seu lado feminino. Não podemos esquecer disto.

É disto que estou falando quando reclamo. Por uma questão de sobrevivência neste mundo caduco, muitas mulheres abriram mão de sua feminilidade. Correm tanto para provar seu valor igual que perdem exatamente o seu diferencial. Não entendo porque queremos igualdade se somos diferentes?! Somos mais delicadas, intuitivas, espontâneas, emotivas, sentimentais e isso não dá pra mudar!

Eu acredito num mundo onde homens e mulheres se complementam. Nenhuma novidade: yin e yang. Mas na prática, parece que estamos cada vez mais longe disto enquanto as mulheres ainda querem chegar “tão alto” quanto os homens no mercado de trabalho. Sinceramente, qual o benefício de ter sua intuição soterrada pela razão?!

No meu mundo ideal cada um vive de forma a expressar a natureza (amorosa) a maior parte do tempo possível e usa seu dom como ferramenta de trabalho. Assim, como a única forma de não causar desequilíbrios internos, transpessoais e energéticos. Dessa forma, mesmo trabalhando e exercendo seu potencial econômico a mulher não precisaria se prostituir ou se perder entre ternos e apertar seus pés em sapatos apertados. É claro que temos uma contribuição única a dar ao mercado, mas o que insisto é que o mercado é apenas uma parte do universo a que somos designadas e, exatamente, uma parte que leva mais em conta o que sua cabeça é capaz do que o que seu coração. Então, exatamente aí que mora a principal inversão.

Para responder a pergunta inicial: acho que a mulher de hoje está perdida. Algumas já fazem o caminho de volta pra casa (não o lar, mas o coração, a casa da nossa alma) mas muitas ainda acreditam que a vida é o constante desafio de provar seu valor através da capacidade mercadológica, pelo quanto são capazes de fazer dentro de empresas, do quanto são capazes de decidir enquanto consumidoras mais do que como mães, filhas, amigas, companheiras e profissionais zelosas e cheias de intuição sobre como fazer para viver mais feliz em mais harmonia. Mas, o meu lado poliana diz que estarmos perdida já é um bom sinal, sinal de que não encontramos a felicidade prometida neste outro lugar e, menos iludidas, começamos a voltar a NOS procurar. Como quem procura acha, tenho certeza de que é só uma questão de tempo e vamos nos encontrar. E graças a todo caminho que hoje nos separa, chegaremos saudosas, valorizando ainda mais a nós mesmas e nossas características divinas, nosso dom, nosso cromossomo X, o que torna únicas: um coração generoso e sábio como uma bússola a nos guiar pela vida!


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