Nandadornelles's Blog

Archive for June 2011

Depois de uma chuva fina, irritante, depois de ventos chatos, fortes, cortantes, o sol encontrou caminho livre para seus raios, afastando pra longe qualquer metade de tristeza. Mesmo quando tudo parece muito, muito difícil, é impossível ver um céu azul e não respirar aliviado, não acreditar que estamos sendo divinamente guiados.

Assim como a graça de tudo que acontece espontaneamente, o homem desviou um tanto do seu caminho e entrou num templo quase esquecido. Fez tudo meio que por instinto, seguindo passos já conhecidos. Subiu cada um dos muitos, altos e pesados degraus sabendo dos seus medos, sentindo o peso dos seus vícios – a respiração ofegante e uma fé hesitante – mas se sabia movido, acima de tudo, pelo amor a seus filhos.

A porta grande de madeira era velha, talvez tão velha quanto a sua alma, quanto a sua dor. Ainda assim estava aberta. Ele não enxergou o ponto de interrogação que passou lhe rasgando o peito enquanto lhe perguntava por detrás da orelha: o que aconteceu com a sua porta interna? Por que nunca mais esteve aberta? Onde você escondeu a chave para sua própria felicidade? Pra que tanta vaidade?

Desapercebido, talvez surdo ou mudo, ele entrou estranho, pequeno, sozinho. Menos de um ano antes e aquele templo parecia tão grande. Seus sonhos dançavam soltos como em um salão pomposo, ao som de valsas e música sacra formavam pares, se acasalavam e se multiplicavam sob os olhos dos santos. Ele via numa menina a beleza intrínseca da vida, a alegria sem motivo e uma força talvez capaz de mover as barreiras do destino. Ela já amava a um Deus e ele queria saber do seu. Tudo podia ter sido só puro e sincero. Mas o homem tem dentro de si essa vontade atrapalhada, eloquente de ser o externo, de amar o que vê no espelho, de duvidar do que é eterno.

As paredes da igreja que antes gritavam as dádivas da riqueza, agora pareciam carregar apenas os gritos da dor dos aflitos. Tantos, tantos, infinitos. Ao lado, uma portinhola mostrava uma gruta, velas dependuradas, placas: “por uma graça alcançada”. Jogou os olhos para baixo lamentando não ter sido a sua, ali estava, sozinho, talvez esquecido, mal compreendido. Nem mesmo a moça que cuidava do espaço era a mesma. Não estava mais ali nem mesmo a senhora negra, santa, avó, incansável guerreira. De longe ele vê apenas um braço desavisado, espreguiçado, intrometido. Um braço de ninguém, ao menos não alguém que pudesse aliviar a sua dor ou atender a sua prece. Olha pra cima, vê o santo das pessoas de cor, ao lado a virgem Maria. “- senhora, de onde tu tá, olha minhas filhas.”

Um soluço como um alívio de tudo o que não foi dito: “- Só me dá o amor mais paciente do mundo, além da saúde dos meus filhos, eu só peço isso.”

As lágrimas levaram embora um pouco do cansaço e, uma outra vez, o homem saiu dali motivado. Agora sem o suspiro ingênuo dos apaixonados, sem os calafrios de quem se sabe desejado. Ele começa a desconfiar que sejam falso os adornos dourados que lhe cercavam.

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Que saudade que dá

Dos tempos de

Coisa estranha essa de

Apreciar um lugar

No qual não se pode

Estar

E sofrer

E brigar

Só pra conseguir respirar

Como se a saudade

Fosse um fardo

Um peso no meio do peito

Um impedimento

Ao ritmo natural de

Batimentos

Um coração que bate como:

Felicidade (tum) – felicidade (tum) \\o//

Saudade(…t…u…m…)

T…u…m – T…u…m – T…u…m

Lágrima (t..u..m) – Choro (t..u..m) – Choro (t..u..m)

Respira (t..u.m) – Respira (t.u.m) – Respira (tum)


Saudade como a ausência de um TUM

Que não vem mais

Nominado

Agora, um tum descompassado

Um tum atrapalhado

indecisão (tt-uu-mm) – angústia (tt-uu-mm) – dúvida (tt-uu-mm)

Não sabe se corre atrás do tum perdido

Ou se fica

Pra ao menos ser a si mesmo

Alguém a lhe fazer companhia

Quando um outro TUM

Surgir

E tornar tudo feliz.

 


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