Nandadornelles's Blog

Archive for April 4th, 2011

Eu vou pintar um quadro. Um quadro muito bonito, colorido com tintas de carinho infinito em tons de Amor & Perdão.

Neste quadro um pai abraça uma filha. Dentre todos os problemas que nos aterrorizam, o pior de todos é o de estar perdido, não se saber divino.

Como as cores são suaves, os gestos são delicados e os braços que abraçam exalam ternura e perdão. A compaixão surge como o ápice de amor e entrega numa relação.

O número de chances para o crescimento não pode levar em conta os erros, mas a busca pelo acerto que não pode existir sem uma dose generosa de honestidade. Quem se redime sinceramente se compromete consigo mesmo através do outro. O outro pode ser o pai, ou a mãe, até uma irmã ou amiga alguém com poder para mudar a situação e guiar a transformação.

No quadro os olhos da menina estão baixos, envergonhados, mas a mão segura com firmeza outra mão. A que ela agarra sem sombra de dúvida como símbolo de crenças mais bonitas. As lágrimas caem tímidas pelo medo do desapontamento, pela perda do tempo, pelo arrependimento. A experiência de dor é sempre um início, uma porta de entrada para um mundo novo. Todo erro é perdoado quando a serviço deste ímpeto: a cura da alma que não se conforma e sofre com uma vida falsa, parca, limitada.

Quem dá a mão sente a responsabilidade de ser para alguém algo como o chão. É preciso estar ali, quer queira quer não. Nada no mundo pode ser tão urgente quanto ser a golfada de ar necessária para quem quer respirar.

Ao doador não é recomendado sentir demasiado orgulho. Foco é requisito básico. Uma montanha é uma montanha porque não pensa em outra coisa, não cogita ser uma flor. Se acaso o fizer, desmorona em tristeza por não ser capaz de desabrochar um símbolo do amor. Firmeza de propósito em ser o que se é, não se deixar corromper, não amolecer. O mundo está de braços abertos para quem quer crescer. Mas, em primeiro lugar, é preciso querer e sem medo do que os outros poderão dizer.

Neste quadro o figurativo precisa ser cuidadosamente observado. Há ainda o amor que precisa ser notado. Ele é como um véu entre um e outro, uma gentileza em existir que parte do coração, um respeito mútuo e próprio, uma música constante a embalar palavras difíceis para que não cheguem tortas, para que não sejam mal interpretadas. Palavras como veículos de sensações necessárias para as transformações. O entendimento é um detalhe. Pode inclusive vir mais tarde. Fundamental é a sensibilização, o toque que muda a direção do olhar de baixo para cima, agora, finalmente, otimista.

A última chance nunca é dada por alguém que não seja o próprio proponente. Quando ele pede nem é preciso que o outro responda. No íntimo ele já construiu um novo ciclo em passado, presente e futuro. Ele já se arrependeu, já se comprometeu e já se redimiu. Tudo no mesmo segundo. Ele não pode perder tempo, seria burrice cometer o mesmo erro. A última chance pode ser tanto a primeira quanto a décima terceira. Depende de quem erra, depende da intensidade do giro que a alma desperta, a energia de que ela libera. Mudar é dar uma pirueta no ar, é parar de contrariar e decidir dançar a música da vida até que seja possível se descobrir como uma melodia única, a sinfonia mais bonita ou a melhor bailarina.

Errar faz parte de acertar. O erro é fundamental para que o perdão e o arrependimento. Tudo ingrediente para a compaixão, um sentimento nobre que promete virar tudo do avesso. A luz que ilumina o quadro pintado vem de dentro enquanto o futuro se constrói mágico e perfeito. Muito azul e traços meigos. A atmosfera está aquecida por detalhes pequenos como a presença de uma gata e de uma lareira acesa. Entre-palavras no ar paira o valor do homem quando a compaixão nos salva da descrença. Nada pode valer mais do que o direito de recomeçar.

 

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Durante muito tempo nesta nossa Era ainda a ser descoberta, a vida foi conduzida por outras linhas-guia, outras menos subjetivas do que as que rondam os hemisférios hoje em dia.

Uma por uma, vontades específicas devidamente sentidas gerou a necessária energia de ativação e desencadeou diferentes reações. Talvez, a primeira de todas, a curiosidade que tirou os homens do lugar, o ímpeto para a saída da caverna, o encarar de monstros temidos de um universo totalmente desconhecido. Depois, a vontade de se agrupar e sustentar, que levou aos poucos povos nômades a se estabelecer em margens de rios e de formar clãs, talvez os primeiros laços, os primeiros traços do social.

Depois do básico garantido, talvez a gente tenha decidido ser criativo e descoberto o artesanato, ou tenha simplesmente sido um pouco criança e saboreado muito bem os frutos que iam sendo colhidos. Talvez nesse ponto a gente tenha construído as noções de amigo, foi quando fizemos do céu o nosso mapa e escrevemos pela primeira vez a palavra destino. Quando pela primeira vez nossos pedidos tenham sido respondidos pelas fases da Lua, pela intensidade do Sol, pelo dia mais curto, pelo dia mais longo. Com as barrigas satisfeitas e a casa cheia, nossas ideias começaram a saltitar e muitas teorias nós começamos a buscar. Para que um dia alguém tivesse que nascer e as inventar e responder as perguntas de outras civilizações que ainda nem podiam acontecer.

Foi nisso que alguém quis saber mais de um sentimento bonito que unia especialmente duas pessoas ao longo da vida. Era visivelmente algo especial que gerava cumplicidade, algo que fazia brilhar os olhos além de amizade, com que chegam a ficar pelados de tão à vontade e ainda por cima se permitiam ser explorados por gestos apaixonados. A época do amor foi a primeira a ser imortalizada pela arte, pelo registro como uma ode ao que estava sendo vivido, pela felicidade incontida de compartilhar algo tão lindo. Talvez tenha sido aí que se construiu o maior símbolo do que pode vir a ser o Divino. Foi quando descobrimos o Olimpo.

Mas o céu não é aqui e viver nas alturas oferece sempre o risco da queda. Então, depois de uns mistérios entendidos, chegou a hora de voltarmos pra terra e olharmos um pouco para o nosso umbigo. E assim começou todo um ciclo de descoberta do indivíduo. Como tudo o que é individual, essa jornada trouxe resultados inesperados. Uns usaram este período para promover junto consigo o coletivo, – naturalmente, um grupo formado de indivíduos – outros o fizeram exclusivamente em seu próprio benefício. Então foi hora de sentir na pele algo tão difícil como a cobiça, a avareza, a luxúria. O desejo de possuir subiu à cabeça e ele estruturou uma sociedade inteira. Em função destes sentimentos muitos julgamentos e mortes aconteceram. Além disso, a razão tirou muito da beleza herdada da Era do coração. Aliás, toda uma grande e nova teoria a respeito de como funciona a vida foi criada e assumida como verdade, o único caminho para chegar do outro lado salvo, vivo. Era o que eles diziam, era como se vendiam.

Com isso o que restava da inocência foi perdido e, obviamente, a cabeça de muitos deixou de ficar tranquila. Depois da terra, foi hora de dar uma passadinha no inferno. O remorso, o medo de ter errado, o medo de ter sido egoísta, pequeno, leviano, o pânico de ter cometido o pecado mais temido. Muito arrependimento, por ter sido cruel consigo mesmo, consumiu o homem por dentro e isso trouxe uma insuportável dor no peito. Salvo pelo desconforto, aos poucos o homem foi renascendo, se perdoando, resgatando coisas de outros tempo e somando com o que estava vivendo. Um passo depois do outro, as belezas de cantar a vida voltaram às praças e logo artistas memoráveis lotavam as calçadas. É claro, demoraria ainda até que a arte viesse a ser valorizada com moedas, mas naquela época já era um luxo poder se dedicar a uma coisa destas.

Depois de tanto sofrimento, a razão vinha servir de linha guia ao lado do coração. E aos poucos surgiu até uma burguesia. As maldades ainda aconteciam, sempre em maior quantidade do que era preciso, mas ao menos já eram menores os ciclos. O mundo todo começava a caminhar para um sonhado equilíbrio; Corpo Mente e Espírito / Coletivo e Indivíduo / na Terra também Paraíso.

De repente por tantos fatos fomos atropelados e ciclos e motivos e resquícios se misturaram a um agora sem lugar definido na linha geral da história. O tempo passou a ser divido em fragmentos muito pequenos e com isso nos permitiu estar em mais de um lugar ao mesmo “tempo”. Como consequência, descobrimos mais sobre a energia que é necessária para circular entre-tempos com maestria. Mas claro, nem só isto garantiu a nossa paz de espírito. É que com tudo o que aconteceu, a gente ficou mesmo muito crítico e por uma tal de felicidade passamos a ser movidos. Taí, de novo, imperando majestoso, o chakra cardíaco, o sonho de viver no Olimpo ou de construir por aqui o paraíso.

Fora toda dificuldade intrínseca de equilibrar opostas energias, ainda por cima a gente quer estar sorrindo, quer estar feliz, curtindo. E que ninguém diga que isto não é possível. É aí que entram o distanciamento e a consciência tranquila. Estar de bem com a vida não pode depender de ter uma conta bancária rica. Assim, a consciência tranquila serve de como uma voz íntima que diz: pode dormir, pode sorrir, pode ir e vir se você só faz o bem nada nem ninguém poderá te ferir. Não tem aquela estorinha que dizia para construir um castelo com as pedras do caminho. Pois então, algumas das pedras são jogadas por pessoas que até parecem nos querer mal, quando em última instância existem para nos provocar ainda maior crescimento, uma nível ainda maior de comprometimento com a verdade, com a dádiva da vida. Consciência tranquila é paz que não pode ser comprada por mais que tente ser vendida em modernas embalagens. Paz é algo que se conquista a medida que somos coerentes com nossos valores e princípios e somos transparentes em revelar o que sentimos.

O distanciamento é outro aliado fundamental para todo processo de crescimento. Sem ele não teríamos evoluído como um todo e a fila pra reencarnação estaria dobrando todas as esquinas com pedidos de vingança ou acerto de contas. Enxergar além do pessoal significa ver um pouquinho do todo, ajuda no discernimento e alivia a dor de barriga; um plexo menos ferido e um chakra frontal mais expandido.

Não há nada mais para ser feito neste tempo além de ancorar o equilíbrio. Todo minuto utilizado em qualquer outro empreendimento que não seja isto é consequente perda deste mesmo item elevado a décima potência. Todo tempo que nos resta, todo agora que há é uma chance em súplica pelo equilíbrio entre tudo que já foi conquistado, desvendado e o que será pra sempre mistério não importa se vivamos milênios ou apenas um último século.

O equilíbrio através do chakra cardíaco começa pelo amor próprio e termina no amor ao coletivo, num movimento cíclico e infinito. Não há nada mais que possamos querer depois de alcançar isto… é exatamente por isto que um pouco fazemos um pouco nos divertimos, a gente precisa de um motivo nobre para estar vivo.


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