Nandadornelles's Blog

Archive for February 2011

Tá, eu admito, meu jeito de viver é bem cansativo, mas o tempo passou e isso, é verdade, trouxe uma bagagem de entendimentos diversos que ajuda muito nas horas de apuros. O ponto de partida: eu gosto de questionar a vida. O meu dia é uma sequencia de setas indicativas rumo a algo que não se saiba, alguma descoberta mágica. Em outras palavras, eu não acredito em acidentes.

É claro que o fato de eu deixar o tempo passar não faz milagres. Eu continuo ficando puta-da-cara e explodindo em palavras desnecessárias. Mas elas são em menor número e meu sofrimento, esse sim é num grau bem menos violento. O que os acidentes tem a ver com isso? Tudo se o nosso empenho está em romper os ciclos de martírio que nos prendem à Terra feito bicho.

Nada acontece por acaso. Se esta máxima te abriga como uma casa, então você sabe do que estou falando. Antigamente eu até dizia que pensava assim – achava bonito esse moderno misticismo. Mas eu não sentia desta forma. E você deve saber tanto quanto eu que a forma como sentimos as coisas é que determina nosso grau de “evolução”. Então, os conflitos restantes são ainda em função da Razão que insiste em permear a nossa vida como um fita, aquela que registra todos os acontecimentos mas também interfere e mete o bedelho onde não deveria. Gente evoluída não sente. Existe sem acreditar que é gostar ou não, que ama ou que odeia. Existe sem balançar, existe firme sabendo o que é e que nada além disto pode importar.

Mas… a gente tá longe de ser assim. Humanos em exercício contínuo de descoberta pessoal, com muito suor escorrendo pelas têmporas, tentamos diminuir a nossa ignorância a respeito de nós mesmos, do buraco negro que nos ronda e do mundo em que vivemos. Então que eu dizia que nada é por acaso e que hoje em dia eu vivo com isto como um sentimento mais do que um símbolo. Se é assim, então não dá pra fingir que aquela pedra no caminho era só uma pedra. Se nada é por acaso, então tudo existe por algum motivo. Se há uma razão, eu preciso ir atrás dela sem mais delongas ou embromação.

Nessa brincadeira de encontrar o significado para “meros acasos”, é verdade, você pode acabar ficando cansando. Porque chega uma hora que tudo que você queria era ainda ser capaz de acreditar em ganhar na loteria e mudar da noite pro dia toda a sua vida. Ou ao menos de sentar e ver tv como se isso pudesse ser de fato uma atividade de lazer.

Mas, onde eu quero chegar com toda esta divagação? Sim, claro, na conclusão. Eu vou pular metade da enrolação e dizer de uma vez que os acidentes acontecem, sim por alguma razão. E, entende-la é a única maneira de impedir que aquele mesmo acidente não volte a acontecer. As lições que a gente veio aprender neste mundo vão muito além de “conta atrasada tem multa” e “sexo sem camisinha te deixa barriguda”. A gente veio para aprender como conviver com os opostos, como se melhorar, como se reinventar sem se machucar. A gente caiu aqui com a missão de saber quem é e mesmo diante da firmeza deste saber, não o aplicar com rigidez. É preciso flexibilidade exatamente quando do outro lado falta boa vontade. Mas como nada disto é fácil, os acidentes entram no meio de tudo isso só pra nos lembrar que sim, é difícil, mas é tudo em função de maiores objetivos.

 

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