Nandadornelles's Blog

Archive for June 2010

” O  país  está  mobilizado  por  uma  causa.  Poderia  ser  pelo aumento dos impostos, pela corrupção na política, pelas altas taxas de desemprego, pelo caos na saúde, pela miséria, a fome, a violência nas ruas. Não é. O país está mobilizado pelo futebol. As cores da bandeira tomaram conta das sacadas,  das  janelas,  dos  carros,  das  praças,  das ruas. As multidões aprendem rapidamente as canções da copa, os nomes dos jogadores, as regras, estudam as tabelas de classificação. Se revoltam quando o juiz frustra suas expectativas. Sofrem. Choram. Comemoram nas ruas. Brindam.

Todo este cenário comprova que só “pão e circo”, exatamente como na Roma da Antigüidade,  move  as massas. Alimentar física e mentalmente o povo desvia sua  atenção  da  realidade.  No  Brasil, basta o circo e somente o circo é propiciado,  porque  a  fome ainda mata milhares diariamente. Existe alguma esperança  de  que  tudo  vai  mudar?  Neste  momento, a maior esperança do brasileiro  é  a  que  embala  o  sonho do hexa. Mesmo sabendo que ganhar o título  de  melhor  do  mundo  no  futebol  não vai mudar o dia-a-dia. Nós, brasileiros,  continuaremos  perdedores ao enfrentarmos com tanto comodismo as  situações  adversas  desse  país, que denominam de terceiro (ou quarto) mundo.

Quisera  fosse  Copa do Mundo todos os dias, todos os anos. Mas, um torneio diferente.  Um  campeonato  onde estivesse em campo a lista interminável de questões  que  envolvem  o ato de VIVER. Que mostrasse um panorama do mundo inteiro  e  que  fosse o vencedor, aquele que propiciasse mais qualidade de vida  ou  os  melhores  meios  de enfrentar a vida. O Brasil nunca iria ser campeão. Não chegaria a hexa. Não levantaria uma taça.

Mas, quem sabe esta Copa do Mundo nos despertasse a vontade de conhecer outras realidades e regras, de saber o que está errado e o que pode ser mudado, de aprender a fazer cálculos e descobrir quanto dinheiro escorre nas contas dos políticos. Quem sabe nos fizesse mais comovidos com a dura realidade da maioria, nos mostrasse caminhos,  nos tornasse mais unidos e a partir dos exemplos de outros, nos desse coragem para brigar por um mundo melhor. Quem sabe, se fosse Copa do Mundo todos os dias, isto transformaria definitivamente os brasileiros em cidadãos, mais brasileiros e menos conformados. Assim a busca incessante pela hexa se transformaria numa busca permanente por um mundo melhor.”

**Regina Hostin é jornalista, acima de tudo, um ser humano sensível, uma mulher linda!

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A copa que interessa”, livro de Eduardo Menezes, está sendo tão indispensável pro meu pai durante as partidas de futebol da copa 2010 quanto já foi o rádio um dia. Ele senta e, esticando o braço, busca os óculos e o livro, os dois ao mesmo tempo deixando claro a ordem de prioridades. Se ajeita na cadeira do papai com uma poodle de cada lado, afinal, as responsabilidades familiares não podem ser deixadas de lado em prol de um divertimento pessoal. Pra ele é imprescindível que se conciliem os indispensáveis: futebol e papel social. Lá vai ele. Sem palavras, ele anuncia o momento com muita alegria. Eu sinto o seu coração bater mais forte diante de uma felicidade eminente. Quase como uma criança prestes rasgar o embrulho de um presente de Natal. Em um movimento semelhante a uma comunicação via satélite ele envia sua mensagem através de um olhar triangular. Olha pra mim, depois pra tv 42” e um sistema de som que traz noventa mil vuvuzelas pra dentro da sala, depois pro livro, depois pra mim de novo. Eu sei; ele está se preparando para a próxima partida. Jogadores estão prestes a entrar em campo e o que passou batido nas copas passadas –  as seleções, suas histórias ou aberrações – agora disputa o primeiro lugar no pódium junto com os gols que incansavelmente ele espera que sejam feitos. Exceto que agora tudo é diferente, uma grande janela se abriu – a copa de 2010 oficializa o widescreen em sua vida. Coisa que só o conhecimento traz e o dinheiro traduz em uma linguagem que todos possam entender. Ele está prestes a fazer parte de uma descoberta que jamais poderia ser feita sozinha. Com humildade e empatia, ele permite que o autor o guie por entre particularidades de uma paixão comum. Ele lê em voz alta a ficha completa sobre as seleções que simultaneamente entram em campo. A energia vinda da torcida entra em sintonia com a que dele irradia diante da possibilidade da vida como ele sempre sonhou: futebolística e apaixonada do início ao fim e muito além de 90 minutos de partida oficial. Ele vibra de emoção ao pensar que alguém vive da sua paixão e que ao fazê-lo ainda alimenta sonhos alheios. É o que seu olhar me diz, todo orgulhoso de si mesmo por permitir que se descortine uma realidade a mais enquanto o Brasil sonha com o hexa.

Você já reparou em como é difícil contornar os efeitos do desequilíbrio? Começa com uma dor, um desconforto. Depende do tipo de ligação que você tem consigo mesmo. Se você já vive em seu dia a dia mais atento, um leve desconforto serve como aviso de que algo saiu fora do prumo. Mas, se você passa mais tempo fora do que dentro de si mesmo, o desequilíbrio vem em forma de grito, uma dor aguda no peito, uma diarréia, uma crise de gastrite, uma falta mais grave de energia como um desmaio ou uma incompatibilidade sanguínea manifesta através de uma alergia. Estamos falando do corpo amigo que sente uma liberdade mínima para se expressar e não se recolhe em medo, como o de muitos que acabam desenvolvendo em segredo algum tumor ou sabotam qualquer cura através de um auto-envenenamento.

Mas, fora casos extremos, em geral sofremos mesmo é de uma síndrome do auto desconhecimento e do distanciamento da nossa essência. Na maioria das vezes, nós não nos damos ao luxo de investigar o sintoma, de utilizá-lo como uma barca para entrar em nosso corpo e descobrir um pouco mais sobre nós mesmos. Usando a falta de saúde para saber do que nos faz feliz. Mas não, a gente parte do pressuposto de que viemos pra esse mundo para realizar algo externo, algo maior, mais monumental do que o nosso próprio crescimento. Assim, toda vez que a dor chega, a gente não pensa duas vezes e vai logo tomando um remédio. Preferencialmente, um bem forte que nos derrube ou ao menos nos deixe surdos, inacessíveis a qualquer novo grito por socorro vindo do nosso corpo.

Eu entendo que só chegamos a esse novo momento graças a inúmeros movimentos. Independentemente da natureza que os origina, todo movimento, seja ele social, cultural, econômico sempre traz algo de novo. Eles são a resposta a um grito do corpo de uma maioria que se une em busca de uma alternativa. Os movimentos são o compartilhamento de experiências pessoais em âmbitos que podem ser até mundiais. Eles são possíveis respostas ou perguntas poderosas e carregam em si o potencial da transformação, por isso que se chamam “movi.mentos”. São os acontecimentos que invariavelmente afetam a inércia básica de tudo que entra no piloto automático. Movimentos são refluxos, repuxo de uma maré que provoca o re-posicionamento do ser enquanto indivíduo ou parte integrante de um coletivo. Movimentos provocam um grande rebuliço, às vezes até grandes manifestações, confrontos físicos basicamente como expressão, como gatilho para o acomodamento de novos íntimos sentidos. Os movimentos trazem consigo o caos gerado pelo desequilíbrio que sozinhos também sentimos, mas são mais resistentes à sedação inconsciente do que o nosso frágil organismo.

O problema dos movimentos é que eles são extremos e deixam para a geração seguinte pagar o pato de tudo que foi deixado de lado. Assim, os movimentos causam mudanças em níveis que não podem nem mesmo ser previstos. Eles chamam a atenção para um aspecto do desequílibro e, enquanto fazem isso, geram outro novo. Como o movimento hippie, por exemplo, que veio falar de paz e de amor – porque eram aspectos que precisavam de atenção – mas obrigou suas gerações vizinhas a restringir as demonstrações de amor no pouco tempo que sobrava entre casa  e trabalho. Depois do quase caos pela falta de paz e de amor, chagava a hora de contornar o quase caos pela falta de uma estrutura social mais organizada. Quando o mundo viu na exploração do intelecto o próximo bhúm financeiro e consertando um desequilíbrio causou outro: a busca desenfreada pela realização profissional enquanto status social. E assim inúmeros, sucessivamente, desde o início dos tempos. Até que a gente chega a um dado momento em que conquistamos o merecimento do movimento definitivo, o ancoramento do equilíbrio.

Aí, já é opinião minha e eu posso, sim, estar sendo muito otimista. Mas, é a minha maneira de ver a vida e, se ela me motiva e me inspira, não pode ser uma coisa negativa, certo?! Acontece que eu tenho a nítida impressão de que estamos vivendo a fusão de todos os movimentos e que conquistamos o direito de se ajustar enquanto um eco-sistema lindo e infinito sem causar novos prejuízos. Eu vejo muito mais pessoas sorrindo, se amando, se olhando nos olhos, se entregando, se curando do que gente se machucando, se desperdiçando em troca de qualquer coisa que nunca teve, nem vai ter, poder pra mudar o mundo.

E aí você vai me perguntar de onde eu tiro isso! E eu respondo: da ausência escancarada de um grande movimento. Vivemos hoje milhares de movimentos ao mesmo tempo, isolados, paralelos, multifacetados, ecológicos, inclassificáveis, nenhum descartável. Eu tenho os meus e você os seus. Algo tão bonito e que só foi possível graças a todas as gerações anteriores. É por isso que a cada dia que passa eu sou ainda mais grata aos meus pais e antepassados em geral. Eles foram o passo antes do nosso, a preparação indispensável do solo para que nossas ideias holísticas fossem recebidas. Eles é que iniciaram o movimento de olhar pra dentro enquanto asseguravam a conquista anterior de voar sem tirar o pé do chão. Assim, numa revolução ideológica, foi iniciado o processo da realização pessoal como peça chave para um novo momento espiritual.

A partir da década de 80 começou a chegar à Terra uma geração que tinha um desafio especial. Começava a encarnação dos “índigos” que abririam caminho para o equilíbrio fazendo o movimento definitivo.  Os índigos – geração da qual eu faço parte – são um tipo específico de espíritos que vieram à Terra para dar conitnuidade a um processo de conquistas interligadas que precisavam ser melhor fundamentadas. Nós partimos de uma base estruturada. Em geral, fomos abrigados por famílias com mínimas condições físicas e poderes aquisitivos o que nos permitia focar o pensamento no espírito. Tudo isso foi pensado e estava previsto desde o início. Afinal, o homem dificilmente priorizaria o crescimento espiritual diante de uma barriga vazia, da falta de roupa ou comida. Em um trabalho que muitas vezes pareceu oposto, gerações diferentes trabalharam em conjunto. Exatamente porque somos todos iguais e somente a soma dos nossos esforços é que pode transformar o mundo. Então, nossos pais nos deram casa, comida, roupa lavada e acesso ao estudo e foram dormir intrigados, muitas vezes desconsolados diante do nosso comportamento rebelde. Os índigos foram e são uma grande pedra no sapato, o dedo enfiado na ferida. Questionamos tudo, desde a  estrutura vigente, a moda, o estilo, o pensamentos, o sentido da existência. Mais do que tudo, nós viemos em busca da coerência da essência na prática o que exigia uma inevitável revisão de prioridades, de tudo que nos era vendido como “verdade”.

A geração que nos abrigou relutou porque se assustou diante da nossa proposta. Era muito forte o medo de perder os frutos de uma conquista tão importante quanto foi o suprimento em alto nível das necessidades físicas. O apego a crenças muito antigas de que o homem devia se preocupar em buscar o sustento da família enquanto a mulher ficava em casa e paria. Demorou até que ficasse claro o que aconteceria, que a nossa rebeldia não era uma simples birra de quem não sabia valorizar a vida ou o sacríficio feito em prol do nosso sustento. Ao contrário, o nosso movimento se resumia em refinar, identificar e estabilizar a base que motivava as conquistas.

O momento que viviemos hoje é especial porque une o necessário com o fundamental só que na ordem inversa. As gerações anteriores e todos os seus movimentos construíram o entendimento e as ferramentas para a obtenção do necessário, onde até o consumismo exagerado foi um antigo sonho realizado. Foi quando nós chegamos e, respaldados por famílias ricas, abdicamos de tudo que eles esperavam e frustramos as suas principais expectativas. Nós recusamos o dinheiro e o status social como uma conquista vazia. Nós não tínhamos nada contra isso, não viamos nada de errado no fato isolado, apenas propusemos um novo modelo que traria, inclusive, os mesmo resultados, nos levaria a um mesmo reconhecido momento. Mas o nosso anseio era que isso se desse como consequência do ancoramento das nossas verdades ao invés da prostituição da nossa essência, a banalização da nossa existência. Agora pode parecer que era óbvio e fácil, quando os índigos começam a colher os frutos do seu esforço, quando começaram a aparecer os resultados do nosso trabalho. Mas, no início, nós não sabíamos de nada disso, nós apenas sentíamos em nosso íntimo que alguma coisa estava errada. Que havia incoerência entre o discurso e a prática e que isso causava uma desarmonia acumulativa. Uma força desconhecida nos movia na direção do divino que os “antigos” diziam estar em lugares que foram canonizados por estruturas ultrapassadas de controle e repressão. Nós queríamos a união, a vibração específica de quem sente e faz do mesmo jeito, de quando palavra e ação partem do centro do nosso peito. A alegria intrínseca de quem vai em busca dos seus sonhos ao invés de usar como desculpa qualquer dificuldade absurda pelo apego em sonhá-lo ou pelo medo de desmistificá-lo. Nós fomos muito bravos e por algum tempo ainda vamos pagar caro. Ainda vão nos jogar na cara a frustração dos antepassados que não entenderam a profundidade do que foi feito. Eles se decepcionaram por não termos seguidos seus modelos apesar de internamente já terem concordado com esse movimento de evoulção universal quando nos abrigaram em seu seio paternal.

Apesar de muitos dos “antigos” ainda tentarem contabilizar os gastos da minha geração que agia “como se dinheiro désse em árvore”, a verdade é que o trabalho que realizamos não tem preço. Nós desobstruímos o caminho para a realização do indivíduo a ponto de fundí-lo com o Todo. Hoje sabemos que é possível viver em harmonia em todos os aspectos da vida. Foi colocada em prática a teoria da maior diversidade. Quanto maior o número de felicidades diferentes mais reduzido fica o poder das crenças e tudo mais que limita a expressão da nossa essência. Nós fomos em busca de um Deus manifesto em todas as cores, de todas a formas, em todas as línguas, nas mais variadas melodias. Nós buscamos o sagrado em nós mesmos e depois o projetamos, não como uma verdade absoluta mas, como um incentivo a outras buscas. Que cada um fizesse a sua. Quando cada um descobre em diferentes níveis o que nos move, a fonte de onde tiramos o combustível necessário para continuação do movimento de crescimento, de auto-descobrimento. O homem como um ser que se retro-alimenta em energia e satisfação até quando durar o “sempre”.

E é só quando chegamos a esse momento dentro de nós mesmos que passamos a entender os sinais do nosso corpo. Quando uma dor de cabeça passa a ser resultado de uma conquista de entendimento, de proximidade, de descoberta de mais uma verdade ao invés de ser tratada com remédio como se fosse uma doença. A ausência de um movimento específico é sintoma da cura mais esperada. O prenúncio do fim das mais variadas síndromes já inventadas. Os laboratórios, a igreja, o governo, muitos órgãos ainda tentarão nos incutir algum medo, vão meter os pés pelas mãos em tentativas desesperadas de manter um controle obsoleto. Mas esse último movimento é definitivo e vem respaldado pelo divino que nos apadrinha com a chance real do equilíbrio individual. Nós mesmos é que derrubaremos os falsos movimentos já que nenhuma urgência roubará a nossa atenção, nosso tempo ou dedicação já que agora sabemos que já é possível viver em paz com nosso espírito.


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