Nandadornelles's Blog

Uma questão básica de escolha

Posted on: April 27, 2010

Quem se dá o maior prêmio?! Quem dá mais no Leilão de Ovelhas!?!
Dô-le uma…

Não sei bem onde foi que começou essa mania. Quando a gente menos espera, estamos olhando pra cima, rezando, pedindo, chorando, esperando… desejando do fundo do coração que caia do céu a bendita solução. Da mesma forma a gente acha que funciona o processo de seleção para os ditos escolhidos da Era Moderna. Em algum ponto confuso dentro de nós, acreditamos que Deus envia cartas marcadas, pessoas predestinadas a cumprir uma ou outra função. Pastores ou ovelhas? Afinal, quem somos nós?

Faz parte da complexa teia da necessidade de aprovação externa. Uma parte de nós insiste em querer saber o que, diabos, é esperado de nós. Se você já passou da fase em que isto se dá na relação familiar, bem, aí começa uma bronca muito maior, uma incógnita de ordem divina. Parece que viver não basta. Ter um emprego, uma profissão, pagar as contas, ir ao cinema, namorar; nada disso faz mais sentido se não estiver relacionado com o cumprimento de uma específica função. Agora em um aspecto mais macro, queremos ser alguém para o mundo. Egos disfarçados de agente social ou candidatos a cargos inexistentes. E existe uma empresa recrutadora, quem regula a lei vigente?


Algumas igrejas pregam outras apenas metaforeiam na tentativa de preencher silêncios perigosos, mas todas elas dizem mais ou menos a mesma coisa. Tem sempre a história do rebanho, das ovelhas, do pastor, enfim, variações a parte, a moral está exatamente no sentido figurado. Vamos lá, isolando os elementos, re-contamos uma conhecida lenda:
Temos o Pastor, alguém que não necessariamente conhece o caminho, mas está com seus olhos mais abertos, atento e capaz de processar um maior número de informação a respeito do trajeto, do momento. Idealmente, o Pastor é uma ex-ovelha (ou alguém que no mínimo entende muito sobre o assunto) que ergueu um pouco mais a sua cabeça e se propôs a gerenciar os perigos, contornar os empecilhos e compartilhar com o rebanho o que tem visto e sentido. O Pastor pode ser a ovelha que se dispôs a escutar o chamado, sentiu no seu íntimo que tinha mais a oferecer do que a receber. O Pastor é a ovelha que exercita o merecimento de chegar mais longe, ver nos mais verdes pastos a beleza de Deus. O Pastor é a ovelha que se individualiza, que se auto-retira da massa sem definição que é a multidão. Faz as vezes de recrutado e recrutador se alternando no exercício primário do que significa ser onipotente, onipresente, onisciente.

As ovelhas. As ovelhas são a grande maioria de nós. Queridinhas, branquinhas, fofinhas mas sem a menor vontade de escolher o seu próprio caminho. Os de nós que precisam de alguém para guiar, para alertar sobre os perigos eminentes, alguém que nos abrigue quando chegar a tempestade, que nos leve até o pasto mais verde – mesmo que este nem o seja, mas nos convença e nos alimente também com a ilusão de termos à nossa disposição o que de melhor há. Ovelhas somos nós quando abrimos mão de questionar o que nos está sendo imposto, apenas baixamos a nossa cabeça e, mesmo contrariados, engolimos. Vitimados, ruminamos a insatisfação das possibilidades limitadas, o campo das potencialidades eliminadas.


No meio de algumas ovelhinhas branquinhas sempre tem aquela, às vezes uma ou duas, muitas ou poucas, distoantes, desobedientes; negras. Para o Pastor-Ego (aquele que se candidatou ao cargo pelo status de Escolhido) a Ovelha Negra é um pesadelo. Ela é insistente, resistente, pensa por si própria, também sente um chamado; quer comer do pasto ao lado, se recusa a caminhar na linha, a seguir junto com o rebanho. A ovelha negra é a chispa da potencialidade de um novo Pastor para espíritos aventureiros sem culhão para susutentar seus projetos mais verdadeiros. A ovelha negra bagunça a ordem perneta do sitema rebanho-pastor e oferece a oportunidade da individualização por meio da contravenção.


Tanto novos Pastores como novas Ovelhas Negras causam muito reboliço. É o poder desconcertante da iniciativa. Somente um universo de autônomos é que poderia levar nosso mundo à Revolução Oficial da Maestria Pessoal. É só com um universo abundante de Novos Pensadores – sejam eles Pastores ou Ovelhas Negras – que tantas diferentes verdades poderão ser apresentadas até o rebanho das ovelhinhas brancas, aos poucos, exterminar. Diante de tantas opções, até mesmo simplesmente seguir um caminho exigirá exercício de raciocínio. A pergunta antes escondida, agora escancarada na placa indicativa do caminho: você é feliz?


Sendo assim, eu inauguro esse manifesto; pelo Pastor ou pela Ovelha Negra que existe em você! Que toda Ovelha Negra se depare com a responsabilidade da escolha pessoal e leve tão a sério a sua função a ponto de mudar de papel, se desapegar do rótulo que lhe foi dada, convertendo sua rebeldia em pró-atividade, incrementando sua atuação com uma pós-graduação em comunicologia. Que o rebanho se transforme numa multidão de Pastores que se encontram eventualmente e reconhecem mutamente sua orientação Divina. E por que não, promovem um encontro anual de Benchmarking para trocar as diferentes técnicas utilizadas para otimizar a caminhada rumo à Realização Individual. Que os Pastores deixem de lado tanta vaidade e prestem mais atenção às suas próprias escolhas tanto que no final das contas torça para que o número de seguidores diminua. Que o reflexo do seu trabalho de Pastor seja a inspiração para processos de emancipação e nunca a chave para uma nova mascarada prisão.
Mas ainda não chegamos ao fim, não fácil ou tão cedo assim. Não dá para esquecer do lobo, certo?! Sempre tem. O lobo é o mau que nos espreita, que ronda o rebanho em silêncio, às vezes disfarçado, mascarado, ardiloso, sempre prestes a atacar. O lobo é o perigo do qual o “Pastor nos protege” e a Ovelha Negra, displicente, nos oferece. Se o lobo deixa de existir também desaparece a necessidade de ser guiado por um Pastor e arranca pela raíz o problema que marginalizava a Ovelha Negra. Afinal, para o organismo e o baixo nível de exigência de uma simples ovelha, pasto é pasto. A não ser, claro, que determinados pastos devam ser evitados já que expõe as ovelhinhas aos olhares degustadores de um lobo faminto. Assim, e somente assim, é que o Pastor se faz valer e a Ovelha Negra se faz temer. Ovelhas brancas levantam suas patinhas aos céus dando graças pela existência do lobo, quer dizer, do Pastor enquanto Ovelhas Negras festejam a sua exsistência, a iminência de mais uma descoberta, uma nova auto-experiência. A excitação do desvelamento do desconhecido, o cruzamento da linha do perigo ao enfrentar o lobo diante de todos . Ovelhas Negras chegam a duvidar que o lobo exista mesmo que se deparem com ele mais de mil vezes. A falta de memória como sintoma da vida 100% no presente.
Pensando bem, eu mudo meu protesto. Eu voto mesmo é pela supremacia das Ovelhas Negras. Abaixo ao Pastor que existe em você! Eu sei, tem gente que vai chiar. Mas veja bem. Se o Pastor é uma ovelha evoluída que só se faz necessário em função do Lobo-Mau e as Ovelhas Negras são as loucas-varridas que não aceitam qualquer leviana imposição, então, pra que alimentar o problema in the first place?! Ovelhas Negras não acreditam no papel do pastor porque, em primeiro lugar, não acreditam na ameaça real do lobo mau. Ovelhas Negras têm instinto e se dão mal, quebram a cara, às vezes perdem oportunidades ricas de descanso – a ilusão da sombra e água fresca como o maior troféu pelo bom comportamento – perdem amigas, às vezes a vida, mas gaham a experiência de seguir por onde acreditam e, no mínimo, mais sabidas. O grande mal de que sofrem as Ovelha Negras é chegarem aonde querem sozinhas. Meu protesto é pela socialização das Ovelhas Negras. Que elas sejam muitas e amigas pra toda vida.
A supremacia da Ovelha Negra que existe em cada ovelha do rebanho, a aceitação da ovelha negra em cada um de nós é o único remédio que não pode ser inventado. É a cura para todos os males, o milagre mais esperado. O último passo antes do fim da Era dos Pastores, a dismistificação dos mal-feitores. A Era das Ovelhas Negras é a chegada dos tempos de Ouro quando não buscamos no outro a resposta sobre quem somos. Nós mesmos, por nossa conta e risco assumimos nosso potencial Divino. A promoção de Indivíduo para Escolhido.
Chega de se iludir pelo cajado que alguém diz que lhe foi dado, um cargo em solenidade empossado. Chega de esperar bater na nossa porta Deus em pessoa ou seu mais novo oficial representante determinando a nossa função em uma já doentia loucura, em um organograma ultrapassado. Sejamos nós ovelhas brancas ou negras. Nos chamemos de um som incompreendível, uma sílaba de um alfabeto a ser inventado. Somos quem queremos ser, ninguém nunca poderá nos dizer. É só nosso dever querer saber e fazer valer.

Em tempo: ser uma ovelha branca ou preta está além de qualquer configuração visual. Ser um seguidor ou um descobridor é uma opção de vida, uma diferença que só pode ser sentida. Ser um ou outro não é algo que possa ser idealizado, transformado, desejado. Só existe cor no estado de espírito; a sociedade das almas se organiza pela cor das auras e é totalmente igualitária!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Join 673 other followers

April 2010
M T W T F S S
« Mar   May »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  
%d bloggers like this: