Nandadornelles's Blog

Archive for March 2010

Como é que pode, né!? Têm coisas que a gente faz insipirado em algo mais. Às vezes uma receita, uma descoberta, um patuá, um requiem. A inspiração pode ser um lugar onde se quer chegar, ou um alguém que não cansamos de esperar.

Eu amo os meus pais. Principalmente depois que cresci, depois que uns desafios pessoais eu venci. Foi quando eles se tornaram mais do que família: o prazer e a felicidade de caminhar, curtir a vida ao lado de uma boa companhia. Ter estado com eles esses dias entre o meu retorno e meu oficial recomeço foi fundamental. Não só eu pude relaxar e me reorganizar, como pude aplicar os conhecimentos gerais e habilidades vitais que adquiri enquanto estive fora. Viajar é uma arte, até muito simples se comparada à flexibilidade necessária de quem pensa em voltar. E foi pensando em devolver tanto amor e carinho que cozinhar deixou de ser apenas uma opção de lazer para ser uma nutritiva versão de sincera retribuição.

Primeiro foi o Bolo de Arroz Apaixonado. Feito de massa de arroz, o bolo ficou tão leve que de foi consumido muito mais do que o esperado. Exatamente como paixão, o pessoal se jogou de cara, não quis saber do depois. E foi o espinafre que não deixou por menos, fortalecendo quem se entregou sem medo. Depois dos arroubos do primeiro momento, chega a hora do prato principal, Risoto de Tomate Arromantizado, romance, o amor em doses suaves unindo os grãos de um arroz tailandês aromatizado. Se bem que a idéia de prato principal se perdeu entre o número exagerado de pratos complementares o que não diminuiu sua importância já que é uma arte sabê-lo divino mesmo quando mero coadjuvante.

Mas o mais engraçado é pensar como alguém que não está do nosso lado pode influenciar tanto no resultado do que já é pura manifestação de afeto. O legítimo ingrediente encantado. Eu já estava sendo movida por um sentimento mais elevado. Ver a minha mãe saindo toda arrumada e bonita para a faculdade sem que precisasse se preocupar em estar até o último momento na cozinha foi satisfação dobrada; um tanto pelo meu gesto da oferta, outro tanto pela sua sua boa-vontade+habilidade em receber. Isso sem falar na felicidade ao vê-la comer! Meu pai, que geralmente é discreto ao dar o seu parecer sobre comida, não economizou na quantidade de sentimento – devia ser o seu coração transbordando, afinal estavam envolvidos boca, paladar e estômago, a mais pura declaração de amor – e falou de boca cheia; “Gostoso, muito gostoso”. Ao final do almoço, meus progenitores queridos estavam mais do que alimentados, sabiam-se entre meus amigos preferidos.

Minha mãe nem questionou porque acompanhou a elaboração de um almoço que fluia conforme o que eu sentia. Meu pai perguntou sobre a receita, desvendando os sabores queria relacionar os ingredientes. Difícil para mim lembrar de tantos “isso”e “aquilo” que no fim só serviram como meio. Eu não me preocupo muito com a cara, a quantidade, a natureza básica do que vai parar dentro da panela. Na cozinha eu ajo como na vida, doses mal-calculadas de insitinto e impulso transformam meus sonhos em realidade. Ainda mais agora que eu não tenho mais medo de errar ou me perder, eu sou instrumento para um gostoso fluxo de viver que só quer caminhar rumo ao mágico poder dos relacionamentos,  a comecar pela delícia do auto-conhecimento.

E, claro, que uma grande obra não se pode realizar sozinho. Em nossos melhores momentos somos a fusão de uns amigos, amores e vizinhos. Hoje a presença-inferência era meu amigo Paulo. Alguém para quem eu posso simplesmente ser, uma existência que dispensa receita de bem-querer. Amá-lo é muito fácil, faz parte do meu viver e os ingredientes são qualquer e tudo entre eu e você. Se ele estivesse em pessoa ao meu lado, teria se horrorizado com a minha falta de senso estético na cozinha. Muito simples; é que eu não como com os olhos, eu lhe diria.

Eu comecei a cozinhar quando o dia raiou e, apesar de já não estarmos mais sentados ao redor da mesa, eu sei que só vou terminar quando no final do dia eu concordar em descansar, para o mundo dos sonhos eu me entregar e para, com o meu querido amigo Paulo, mais uma receita de amor elaborar. Se vai envolver comida, madeira, papel ou serigrafia… ah, quem pode saber?! Amanhã é outro dia!

Bolo de Arroz Apaixonado

INGREDIENTES:

  • 1 xic arroz
  • 1 copo Leite
  • ½ copo óleo
  • 1 col fermento
  • 4 ovos
  • Legumes e etc (tomate seco, espinafre e ricota)
  • Tempere a gosto (sal, pimenta etc)

MODO DE FAZER:

Cozinhar o arroz. Claro que eu já conzinhei o arroz todo temperadinho, com alho e pesto desidratado. Reserve (ou não resista à impaciência de ter o bolo pronto e use ele quente). No liquidificador, a massa; leite, ovos, óleo e o arroz cozido. Bate até ficar uma massa linda e homogênea, mais para firme doque para líquida. Misture o fermento.

Hora de soltar a imginação e buscar saber com o coração quais sabores servirão de consolação.  Vale tudo, só não vale poupar no carinho. Misture a massa com os ingredientes selecionados e leve ao forno pré-aquecido por uns 40 minutos. E, tchará, tá revelado seu amor mais genuíno.

Risoto de Tomate Arromantizado

INGREDIENTES:

  • Mateiga
  • Pimenta preta
  • 1 cebola roxa
  • 1 ½ xic arroz Tailandes
  • Tomates cereja
  • Manjericão
  • Parmesão

MODO DE FAZER:

Bom, eu não sei fazer de outro jeito, cozinho qualquer arroz assim. Pra ficar mais leve, exagero no tempo que antecede o cozimento. Refogo o arroz na panela, mesmo quando não tem nenhum acompanhamento, até dizer chega. Aí é que coloco a água e deixo ele quieto crescendo.

Então, no caso desse risoto, muito importante uma panela de barro aquecida sem pressa e com manteiga. Refoga a cebola picada bem pequeninha. Depois o arroz. Refoga, refoga, refoga. Deixa o grão do arroz aquecer, encher de ar, de uma versão etérica de amor transbordar. Deixa ele ficar leve, quase pronto para voar. Depois o tomate cereja. Muitos, quantos você quiser. Eu queria muitos, vermelhos traduziam a vibração de um nobre sentimento, revelevam o que era segredo ou exclusivo ao meu pessoal consentimento. Tempere, pimenta-preta moída, sal a gosto. Água. Deixa o arroz cozinhar e a macumba pegar. Desligue o fogo com o grão quase no ponto e deixe o calor da panela fazer o resto.

No final, só para garantir a felicidade; queijo parmesão ralado fininho, mais uns tomatinhos e folhas de manjericão. Sirva com amor, sorisso no rosto e calor no coração.

Leitura que nada. Abertura de consciência pura!

http://www.saindodamatrix.com.br/

Só podia que um presente tão grande precisava de Dia institucionalizado para ser reconhecido e reverenciado. Não adianta, a gente sofre, acima de tudo, por pura falta de coragem. É o nosso medo humano de se assumir divindade. E entre as mais assustadoras manifestações divinas está a nossa forte energia feminina.

Eu não acho que o Dia Internacional da Mulher seja uma afronta. Acho que seja apenas uma confusão, uma incompleta tradução de uma sensível percepção. O Dia da Mulher não existe para nos parabenizar, mas apenas para nos lembrar intimamente e nos permitir, muito sutilmente, de manifestar nosso poder feminino sem vergonha ou discriminação. Ser mulher é enfrentar o próprio peso de ser indispensável para a reprodução.

O terninho e os cargos até então masculinos não foram uma conquista, mas sim um escudo, uma armadura entre o mortal e o divino. Umas dizem que inventamos uma revolução para provar nosso idêntico valor. Eu acho que a gente quis foi se experimentar semelhante porque ser homem é uma barbada, o único detalhe é que, pra nós mulheres, a energia tomou a forma errada.

É claro que, eu, aqui, não quero fazer menos de homem nenhum, até porque tem muito homem que é baita mulher; fala doce, dá amor e carinho, exercita o respeito mútuo e ainda faz massagem no pezinho. Mas, em geral, se falamos das opções limitadas em se fazer bem sucedido nessa experiência na Terra, a vantagem é masculina apesar da condição universal básica feminina.

A verdade é que a gente se masculiniza para passar desapercebida. De repente a gente quis também só passear e a efemeridade dos corpos aproveitar. Experimentar a sensação de ser dispensável para a procriação. Mas como tudo o que se desvia da original função, o mundo e seu propósito se perdeu quando a mulher do seu mais importante aspecto esqueceu.

A maioria das mulheres que eu conheço são lindas. Só pra citar; minha mãe, irmã e tias. Mulher de verdade sofre, chora, ama, se perde e se acha, se apaixona, se desilude. Das cinzas renascemos, cedemos nosso corpo à prova cabal da transformação absoluta. Mulher de verdade já nasce sabendo que tem que morrer; a ironia da vida ou o grande recado da intuição feminina. Nosso sofrimento é a incompreensão de uma realidade sabida mas não vivida. Mulher é aquela que caminha sozinha na direção de uma luz que a todos amor irradia.

Pra mim, o Dia da Mulher é um convite a uma celebração intimista. É a oportunidade de, ao menos por um dia, buscar apenas complementar a energia masculina se assumindo imperfeitamente divina dos pés ao último fio de cabelo. Ao menos no Dia da Mulher, quem sabe a gente usa isso tudo e mais um pouco de tecnologia para se admitir perfeita ao invés de marcar uma consulta ao esteticista. Faz parte de ser mulher entender a fluição da vida. Saber o espaço da nossa correspondente energia masculina. É usá-la para o bem, para a construção de uma nova vida ao invés de correr feito louca atrás de uma determinada aparência física.

O Dia da Mulher é um gostinho do que já pode ser todos os nossos dias; o fim do medo à punição pela nossa magnânima serventia. É a permissão da idolatria, o sinal verde para o reconhecimento, primeiro passo para tanto mais do que o merecido amor e respeito, arroz e feijão de qualquer relação. Ao menos no dia 8 de março não nos sentimos ofendidas com as portas gentilmentes abertas, as rosas vermelhas e os sonhos que elas despertam, o choro permitido pela beleza perdida.

A gente correu foi do medo de não ser vista tão linda quanto já é. E na direção em que disparamos tantos homens encontramos que, de repente, o mundo pareceu yang demais. Um pouco foi da força que fizemos quando saímos correndo enlouquecidas, outro tanto foi a força que fizemos para encontrar o caminho de volta quando nos vimos amadurecidas.

Mas não pense que fizemos todo esse movimento sozinhas. Os homens também quiseram a nossa masculinização. Para muitos deles foi um alívio poder falar abertamente de tesão, nos levar para a cama sem desculpas de amor ou alimentar qualquer outra ilusão. Só tem culhão para encarar uma mulher genuína o homem que tem si a feminilidade bem resolvida. Do contrário, homem e mulher passam anos sem conseguir falar a mesma língua.

A cada dia que passa eu sinto mais o mundo mudar, os homens se abrirem, as mulheres a se transformar. Botões de rosa a desabrochar. A gente caminha em direção ao que sente e eles contribuem na medida em que não se resentem. Vamos assumir de uma vez por todas, tudo teve início no complexo do macho escolhido. O medo do homem de não ter seu gene no corpo do pródigo menino.

Hoje, homens e mulheres já se olham e se vêem um no outro. Sem preconceito, mulheres falam do seu desejo de comer e homens de serem amados. Trabalham em conjunto para potencializar energia criativa e criadora; o sonho concretizado. Mulheres abdicam dos postos de trabalho masculinizados e serelepes voltam ao lar e a tudo mais que merece tamanho sutil cuidado como o filho mais esperado. Homem que é homem não só apoia como suporta, lugar de mulher é em casa, na cozinha recebendo comidinha feita por ele com tanto carinho; o amor mais puro sendo alimentado. A importância do papel feminino na vida cotidiana ao despertar do mais divino masculino. Yin e Yang em comunhão, a prévia da tão sonhada fusão.

Mulher, a sensação da própria palavra que ao ser pronunciada ocupa todo órgão da fala. É um gesto redondo, aberto e fechado ao mesmo tempo. Começa com um sopro de ar quente, a vida partindo de dentro para fora, o espaço que se cria para a inundação, o maior dos preenchimentos. A língua que se alarga tocando todo o céu da boca, sabendo-se importante, se esparrama de um lado ao outro, se transborda até os dentes, provocando ao final um leve sorriso. Os lábios entre-abertos, os cantos da boca erguidos em celebração pela palavra dita, pela oração feita, o feitiço expelido.

MM – uu – LLhee –r.

Somos nós que reunimos no mesmo corpo os 4 elementos e fazemos com eles o que bem entendemos. Nós nas versões Terra, Água, Fogo e Ar. Nós somos as únicas que respondemos diretamente para o Ser Supremo e por isso foi que nos assustamos e, por um tempo, mudamos de idéia, preferímos ser homens, mas só conseguimos ser frágeis meninos.

Nossa natureza não nos favorece, somos vulneráveis, despertamos curiosidade as vezes mascarada de nobre sentimento as vezes nem isso, a iminência da futilidade; nossa beleza usada com violência e o estupro da nossa fecundidade. São contornos e curvas que alimentam ilusões mentais ao invés de construir novos padrões comportamentais. Nosso seio alimentando doenças sociais enquanto nós sonhamos com a expressão masculina de virtudes universais.

O Dia da Mulher poderia ser também conhecido como o Dia da Esperança ou o dia da Mais Humana Manifestação Divina. Vai chegar o dia em que o dia 8 será apenas mais um dia, vai ser estranho pensar que houve um tempo em que se vivia na Terra sem a regência da Suprema energia Feminina.

É uma graça mesmo. O ser humano e a dádiva da vida.

Te convido para um exercício; A arte de se desmarcarar. Dê nome aos personagens a medida em que você puder. Essa não é a história da Fulana ou da Beltrana. Essa é a história da menina e da senhora, é a história da humanidade.

A gente tem uma missão a cumprir. Nobre, evidente. Mas no meio do caminho, as vezes até antes, a gente se arrepende e começa a inventar coisas pra se distrair. É por isso que homem tem “bimbim”e meninas são inquietas.

Para encarar nossos medos de todos os jeitos, a gente pegou o costume de revestir eles de sentimentos. Uns mais evidentes outros discretos mas muito potentes. São diferentes partes do nosso eu trabalhando tão sigilosamente que nem sabemos dos acordos íntimos de revolta e insurreição. Da rebeldia à gastrite e a má digestão. Cegos, ignorantes nos conduzimos rumo ao nosso próprio pressipício, à rua sem saída, o medo da inquisição.

Não adianta dizer que não. Você também vai chegar lá, no ponto pensado-primeiro-alto do podium, a medalha pelos personagens já desvendados nos jogando na cara o preço de se manter acorrentado. A gente se vê diante do previamente contrato e, fingindo surpresa, se diz injustamente ameaçado.

Vamos falar do que acontece na prática?! É quando você persegue padrões de comportamento só pelo comprometimento com uma parte mais decente de si mesmo em procurar a liberdade. A liberdade de fazer o que bem entender, de poder se jogar de cabeça em qualquer coisa entre impulso e tesão, é a audácia de se pensar solução.

Liberdade que se acaba cada vez que se exercita. Exatamente onde mora tudo o que nos excita; sexo, amor e traição. A satisfação do ego em ser o centro da atenção. É ver de perto a transformação de um simples errante em platônico ser amante. Uma falha na personalidade evidenciando o amor e sua fragilidade. E pior do que se ver encantada pelo vizinho, o melhor amigo ou a mulher casada, é admitir a distância que ainda nos separa da verdade mais sagrada. Dismistificar o amor é aceitar a crueldade, a perversidade da criação de papéis que se retro-alimentam em necessidade.

Se tivéssemos nascido livres para amar em totalidade, sem a hipocrisisa da separação absurda do um e do outro. Somos todos um, se manifestando no outro que chega de mansinho se mostrando tão lindo a ponto de nos fazer perder em beijos, línguas e movimentos sussurrantes.

Corruptíveis. Tudo o que há de melhor nós queremos. Não aceitamos menos. O que esbarra diretamente na dor de encarrar nossos medos. E se não falamos da mentira descoberta, se vamos mais fundo, encontramos o medo de justificar nossa existência negando nossas mais marcantes tendências. A arte de transformar a vida em penitência.

Ser humano é limitado e até como prova da sua limitação, aceita sem questionar a noção mais errada de tempo e se prende ao resultado de uma vida ao invés de se integrar com o que não envelhece; nunca morre, nunca nasce. Um mergulho na essência. Falar do que não se pode ver ou tocar revela as raízes da descrência.

Separados, desesperados, buscamos o outro, cheio de charme, cheio de encanto, esperançosos nos acolhemos e mendigamos qualquer forma de sentimento. Vestimos de correto e seguimos adiante, no mínino, prontos a cometer um adultério.

As vezes, do auge da iluminação, da luz que entra pela janela da maior realidade mas logo se fecha e nos joga de volta ao sopro frágil inerente de tudo o que já nasce doente. E pra quem acha que, efim, encontrou a solução, da noite para o dia, o coração passa a bater descompassado, jogando na cara o tamanho do movimento mais perverso. A síndrome do sapo encantado.

Uma bola de neve. O que não pode ser feito porque reforça padrões de incoscistência revelam a importância da meta, um senso básico de direção. Sexualidade é muito bom, mas se for isolada, não me leva a nada. Eu quero amor e respeito. E você vai continuar se contentando com o que eles tem a oferecer por quê?


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