Nandadornelles's Blog

Archive for January 2010

É sempre assim. Eu abro o Word certa de que vou escrever sobre um determinado assunto e quando eu me dou por conta – eu não exerço nenhum controle sobre isso – estou escrevendo algo completamente diferente. Exatamente como agora. Todo o tempo que me separou de estar de fato diante do documento em branco era ensaio de sintaxe, semântica e gramática sobre a aula dessa manhã; “Yoga na vida diária”. Mas ao que tudo indica isto será pano pra outra manga e as reflexões sobre a nossa eterna busca pela felicidade terá que esperar. Parece que agora eu devo refletir sobre o meu dedo, ou ainda, sobre o ego e o medo.

Agora quando escrevo uma paz imensa, quase completa, habita meu coração e tudo mais que há ao meu redor. Como em um círculo virtuoso a paz que existe em meu interior se manifesta no mundo exterior, assim como o mundo externo materializa e reflete a paz que já existe em mim. Ambas tomam forma naturalmente e se identificam. A paz flui, eu quase posso vê-la passar pela minha frente enquanto sentada sob o so tímido do frio que faz aos pés do Himalaia nessa época do ano. Na verdade eu poderia dizer que tudo em mim e ao meu redor é perfeição, exceto pela dor constante e latejante que parte do meu dedo indicador esquerdo; uma forte lembrança do meu ego, dos meus medos.

Ninguém sabe ao certo como isso começou. Até onde eu podia ver, estava tudo muito bem. Fortes samskaras estavam sendo removidos, a consciência era mais do que constante. Mas como a vida é assim mesmo, um processo mal termina o outro já começa. Dessa vez eu não tive tempo nem de pensar em comemorar. Um dia e uma noite de febre intensa limparam memórias velhas e vencidas de padrões negativos do meu corpo físico. Um novo dia nascia e minha alegria em sentir a energia da vida fluindo por cada uma das minhas células era contagiante. Doze horas de descanço foi tudo o que me foi permitido. Graças ao poder milagroso do esquecimento, a dor que antes parecia interminável e inexplicavelmente maior do que eu julgava merecer agora parecia tão pequena, coisa de principiante, e em nada me ajudou a segurar as lágrimas de quem nunca amou tanto um simples pedaço de dedo.

Foi assim, do nada, como nós, como todas as formas de vida, como tudo o que existe no Universo que a infecção começou. Toda energia negativa precisa ser transmutada e, para isso, nada melhor do que o ponto extreme oposto. Yin e Yang; é no auge de um que o outro se manifesta para, sem rodeios ou avisos, se exaurir em seu próprio exagero e então conceder espaço ao outro novamente, sempre e uma vez mais.  Do nada para o tudo, do tudo para o nada, entre um e outro um mundo de vibrações nos conduz; prá lá, prá cá, yin e yang, prazer e dor, conflito e paz. Deus e falso eu.

Parece até mentira e depois a gente finge não saber porque é que os ciclos parecem não ter fim. Mais do que tudo, a gente custa a aprender. Quantas mill e uma versões das mesmas lições serão necessárias para vermos o mundo já como os pés sob o próximo degrau – um pouco mais acima na escada da vida rumo a Deus, rumo a tudo, um pouco menos perto do nada, da ignorância básica? A dor no meu dedo surgiu misteriosamente, assim como as anteriores que, minimamente deveriam ter me escolado. Mas parece que não adiantou de nada e a gente bate a cabeça até virar gato escaldado. A dor chega e a habilidade do observador de transmutar a energia oposta sabendo da Lei Absoluta da Impermanência escorre como água abaixo. Cadê a paz da senhora onisciência?!  Assim, sem mais nem menos, meu dedo indicador esquerdo começou a doer e a inchar e, ingênua, sem nem mesmo questionar, tudo o que eu queria era daquele desprazer poder me livrar. Olha o apego. O ego e o medo. Sem disfarce, todos manifestos em um pedaço frágil de carne de um falso eu; só podia infeccionar.

Tudo o que a dor exibia era uma bolinha branca e um inchaço desproporcional. E pela sabedoria popular e irracional, em plena Índia, adivinha se as coisas não podiam piorar?! Uma bolinha branca e o desejo insistente por um pouco mais de paz. Deus havia recém sido descoberto, grande, único e inédito, majestoso chegando como mérito por tanta de dedicação, mais do que tudo, paciência, consciência e aceitação. Dois Ruppes custou a agulha que eu comprava certa de que era só uma questão de eliminar as evidências para, ao menos pelos próximos dois dias eu poderia optar por tomar uma cerveja e cair em qualquer que fosse a zoeira. Deus era meu convidado especial, eu queria sair e comemorar! Mas veja só, uma pessoa tão esclarecida nessa horas vira vítima e se prende na própria armadilha. Por que é mesmo que doença se propaga mais facilmente onde não há higiene? Oh, Senhor, que onde houver ignorância alguém chegue com o conhecimento. Uma agulha de costura, um bilhão de novos germes indianos, uma vacina anti-tetânica vencida e a arrogância de quem já se pensa sabida.

Essa história sobre a habilidade de lamber as próprias feridas já rondava a minha cabeça desde os tempos de Austrália. Isso que lá as feridas eram internas, ninguém podia ver, só eu é que, contrariada, precisava sentir. No auge das minhas tristezas a areia branca e limpa de Surfers Paradise me ofereceu conforto e espaço. Caminhadas intermináveis pela costa maravilhosa da Gold Coast remediaram feridas internas. Eu pensava, “é assim mesmo que deve ser. Quem quiser vencer, crescer, precisa lamber as suas próprias feridas”. Eu lembro que cheguei a pensar nos bichinhos – não no puddlle mimado que você e eu levamos no veterinário – que sempre sozinhos roçam seu fuço, a lingua, a pata ou o bico até que o machucado cicatrize ou, de alguma forma, ao menos não os vitimize. Eu chorei, esperneei, liguei, pedi, rezei. Mas não adiantava implorar, era hora de se conscientizar e se curar. Devia ser o meu desafio maior, eu pensei. … Hã! …Só até quando uma infecção eu pudesse criar.

Agora é fato, tá aí registrado, todo mundo pode ver. O que antes eu podia fazer de conta que dava um jeito sozinha, agora não tem disfarce a não ser pura cicatrização. Por onde eu passo qualquer um pode saber. Nem tem como eu tentar me esconder; dói, fede, piora. É carne, pedaço do corpo. Se eu deixar para depois pode ser tarde. Sim eu sei, quem disse que sentimento a gente pode ignorar?! Mas a gente foi adestrado assim e vai saber o que foi que em outras formas eu reneguei que agora, sem chorumelas, eu manifestei?!

O que passou já nos fez mais fortes e o que há é o que nos desafia, nos amedrontra diante da possibilidade do fracasso. Parece puro fiasco, mas as vezes eu choro jurando que não vou mais aguentar. Chega a ser engraçado, como pode uma infecção na ponta do dedo doer tanto!? E diferente de antes quando meu coração lamentava a solidão, agora dói o meu Plexo, a dor do meu ego que já se acreditava acima de qualquer punição ou sofrimento. Agora não é nem mais questão de ter ou não um bom companheiro.

Então, mais uma vez chega a hora de dar o braço a torcer e ver que nesse mundo o que a gente deseja não tem vez. Ao contrário, o próprio ato de desejar só faz acordar processos inevitáveis de purificação. É exatamente quando se pensa sabedor de uma Verdade que tudo que lhe é oposição toma forma-pensamento para que o próprio conceito se materialize. Ser capaz de sentir na carne é a grande diferenção entre os teóricos filósofos e os guerreiros. Então, para quem quer crescer não existe senão; seja você quem for, viver (até mesmo em um ashram) dói e não há nada que se possa fazer.

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It is 2009, I am 27 years old and I am in India. Among all the things I dare to dream about, India had never been in my plans. I am even quite not sure when India stopped being just a place far away from Brazil where Europeans got their spices and clothes from during 15th century. It is cold season in Maharastra, central west of India, and I have being happy in such a beautiful way as I could never imagine. It turned out that life is not just surprisingly unexpected in movies or fairy tales. Turned out it was part of my destiny be here and now in a sequence of events, allowing myself to be carried down the river by its flow to experience, above all, myself. Which brings back the main puzzle of life; who am I? What could I say that made me become who and how I am? What builds up one’s identity?

I was given tools to go either ways in life. I grew up in a supportive family though in a very closed-mind society. I was raised full of love tough also by its harsh ways of presenting itself eventually. I reckon I was a Vata by nature; I would change my mind about further plans quickly mainly if it meant exchanging the uncertain possibility of the future by the true chance of happiness in the very present moment. I would build up this amazing idea about my newest true desire of becoming a doctor even though a couldn’t handle to see a little wound or about becoming a top model when I have been always the shortest in class and not something you could call skinny. But in my mind, I needed to be tortured by some impossible plan just to be thrown away by my simplest sure way of realization; being alive.

Happiness was always there for me although I couldn’t see it. I was too busy listening to the one in me who said I couldn’t. The true is that my real heart-wishes always came true. Growing up without this particular awareness was the major cause of my grief. Such a shame. Now it is clear; thousands of little choices took me down and up by the most difficult way. More than anything, even more than independence, love and freedom, I wanted an uncontested proof of the simplicity of my existence which could ran over my ego establishing peace. I fought, I struggled, I almost went crazy. I tried on many different ways till I found myself as this bliss point of energy in a memory.

I was 10 years old and had spent the week away from home at my cousin’s place. It was Sunday and we all; cousins, aunties, uncles, grandma, brothers, sisters, niece, nephews, dogs, cats, parrots, dolls, games, favorite toys met at my grammy’s home. I ran to see my dad and mom. I missed them so much. They were picking up things from the boot of the car. An aunty mentioned something before, something about a gift. My dad had a gift for me, apparently a big surprise. I hugged them. I could feel my dad was happy because he was about to make me very happy. Just from feeling his happiness, just from tuning with the particular joy that rises from one’s giving love attitude, I knew; it was my horse. I asked: “Dad, do you have a surprise for me?”, “is it a horse?” First he was laughing, then suddenly speechless. My dad assumed that my aunty had chatted and told me. He couldn’t believe I felt what the surprise was, that I felt he was about to turned into real a beautiful, magic, almost secret, dream.

This memory came to me during my 7th day of silence in Vipassana meditation. After days handling traces of pain in my body, waste of years of indulgency, of ignorance, denying my beauty, my value, my existence through my body, finally tears of happiness rolled down my cheeks. Remember the feeling of riding that horse on my weekends, of being with my dad, my friends, my cousins, my sister. The amount of laughs, the atmosphere of adventure. I was so blessed naturally and didn’t know. My horse’s name was Pitiça which in Portuguese means a smaller horse, a horse with short legs. My horse wasn’t a “pure blood-something”, it was the one that my dad could afford and during a certain time made happy enough. But freedom is like this, when it comes from an outside source, eventually you will ask for more; you are not your own provider, a sign of how far you are from freedom indeed. My horse, my Pitiça was not able to run, run like my dream’s horse. Also, my Pitiça would represent some danger considering her unexpected movements used to show her moody temperament, her wild spirit. Looking back now, I assume that we both just felt the same: she had short legs, I didn’t have wings, she would eventually allow someone to climb on her back for an easy ride, I would never. I don’t remember how it all happened, how Pitiça just disappeared, how my life just kept going without her. Perhaps we knew she could never take me where I wanted; her legs were too short, we were too similar.

A very beautiful part of me just went away. Not away as gone forever. A part of me just went on her own journey for her own challenges, to receive the joy from her own natural effort of living. I am not sad as if a piece had been taken from me. I am happy as only one can be when aware of its every part in every way.

When I first met XiangLyng I assumed she didn’t like me at all. Days went by at the Ashram where we were living and suddenly I thought we were put together by destiny because I was suppose to help her. It all happened out of a sudden and for someone I had the feeling didn’t like me, basically because of her short words, I assumed it was clear; I wanted to proof my purpose of life and she was searching for a new one. As life always turn out to surprise those who dare to assume things too early, at the end I was the one who needed help and XiangLyng, more than I could ever imagine, was there for me.

Usually, friendship arises from similarities. From liking the very same thing that the other also likes, planning leisure time that suit both in a pleasant and easy way, events flow, life runs through. XiangLyng and I had very few things in common. She is a Singapore woman and despite of both having the same bachelor degree and we both were volunteering in the same Ashram there is not too much left. Even the challenges we were facing were completely different. We were part of the same whole searching for the utter half inside ourselves so we could go on with our lives as one.

The saying that a friend is the one that listens patiently made sense in the very core of the meaning. Of course I had many beautiful important friends so far. I am not making less of any of them, but for the first time I needed a patient listener friend as I find difficult to be for myself so it happened I had the most perfect one in her. As I see things now, it is hard to be this kind of friend when you don’t share the same ideas, the same background, the same miseries. I reckon it is not that hard to listen and be sympathetic to someone when it comes to share ordinary miseries. Misery makes sense always and it is a very powerful east for a friendship. “Braces get tidier and tidier. Eventually even the dependence feeling arises so we promise to carry the friendship for our whole live as we do with our miseries. XiangLyng and I shared a whole new world. I can tell about myself, I will never be the same again. I will always carry with me the realizations that I had during the time we spend together. It is not that I couldn’t know it without her, but, very likely, it would have taken longer. Ideas and insights can get really confused and having some patient listener beside you is what you need to put diffuse thoughts down in words, face the right questions as running over the bullshit that arises inside your head to prevent you to reach the final goal, and then… PLIM, the magic bright light bulb is on. No wonder why she was the Brain…

Even though we all search for the same, the search itself happen in so many different ways making it more of a beautiful excuse to live. As beautiful as a friendship that is not based in similarities and miseries. We all are in different stages, we all have different backgrounds which makes sometimes very hard to understand why someone is still stuck in that. Why someone cannot see what we see. This very simple detail can put people miles apart from each other mainly because it becomes a fertile space for judgment. Don’t tell me it is not true. We do judge, we consider other less very easily if we are not paying attention on the whole part of the other that includes also ourselves.

I have as a habit never escape from my growing process. Sometimes I am braver, sometimes more or less cleaver, it can take short or longer periods. I don’t even escape of falling into escaping once and again. But one thing is sure, I am there. And this time I was so there that I was also XianLyng myself. She didn’t judge me at all. She kept listening to me, discretely being there in case I needed as I could had never done better – first off all because she is the master of discretion and we know I am not. So this time was no different. We both had the perfect ingredients; time, patience and the will of growing, of putting as much parts of us together as possible so life could be enjoyed at the most. And we did.

Just to finish the story as the adventure it couldn’t be predicted, XianLyng and I spent our New Year in as many ways it was possible. According to her “fuso” we were doing our own things separately, as individuals. According to Indian “fuso” we were together at home peacefully sleeping, following our previous timetable of keeping a very much healthy routine, sleeping and waking up early. And we also celebrate the Brasilian one laughing together at the side effects of an emergency consultation. – Xianlyng, you see! Of course there is a meaning t behind a bug going inside my year! We were together helping each other as in the way it all began. We both had our very own strengths and needs, we both had some virtue to share as some help to get. We both together were life reinsuring as just a true friendship can be.

Just now XianLyng left. She didn’t actually went away as I said in the beginning. I didn’t feel even sad in saying good bye. She just kept on going her way as I keep on my. I can see she goes stronger as I feel stronger. We said to each other: “we will see each other again”. It might be true, but ,if not, that is “O K” because we are together with the parts we help finding in each other and there is nothing more someone can ask for. I wish XianLyng the best journey ever in the same way and in the same amount as I wish for myself. True friendship never dies because exists within.

>>In time: just before XianLyng left I told her that having an ear infection would be a perfect excuse to stick to my personal believing as being with her had inspired me to do so far. The funniest part is that as soon as she left I felt strong enough to dismiss any excuse at all. XianLyng went on her way leaving behind my ability to stand up for myself. >>

Goa could never be the same without XiangLyng as life cannot flourish without friendship! 2010 already began differently and I propose a toast: to friendship, its reasons and its means! To a better life as just friendship can afford to make! To friendship as the very only beautiful way of life!

Seja Bem-Vindo 2010!

Fica difícil de explicar. Só agora chegou o momento em que eu mesma pudesse entender. E parte de mim está de boca-aberta ao ver que tudo sempre esteve lá-aqui. É como uma grande admiração pela curta distância que nunca de fato buscou nos separar da Verdade. Acontece que é real; a caminhada é individual e tudo mais ao nosso redor não passa de sinais, setas indicando o caminho para a construção da experiência pessoal na descoberta de Deus.

Daqui, do Segundo dia de 2010, parte de mim é o desejo de facilitar, de tornar óbvio aos olhos de quem quiser ver, é a minha vontade de gritar, de te ensurdecer com a desilusão. A vontade não parte dos meus punhos, pois não seria o caso de quebrar o muro com as minhas próprias mãos uma vez que, agora eu sei, muro não há. É a vontade de por abaixo seja o que for que ainda nos separe; muros, mares ou sentimentos – meros resultados da nossa própria doce e ludibriante ilusão. Outra parte de mim é redobrar as forças no trabalho da consciência e da vitória triunfante do Amor.

Eu celebro agora a desilusão! Eu sou a felicidade em receber o próprio sentido inesperado da palavra (des)ilusão. Eu comemoro a descoberta de um novo mundo, quando uma  mesma palavra traz o sentindo oposto do que se sabia, do que eu pensei que fosse sempre ser. E da desilusão que eu conhecia, daquela que nos deixa sozinhos, da que nos coloca diante do abismo, eu me reconstruo com seu oposto, com a desilusão que revela, aquela traz escondida, sutilmente germinada, a essência da Verdade. O que só se revela quando o outro parte. O yin que só pode ser na não-presença do yang. A desilusão que completa ao invés de faltar. A desilusão que salva ao invés de nos fazer naufragar. A desilusão como o mais positivo fim da ilusão, como só pode ser a manifestação de tudo aquilo que é, então, real.

2010 é pra mim uma grande, linda e preciosa desilusão que não seria possível sem muitas pessoas, muitos amigos, irmãos de Luz, colegas de trabalho no serviço do Amor. A desilusão que 2010 traz é Divina e me inspira a ir ainda mais longe, por nós, pela Terra, pela Divindade que nos habita e quer se manifestar. A divindade óbvia, escancarada, verdadeiramente proclamada. A chegada de 2010 é o espaço ocupado pelo novo que só se faz possível pelas ilusões que se desfazem, pela verdade que se mostra um tanto e um pouco mais. 2010 é a nossa capacidade de se desapegar, causa e efeito, 2010 é tudo o que finalmente permitimos, é o fim de tudo  que encerramos, é o começo de todo o novo com que nos deparamos.

Comemoro agora a desilusão como quem comemora a queda de que tudo o que é falso, o fim de tudo o que não representa amor e gratidão. A desilusão como prêmio, não de consolação, mas como o mais lindo sinal de evolução. 2010 é saber da conexão que nos une em uma única e intransferível missão. É o mais profundo reconhecimento de cada um de nós como irmãos, como partes de um Todo, um Todo que já é e pedia com urgência a nossa atenção como meio para sua manifestação.

Nós conseguimos, nós já chegamos lá. Mesmo que alguns de nós ainda não saibam, ainda estejam trabalhando para entender o que há por trás do nome, da forma, da cor. Mas a verdade é que todos já estamos lá. O “lá” é agora, sem mais senão, também “aqui”. Uns de nós estão se sentindo mais próximos do que outros, mais intimamente ligados pela gratidão em podermos testemunhar conscientes, por podermos contribuir, por podermos já ser Mais Um a Multiplicar. Nós que multiplicamos o amor em tantas diferentes formas, em tamanha intensidade que já não nos permitiu julgar ou condenar. Nós que já não nos damos ao luxo de nos deixar influenciar com as aparentes diferenças. A gratidão que nos une em laços ainda mais fortes de entendimento amoroso, aceitação incondicional, promovendo a unidade. Nós viemos soltos, perdidos, fragmentos da consciência Crística apenas orientados a se reconectar. E nós fizemos, mais uma vez, nós não fugimos ou nos assustamos. Nós, mais uma vez, nos unimos e por isso vencemos.

2010 é dharma! É o conjunto sendo beneficiado pela realização individual. É o divino resultado da comunhão entre nossos dons e nossa missão. É a consequência inevitável da superação dos desafios com a mais pura honestidade. O que fizemos é louvável mesmo que as vezes pareça controverso. Nós desafiamos juntos nossos próprios monstros de forma a trazer eles também à luz, desvendando assim, e ainda mais, a nossa coragem, o tamanho da nossa bravura. Nós batalhamos e realizamos e, por isso, agora nos sentimos mais inteiros. Agora somos também as partes perdidas, temidas de nós. Agora entendemos o Todo, porque transmutamos o medo de ser mera parte.

Mais do que ser o Todo, agora somos também o entendimento da caminhada que nos traz até aqui. Diante do poder de se (re)conectar à fonte é que podemos compreender porque é preciso purificar o ser atér que se revele o coração dos que se propõem a caminhar. Agora, diante de tão forte e ilimitado poder, podemos conceber o perigo a que estariamos sujeitos se não fosse assim. Agora, também pela nossa jornada somos gratos – e é isso que nos une – porque assim como nossas impurezas foram transmutadas fazendo prevalecer e Ser o coração, também sabemos que o Segredo está seguro. Não é mais uma questão de fé. A nossa fé nos trouxe até aqui. A partir de agora nós sabemos, testemunhamos com nossos olhos mais abertos, finalmente enxergamos: Aos puros de coração está reservado o direito de Encontrar, de Saber. Toda a caminhada só faz eliminar qualquer traço de vaidade, ganância, luxúria, medo. Qualquer que seja o traço de não-Sentimento. É a caminhada como destruição de tudo o que não é Essência, é a certeza de que a Verdade estará sempre em boas mãos. É a mais criativa forma de assegurar e nos provar que no final nada prevalece mais do que o Bem. O bem que agora nós já somos.

Pra mim 2010 é ano sem pronome. Daqui da Terra de Shiva eu recebo 2010 como ano adverbial; é modo, é meio. 2010 é até mesmo atemporal. Não é o que há no meio, 2010 é o Todo, é o que havia como que por detrás. É o que sempre existiu. 2010 é o que se pensava escondido e precisava de um pouco mais do Todo para re revelar. 2010 é nós despidos, destemidos. 2010 não é mais uma batalha. 2010 já é vitória. 2010 não tem nem mesmo nome, 2010 É Em nome De.

Grata por poder falar daqui, daqui deste ponto onde o mundo é tão imensamente mais bonito e certa de que estamos sempre juntos, com amor. Em nome da presença Eu Sou, Amém.


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