Nandadornelles's Blog

Archive for December 2009

Todo ano, entre os dias 25 e 31 de dezembro eu páro tudo para escrever uma carta aos Mestres. Mais do que fazer pedidos para o ano que se aproxima, eu me dedico a esse ritual que transcende promessas de ano novo e se baseia em sinceros propósitos, guias para o ano que se aproxima . A verade é que tudo começou ainda um tanto assim: abençõa Fulano, Beltrano e Ciclano e me ajuda a praticar yoga todos os dias, não comer chocolate, emagrecer, não brigar com o pai e a mãe, sair do vermelho, etc. E agora, lendo a carta deste ano, eu me dei conta que porque eu mudei o conteúdo da carta tambem mudou, assim como, a certeza de que serei atendida do jeito mais avesso só aumentou.

O ritual é muito simples. Papel e caneta, concentra, traz à tona os mais profundos e verdadeiros sentimentos e deixa a palavra tomar forma. Depois, crie um local “sagrado”, leia a sua carta em voz alta para os Mestres perfeitamente adereçados e, queimando-a, reitere suas intenções em forma de oração. Hoje pela manhã eu subi o “caminho da Cruz Milagrosa”e fiz o meu. Entre os agradecimentos chamava atenção; “por 2009, um ano lindamente difícil”. E não é que foi mesmo!

Dias desses eu falava com a minha irmã sobre como ao invés de nos desesperar deviamos celebrar o fato de as coisas não sairem como a gente quer. Hoje, toda vez que eu me deparo com uma situação que reacionalmente parece nao ter solução ou cabimento, eu agradeço. Pra mim, falta de lógica e até de aparente saída é um indício, uma forte suspeita de que Deus está por trás de tudo isso e é só uma questão de tempo para que se manifeste. Se o mundo acontecesse de acordo com a nossa mundana capacidade, seria tão chato não?!

Então o meu desejo para o Seu, o Meu, o Nosso Ano Novo é de que ele seja imprevisível. Do fundo do meu coração quero que 2010 nos pegue contrariado, completamente despreparados. Que quando a gente achar que sabe de tudo e se sentindo bem seguro, venha a onda gigante e nos leve pro fundo, nos vire de cabeça pra baixo, nos deixe de pernas pro ar, sem fôlego, confuso, emocionado. Que o desafio venha sempre 10 vezes maior do que o esperado revelando o gigante que nos habita em silencio. Que o nosso tiro saia pela culatra nos permitindo pensar duas vezes, usar a criatividade, menos cabeça e mais coração. 2010 há de ser un amo novo onde e quando nada do que serviu até então possa mais; seja roupa, conselho ou fórmula para solução. Um ano novo requer pensamentos novos que só podem ser varridos com a força do temporal, com a fúria supreendente das tempestades internas e externas. 2010 é o plano furado e o espírito guerreiro faça chuva ou faça sol.

Pra mim 2010 vem assim: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia….” Se há de ser diferente vamos começar por nós mesmos. Vamos além do corte de cabelo. Que tal um dia de jejum, um dia sem o não-sei-o-que favorito, um dia dedicado ao pobre do mendigo. Nada vai mudar se não começar dentro de cada um de nós mesmos. Eu sei e todo mundo sabe, mas a gente faz de conta que muda fazendo de conta que pensa que mudar é fazer o possível dentro da zona de conforto, ou pior, que tem a ver com a decoração, a sala ou o fogão. Mudar é inverter, é desafiar, é ver para crer. É yin e yan em movimento. É ir até  extremo e depois voltar, é dançar entre tudo o que pode ser sem se apegar, é não se iludir e sempre se reinventar.

Ontem eu sonhei com a minha festa de Ano Novo. Era todo mundo reunindo num salão comemorando a mundança. Eu quase nem podia acreditar. No meu sonho, tinha gente reunida que na vida real nem se fala, aqueles que quando se veem viram a cara. Mas no meu sonho todos estavam felizes e dentre todas as diferenças uma felicidade os unia; a celebração da mudança. A mudança era também a minha viagem, uma ida para algum lugar de onde não se podia voltar. Todos estavam felizes e todos me davam forças para seguir em frente, não desanimar. O que é que a gente faz nessa vida senão se preparar para partir, para se desmaterializar?

2010 pode ser o ano da realização se você deixar. Se você se desapegar de todas as desculpas que te impedem de ser feliz, de qualquer balela que te prende ao mesmo emprego ou ao mesmo dito cujo corte de cabelo, isso para não mencionar aquele capenga relacionamento. 2010 há de ser o ano do indivíduo. Que tudo nasça senão com o objetivo de celebração e para isso – parece fácil – é preciso se construir só, lindo e inteiro. Não adianta pedir ajuda para se realizar, mudar, tranformar se seguimos amparados na mesma bengala. Não adianta pedir um amor, um companheiro. Agora é a hora de pedir para se fazer inteiro e depois compartilhar com o par ou com os amigos. Você vai ver, no fim, não vai nem precisar. Vamos olhar para o caminho e diminuir a ansiedade em chegar. Vamos ser felizes com o que já é sem deixar de sonhar, sem deixar de mudar. Vamos abrir mão de tantos senãos e nos entregar. A realização é o próximo passo e, adivinha, nós somos os únicos com poder e força para nos transformar e nos curar; sinônimo basico de vida, de mudança. Não adianta questionar e, por via das dúvidas, buscar o melhor especialista para consultar. Só vale o que vem de dentro se você quiser de verdade mudar.

Já dizia a Rede Globo: “Invente, Tente, Faça um Ano Novo Diferente”.

Daqui, da Praia de Anjuna, Goa, Bardez, India, Eu Nos desejo um Feliz Avesso Ano Novo!!!!! Que 2010 seja de fazer cair os butiás do bolso!!! Amém!

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Eu sei que a beleza está nos olhos de quem vê. Exatamente isto é que me faz questionar se o que vejo e relato é verdade ou são apenas meus olhos. Acontece que eu não gosto de GOA.

Não me entenda mal, é claro que eu estou tendo experiências maravilhosas, mas, definitivamente não por causa de GOA. Claro que nossas vivencias são melhores e / ou piores considerando onde, quando e com quem estamos. GOA é um lugar lindo porque estou trabalhando exaustivamente em mim mesma através de minhas companheiras de viagem e das situações que enfrentamos juntas… quanto a GOA… hmmm… not that sure.

Deixa eu primeiro dizer: é claro que vale a pena conhecer GOA, principalmente se você já está viajando pela Índia. Mas, pessoal, a gente é muito mal acostumado! Até o pessoal do Sul, Capão da Canoa, Xangri-lá, se dá pra contar com Floripa, Garopaba, Bombinhas, então, aí, nem se fala. As nossas praias Brasileiras são lindas, algumas já sujinhas, umas de água muito fria ou agitada, outras muito lotadas, mas em geral, a costa Brasileira é de dar água na boca e eu não estou nem sugerindo Fernando de Noronha ou Porto de Galinhas. Então, se nós, humildes Brasileiros caímos de para-quedas em Goa, na Praia de Anjuna ou Vagator, Meu Deus, Alá, Shiva, Krishna e, Jesus Cristo, é claro – não da pra esquecer que aqui eles são católicos – chamem todas as deidades pra me explicar o que eu estou fazendo aqui.

Ok, se você está com saudade da liberdade indescritível de usar blusa de alcinha e shorts – como eu estava –  bem, sim, Goa é o paraíso. Uma liberdade capenga que não tarda a ser questionada assim que você começa a sentir o peso do olhar faminto dos indianos. Goa tem praia sim, e mais para o norte as praias de Arambol, Mandrem, Morjim e Asvem dão pistas do porquê da fama de “bela”. Mas, ainda assim, água limpa e cristalina não estão entre os adjetivos. Olhando de longe até parece coisa bem querida; as vaquinhas tomando banho de sol, brincando nos corais, os cachorros convivendo livre e harmoniosamente com os bichinhos do mar. Mas aí, tudo tem dois lados e a sujeira é um dos lados bem visíveis das praias de GOA. Como cheiro e mosca não aparece na foto, dá até pra disfarçar porque é bem verdade e muito importante mencionar, o pôr do Sol no mar é lindo e não tem preço  – para todo o resto, haja Mastercard!

Como tudo é uma questão de juntar a fome com a vontade de comer para tudo ficar lindo e colorido, se você busca liberdade a preço baixo, Anjuna é uma ótima opção. Mas não venha sem saber que Goa tem a parte “ruim” da Índia e mais uma parte “ruim” que o resto da Índia não tem. Posso dizer de Baga, Anjuna e Vagator, praias bonitas, sim, mas que juntam a sujeira e o caos amigavelmente básico da Índia com a liberdade, tanto para oferta quanto para procura, de festas, drogas – muitas e todas as drogas – e rock’n’roll. >> Só para elucidar o caso. Três dias atrás liga a minha amiga, flatmate e companheira de viagem, Jessica,  ainda muito cedo da manhã. Ela estava dormindo na casa do namorado e uma “vizinha”surgiu do nada precisando de ajuda e ela queria saber se podia convidar a menina para ficar conosco em nossa casa até ela se acalamar e se organizar. Aprendendo a confiar e entender cada vez mais minhas intuições, eu não recebi uma imagem muito positiva enquanto Jéssica me contava a estória. Uma menina, 17 anos, a mãe voltou para a Espanha deixando pouco dinheiro que na noite anterior três rapazes roubaram quando invadiram o quarto do hotel onde ela dormia e a estupraram. Segundo Jessica, ela tinha marcas de “luta” por todo o corpo e as 3 da manhã, quando bateu na porta da minha amiga procurando por ajuda, estava em estado de choque. Eu nem precisava ouvir a estória até o final; a menina não era bem-vinda mesmo sabendo que uma parte de mim se realizaria em ajudar qualquer que fosse o necessitado ainda mais uma menina que sofreu abuso sexual. Acontece que a visão que eu estava recebendo não batia com a estória e só foi preciso mais umas horas até que Jessica voltasse pra casa sem a menina e contado a parte descabida que faltava na tentative de golpe baixo. No mesmo dia o gerente de um dos bares chamou a polícia assim que viu a a tal da moça circulando por lá que, segundo ele, andava sob o efeito de drogas constantemente causando tumulto e confusão. Como na noite anterior quando ela convidou três rapazes para acompanhá-la até o seu quarto de hotel para compartilhar momentos mágicos e nada silenciosos.

Desconsiderando alguns imprevistos um tanto inusitados para a concepção geral de Índia, Goa tem bons restaurantes e oferece, em larga escala, cardápio western; padaria alemã, restaurante italiano, café da manhã ingles, sucos naturais, todo o tipo de carne (medo!! ainda estamos na Índia, lembra?!), ovos de todas as maneiras e, sim, até Dominos Pizza Delivery, por que não?! Em geral, refeições básicas; Lassi, naan e palak paneer não custam mais do que $5, um mes de aluguel por menos de $90 e scooters por $4 a diária. É claro, pagando tão pouco não dá pra exigir aqueeele serviço e muito menos questionar para onde vai o dinheiro dos impostos que não para a melhoria das estradas… mas, não se pode ter tudo, não é!?

Falando em alugar uma casa, a minha tem de tudo. De repente, não o tudo que você está supondo, mas, é verdade eu não passo necessidade. Quase sempre tem água e luz – e se falta é por pouco tempo, então, tá tudo bem – tem cozinha com pia, fogareiro e frigobar, tem banheiro com chuveiro – claro que não elétrico nem a gás, né, lembra estamos felizes porque tem água encanada. Tem três quartos com nada mais do que janelas e camas – Indian style; madeira e colchonete – uma sala enorme e vazia perfeita para a prática de yoga e uma varanda agradável localizada estrategicamente ao lado do caminho utilizado pelos bachs de cabritos, porcos, galos e galinhas, vacas, gatos e, chachorros é claro, na ida e na vinda do pasto diário. Eu nunca podia imaginar tanta diversão sem sair de casa. Eu abro a porta dos fundos para dar o lixo organico de comer para os porquinhos e, quem diria, eles já estão ali me esperando, uns dormem, estirados aguardam pacientemente sem perceber que quase me matam do coração com a sua delicada e nada perfumada presença.

Graças a Deus, eu peguei uma micose no meu segundo dia de praia o que me impediu de voltar para a beira do mar. Anjuna para mim é conhecer os lugares, como o Jai Ganesh juices em Chapora, assistir o pôr do Sol ao mesmo tempo em que mato a saudade da família e dos amigos pelo Skype diretamente do restaurante Avalon ao som das ondas do mar na costa rochosa tomando meu Sweet Lassi. Goa é a espera pelo dia 5th de janeiro para assistir o show de Prem Joshua em Vagator. Enquanto isso, muita leitura, terapia de grupo, yoga, meditaçao e crescimento, afinal, estamos aqui pra isso e não é uma expectativa(zinha) frustrada que vai me desanimar.


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