Posted by: NandaDornelles on: May 2, 2011
Véspera de páscoa. As datas comemorativas têm passado rapidamente, parecem estar cada vez mais próximas. Ontem foi Ano Novo e entre então e agora existe a chegada da Laura.
O amor quando vem, vem inteiro, todo, em todas as suas formas e versões. Tudo começa com um característico tipo de amor conhecido como paixão. Aquele grande ponto de interrogação que não nos deixa mais seguir a diante em paz, sem sentir calafrios ao se perguntar: o que será que tem lá?
Seja por curiosidade ou genuíno interesse, esse ‘querer saber’ é o que faz o ser humano crescer. Tudo o que é feito antes disto, como, por exemplo, por vaidade ou por impulso, é apenas uma preparação para o enfrentamento da grande questão.
Vida é o que fazemos, o que sentimos, e, principalmente, o que descobrimos durante estes mergulhos no mar do amor. Estamos vivos quando estamos atentos, dedicados, inteiros correndo por maiores entendimentos, juntando pedaços de nós mesmos em busca de superação. O ser humano sempre foi desafiado pelo ponto de interrogação. Foi ele que nos levou mais longe, que nos colocou no rabo de um foguete, que nos permite comunicar com quem está distante e passar pelo inverno sem ficar doente. O ponto-símbolo da indagação é um trampolim para algo melhor que já somos, é uma salto pro futuro, é um aperfeiçoar do exercício de ser / estar.
Mas, claro, esse não é um lugar fácil de chegar. E muito menos de estar. O questionamento leva-traz o desconhecido considerando que já estejamos preparados, que já somos um ser amadurecido. O despertar oficial do Deus adormecido. O Deus-Eu, uma fração poderosíssima do Supremo que rege o coletivo. Exatamente quando são concebidos nossos filhos.
Os filhos que vêm são de um novo amor. A resposta para um questão antiga: qual o significado da vida? A resposta veio em frações, em pequenas porções de um amor menos transgredido, um amor menos preso à convenções, o exercício de um sentimento de aceitação do próximo e de si mesmo como expressão do que há de mais bonito. Os filhos de agora não vêm como consequência do amor livre ou da rebeldia, agora, ao menos uma grande maioria, já vêm como expressão do amor-aceitação, do amor-perdão, a entrega maior possível de alguém a si mesmo, ao que se é e ao que se foi, seu igual ou sua ilusória oposição. Agora, nesta Era, o desafio está no transcender das aparências e no ancoramento do amor incondicional como última peça de um quebra-cabeça-resposta ao ponto de interrogação inicial. Nada pode ser mais forte do que o nos une como iguais mesmo quando o externo parece oposto e o interno, algo subjetivo demais para ser alcançado apenas com meditação. Pode ser difícil o exercício de olhar, mas tão logo nos permitimos parar, o que vemos em nosso interior é semelhança e simplicidade: não há nada além de energia divina e um infinito potencial de co-criação.
Se antes as duplas eram feitas pela semelhança, agora elas tendem a pequenas diferenças harmonizadas por todo caminho de convergência já percorrido. Não por uma ironia do destino, mas porque chegou o tempo em que pouco , muito pouco nos separa e todos queremos crescer e aprender e fazer parte do que está por vir. A semelhança está na intenção, no anseio das mudanças que ainda faltam. Todo o pouco que ainda falta é concretizado pela esperança de ver quem está ao nosso lado motivado, oferecendo o seu melhor, focado exatamente no que nos faz únicos, ancorados em nossas forças para elas sejam também do outro quando ele precisar.
O equilíbrio deste momento ‘por-vir’ acontece no estado que gera nossos filhos. O amor-entrega presente no ato é que move, que rege da maneira certa, sendo esta não uma simples convenção mas, sim, a que gera o movimento mais produtivo na direção de um mais edificado indivíduo. É a certeza de que nenhum ato foi sem-consciência e que diante de tanta vigilância dos quereres de tudo o que não é essência, só pode que nossos atos não são mais tão somente nossos. Nossos movimentos são parte de um Deus interior sendo ouvido e tendo sua parte do maior Plano Divino sendo seguido através do exercício de cada indivíduo. Agora termina de mudar a função de estar vivo e é assim que geramos nossos filhos.
Viver é um presente concedido a quem está preparado para ver a grandeza de cada Ser mesmo que isso nos cause ainda algum sofrimento ou resquício de dor. Despertar ao amanhecer é ter a chance de reconhecer que somos um escolhido, que a nós foi concebido o direito de continuar, que alguém nos considera relevante, que nossa contribuição pode ser importante, fundamental para o movimento que há de englobar tudo em amor. Só é preciso uma quebra de paradigma, uma respiração, um sorriso, um pedido de perdão para que tudo que não seja perfeição seja transmutado em nossos corações. Pode parecer ainda difícil, mas assim viverão os nossos filhos, em plena expressão de seu Deus-Amor como resposta ao mais lindo ponto de interrogação: qual é, afinal, a nossa missão?