Nandadornelles's Blog

Receita de dia bom

Posted by: NandaDornelles on: March 17, 2010

Como é que pode, né!? Têm coisas que a gente faz insipirado em algo mais. Às vezes uma receita, uma descoberta, um patuá, um requiem. A inspiração pode ser um lugar onde se quer chegar, ou um alguém que não cansamos de esperar.

Eu amo os meus pais. Principalmente depois que cresci, depois que uns desafios pessoais eu venci. Foi quando eles se tornaram mais do que família: o prazer e a felicidade de caminhar, curtir a vida ao lado de uma boa companhia. Ter estado com eles esses dias entre o meu retorno e meu oficial recomeço foi fundamental. Não só eu pude relaxar e me reorganizar, como pude aplicar os conhecimentos gerais e habilidades vitais que adquiri enquanto estive fora. Viajar é uma arte, até muito simples se comparada à flexibilidade necessária de quem pensa em voltar. E foi pensando em devolver tanto amor e carinho que cozinhar deixou de ser apenas uma opção de lazer para ser uma nutritiva versão de sincera retribuição.

Primeiro foi o Bolo de Arroz Apaixonado. Feito de massa de arroz, o bolo ficou tão leve que de foi consumido muito mais do que o esperado. Exatamente como paixão, o pessoal se jogou de cara, não quis saber do depois. E foi o espinafre que não deixou por menos, fortalecendo quem se entregou sem medo. Depois dos arroubos do primeiro momento, chega a hora do prato principal, Risoto de Tomate Arromantizado, romance, o amor em doses suaves unindo os grãos de um arroz tailandês aromatizado. Se bem que a idéia de prato principal se perdeu entre o número exagerado de pratos complementares o que não diminuiu sua importância já que é uma arte sabê-lo divino mesmo quando mero coadjuvante.

Mas o mais engraçado é pensar como alguém que não está do nosso lado pode influenciar tanto no resultado do que já é pura manifestação de afeto. O legítimo ingrediente encantado. Eu já estava sendo movida por um sentimento mais elevado. Ver a minha mãe saindo toda arrumada e bonita para a faculdade sem que precisasse se preocupar em estar até o último momento na cozinha foi satisfação dobrada; um tanto pelo meu gesto da oferta, outro tanto pela sua sua boa-vontade+habilidade em receber. Isso sem falar na felicidade ao vê-la comer! Meu pai, que geralmente é discreto ao dar o seu parecer sobre comida, não economizou na quantidade de sentimento – devia ser o seu coração transbordando, afinal estavam envolvidos boca, paladar e estômago, a mais pura declaração de amor – e falou de boca cheia; “Gostoso, muito gostoso”. Ao final do almoço, meus progenitores queridos estavam mais do que alimentados, sabiam-se entre meus amigos preferidos.

Minha mãe nem questionou porque acompanhou a elaboração de um almoço que fluia conforme o que eu sentia. Meu pai perguntou sobre a receita, desvendando os sabores queria relacionar os ingredientes. Difícil para mim lembrar de tantos “isso”e “aquilo” que no fim só serviram como meio. Eu não me preocupo muito com a cara, a quantidade, a natureza básica do que vai parar dentro da panela. Na cozinha eu ajo como na vida, doses mal-calculadas de insitinto e impulso transformam meus sonhos em realidade. Ainda mais agora que eu não tenho mais medo de errar ou me perder, eu sou instrumento para um gostoso fluxo de viver que só quer caminhar rumo ao mágico poder dos relacionamentos,  a comecar pela delícia do auto-conhecimento.

E, claro, que uma grande obra não se pode realizar sozinho. Em nossos melhores momentos somos a fusão de uns amigos, amores e vizinhos. Hoje a presença-inferência era meu amigo Paulo. Alguém para quem eu posso simplesmente ser, uma existência que dispensa receita de bem-querer. Amá-lo é muito fácil, faz parte do meu viver e os ingredientes são qualquer e tudo entre eu e você. Se ele estivesse em pessoa ao meu lado, teria se horrorizado com a minha falta de senso estético na cozinha. Muito simples; é que eu não como com os olhos, eu lhe diria.

Eu comecei a cozinhar quando o dia raiou e, apesar de já não estarmos mais sentados ao redor da mesa, eu sei que só vou terminar quando no final do dia eu concordar em descansar, para o mundo dos sonhos eu me entregar e para, com o meu querido amigo Paulo, mais uma receita de amor elaborar. Se vai envolver comida, madeira, papel ou serigrafia… ah, quem pode saber?! Amanhã é outro dia!

Bolo de Arroz Apaixonado

INGREDIENTES:

  • 1 xic arroz
  • 1 copo Leite
  • ½ copo óleo
  • 1 col fermento
  • 4 ovos
  • Legumes e etc (tomate seco, espinafre e ricota)
  • Tempere a gosto (sal, pimenta etc)

MODO DE FAZER:

Cozinhar o arroz. Claro que eu já conzinhei o arroz todo temperadinho, com alho e pesto desidratado. Reserve (ou não resista à impaciência de ter o bolo pronto e use ele quente). No liquidificador, a massa; leite, ovos, óleo e o arroz cozido. Bate até ficar uma massa linda e homogênea, mais para firme doque para líquida. Misture o fermento.

Hora de soltar a imginação e buscar saber com o coração quais sabores servirão de consolação.  Vale tudo, só não vale poupar no carinho. Misture a massa com os ingredientes selecionados e leve ao forno pré-aquecido por uns 40 minutos. E, tchará, tá revelado seu amor mais genuíno.

Risoto de Tomate Arromantizado

INGREDIENTES:

  • Mateiga
  • Pimenta preta
  • 1 cebola roxa
  • 1 ½ xic arroz Tailandes
  • Tomates cereja
  • Manjericão
  • Parmesão

MODO DE FAZER:

Bom, eu não sei fazer de outro jeito, cozinho qualquer arroz assim. Pra ficar mais leve, exagero no tempo que antecede o cozimento. Refogo o arroz na panela, mesmo quando não tem nenhum acompanhamento, até dizer chega. Aí é que coloco a água e deixo ele quieto crescendo.

Então, no caso desse risoto, muito importante uma panela de barro aquecida sem pressa e com manteiga. Refoga a cebola picada bem pequeninha. Depois o arroz. Refoga, refoga, refoga. Deixa o grão do arroz aquecer, encher de ar, de uma versão etérica de amor transbordar. Deixa ele ficar leve, quase pronto para voar. Depois o tomate cereja. Muitos, quantos você quiser. Eu queria muitos, vermelhos traduziam a vibração de um nobre sentimento, revelevam o que era segredo ou exclusivo ao meu pessoal consentimento. Tempere, pimenta-preta moída, sal a gosto. Água. Deixa o arroz cozinhar e a macumba pegar. Desligue o fogo com o grão quase no ponto e deixe o calor da panela fazer o resto.

No final, só para garantir a felicidade; queijo parmesão ralado fininho, mais uns tomatinhos e folhas de manjericão. Sirva com amor, sorisso no rosto e calor no coração.

1 Response to "Receita de dia bom"

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Join 1 other follower

 

March 2010
M T W T F S S
« Jan   Apr »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  
Follow

Get every new post delivered to your Inbox.