Posted by: nandadornelles on: January 20, 2010
É sempre assim. Eu abro o Word certa de que vou escrever sobre um determinado assunto e quando eu me dou por conta – eu não exerço nenhum controle sobre isso – estou escrevendo algo completamente diferente. Exatamente como agora. Todo o tempo que me separou de estar de fato diante do documento em branco era ensaio de sintaxe, semântica e gramática sobre a aula dessa manhã; “Yoga na vida diária”. Mas ao que tudo indica isto será pano pra outra manga e as reflexões sobre a nossa eterna busca pela felicidade terá que esperar. Parece que agora eu devo refletir sobre o meu dedo, ou ainda, sobre o ego e o medo.
Agora quando escrevo uma paz imensa, quase completa, habita meu coração e tudo mais que há ao meu redor. Como em um círculo virtuoso a paz que existe em meu interior se manifesta no mundo exterior, assim como o mundo externo materializa e reflete a paz que já existe em mim. Ambas tomam forma naturalmente e se identificam. A paz flui, eu quase posso vê-la passar pela minha frente enquanto sentada sob o so tímido do frio que faz aos pés do Himalaia nessa época do ano. Na verdade eu poderia dizer que tudo em mim e ao meu redor é perfeição, exceto pela dor constante e latejante que parte do meu dedo indicador esquerdo; uma forte lembrança do meu ego, dos meus medos.
Ninguém sabe ao certo como isso começou. Até onde eu podia ver, estava tudo muito bem. Fortes samskaras estavam sendo removidos, a consciência era mais do que constante. Mas como a vida é assim mesmo, um processo mal termina o outro já começa. Dessa vez eu não tive tempo nem de pensar em comemorar. Um dia e uma noite de febre intensa limparam memórias velhas e vencidas de padrões negativos do meu corpo físico. Um novo dia nascia e minha alegria em sentir a energia da vida fluindo por cada uma das minhas células era contagiante. Doze horas de descanço foi tudo o que me foi permitido. Graças ao poder milagroso do esquecimento, a dor que antes parecia interminável e inexplicavelmente maior do que eu julgava merecer agora parecia tão pequena, coisa de principiante, e em nada me ajudou a segurar as lágrimas de quem nunca amou tanto um simples pedaço de dedo.
Foi assim, do nada, como nós, como todas as formas de vida, como tudo o que existe no Universo que a infecção começou. Toda energia negativa precisa ser transmutada e, para isso, nada melhor do que o ponto extreme oposto. Yin e Yang; é no auge de um que o outro se manifesta para, sem rodeios ou avisos, se exaurir em seu próprio exagero e então conceder espaço ao outro novamente, sempre e uma vez mais. Do nada para o tudo, do tudo para o nada, entre um e outro um mundo de vibrações nos conduz; prá lá, prá cá, yin e yang, prazer e dor, conflito e paz. Deus e falso eu.
Parece até mentira e depois a gente finge não saber porque é que os ciclos parecem não ter fim. Mais do que tudo, a gente custa a aprender. Quantas mill e uma versões das mesmas lições serão necessárias para vermos o mundo já como os pés sob o próximo degrau – um pouco mais acima na escada da vida rumo a Deus, rumo a tudo, um pouco menos perto do nada, da ignorância básica? A dor no meu dedo surgiu misteriosamente, assim como as anteriores que, minimamente deveriam ter me escolado. Mas parece que não adiantou de nada e a gente bate a cabeça até virar gato escaldado. A dor chega e a habilidade do observador de transmutar a energia oposta sabendo da Lei Absoluta da Impermanência escorre como água abaixo. Cadê a paz da senhora onisciência?! Assim, sem mais nem menos, meu dedo indicador esquerdo começou a doer e a inchar e, ingênua, sem nem mesmo questionar, tudo o que eu queria era daquele desprazer poder me livrar. Olha o apego. O ego e o medo. Sem disfarce, todos manifestos em um pedaço frágil de carne de um falso eu; só podia infeccionar.
Tudo o que a dor exibia era uma bolinha branca e um inchaço desproporcional. E pela sabedoria popular e irracional, em plena Índia, adivinha se as coisas não podiam piorar?! Uma bolinha branca e o desejo insistente por um pouco mais de paz. Deus havia recém sido descoberto, grande, único e inédito, majestoso chegando como mérito por tanta de dedicação, mais do que tudo, paciência, consciência e aceitação. Dois Ruppes custou a agulha que eu comprava certa de que era só uma questão de eliminar as evidências para, ao menos pelos próximos dois dias eu poderia optar por tomar uma cerveja e cair em qualquer que fosse a zoeira. Deus era meu convidado especial, eu queria sair e comemorar! Mas veja só, uma pessoa tão esclarecida nessa horas vira vítima e se prende na própria armadilha. Por que é mesmo que doença se propaga mais facilmente onde não há higiene? Oh, Senhor, que onde houver ignorância alguém chegue com o conhecimento. Uma agulha de costura, um bilhão de novos germes indianos, uma vacina anti-tetânica vencida e a arrogância de quem já se pensa sabida.
Essa história sobre a habilidade de lamber as próprias feridas já rondava a minha cabeça desde os tempos de Austrália. Isso que lá as feridas eram internas, ninguém podia ver, só eu é que, contrariada, precisava sentir. No auge das minhas tristezas a areia branca e limpa de Surfers Paradise me ofereceu conforto e espaço. Caminhadas intermináveis pela costa maravilhosa da Gold Coast remediaram feridas internas. Eu pensava, “é assim mesmo que deve ser. Quem quiser vencer, crescer, precisa lamber as suas próprias feridas”. Eu lembro que cheguei a pensar nos bichinhos – não no puddlle mimado que você e eu levamos no veterinário – que sempre sozinhos roçam seu fuço, a lingua, a pata ou o bico até que o machucado cicatrize ou, de alguma forma, ao menos não os vitimize. Eu chorei, esperneei, liguei, pedi, rezei. Mas não adiantava implorar, era hora de se conscientizar e se curar. Devia ser o meu desafio maior, eu pensei. … Hã! …Só até quando uma infecção eu pudesse criar.
Agora é fato, tá aí registrado, todo mundo pode ver. O que antes eu podia fazer de conta que dava um jeito sozinha, agora não tem disfarce a não ser pura cicatrização. Por onde eu passo qualquer um pode saber. Nem tem como eu tentar me esconder; dói, fede, piora. É carne, pedaço do corpo. Se eu deixar para depois pode ser tarde. Sim eu sei, quem disse que sentimento a gente pode ignorar?! Mas a gente foi adestrado assim e vai saber o que foi que em outras formas eu reneguei que agora, sem chorumelas, eu manifestei?!
O que passou já nos fez mais fortes e o que há é o que nos desafia, nos amedrontra diante da possibilidade do fracasso. Parece puro fiasco, mas as vezes eu choro jurando que não vou mais aguentar. Chega a ser engraçado, como pode uma infecção na ponta do dedo doer tanto!? E diferente de antes quando meu coração lamentava a solidão, agora dói o meu Plexo, a dor do meu ego que já se acreditava acima de qualquer punição ou sofrimento. Agora não é nem mais questão de ter ou não um bom companheiro.
Então, mais uma vez chega a hora de dar o braço a torcer e ver que nesse mundo o que a gente deseja não tem vez. Ao contrário, o próprio ato de desejar só faz acordar processos inevitáveis de purificação. É exatamente quando se pensa sabedor de uma Verdade que tudo que lhe é oposição toma forma-pensamento para que o próprio conceito se materialize. Ser capaz de sentir na carne é a grande diferenção entre os teóricos filósofos e os guerreiros. Então, para quem quer crescer não existe senão; seja você quem for, viver (até mesmo em um ashram) dói e não há nada que se possa fazer.
Posted by: nandadornelles on: January 17, 2010
It is 2009, I am 27 years old and I am in India. Among all the things I dare to dream about, India had never been in my plans. I am even quite not sure when India stopped being just a place far away from Brazil where Europeans got their spices and clothes from during 15th century. It is cold season in Maharastra, central west of India, and I have being happy in such a beautiful way as I could never imagine. It turned out that life is not just surprisingly unexpected in movies or fairy tales. Turned out it was part of my destiny be here and now in a sequence of events, allowing myself to be carried down the river by its flow to experience, above all, myself. Which brings back the main puzzle of life; who am I? What could I say that made me become who and how I am? What builds up one’s identity?
I was given tools to go either ways in life. I grew up in a supportive family though in a very closed-mind society. I was raised full of love tough also by its harsh ways of presenting itself eventually. I reckon I was a Vata by nature; I would change my mind about further plans quickly mainly if it meant exchanging the uncertain possibility of the future by the true chance of happiness in the very present moment. I would build up this amazing idea about my newest true desire of becoming a doctor even though a couldn’t handle to see a little wound or about becoming a top model when I have been always the shortest in class and not something you could call skinny. But in my mind, I needed to be tortured by some impossible plan just to be thrown away by my simplest sure way of realization; being alive.
Happiness was always there for me although I couldn’t see it. I was too busy listening to the one in me who said I couldn’t. The true is that my real heart-wishes always came true. Growing up without this particular awareness was the major cause of my grief. Such a shame. Now it is clear; thousands of little choices took me down and up by the most difficult way. More than anything, even more than independence, love and freedom, I wanted an uncontested proof of the simplicity of my existence which could ran over my ego establishing peace. I fought, I struggled, I almost went crazy. I tried on many different ways till I found myself as this bliss point of energy in a memory.
I was 10 years old and had spent the week away from home at my cousin’s place. It was Sunday and we all; cousins, aunties, uncles, grandma, brothers, sisters, niece, nephews, dogs, cats, parrots, dolls, games, favorite toys met at my grammy’s home. I ran to see my dad and mom. I missed them so much. They were picking up things from the boot of the car. An aunty mentioned something before, something about a gift. My dad had a gift for me, apparently a big surprise. I hugged them. I could feel my dad was happy because he was about to make me very happy. Just from feeling his happiness, just from tuning with the particular joy that rises from one’s giving love attitude, I knew; it was my horse. I asked: “Dad, do you have a surprise for me?”, “is it a horse?” First he was laughing, then suddenly speechless. My dad assumed that my aunty had chatted and told me. He couldn’t believe I felt what the surprise was, that I felt he was about to turned into real a beautiful, magic, almost secret, dream.
This memory came to me during my 7th day of silence in Vipassana meditation. After days handling traces of pain in my body, waste of years of indulgency, of ignorance, denying my beauty, my value, my existence through my body, finally tears of happiness rolled down my cheeks. Remember the feeling of riding that horse on my weekends, of being with my dad, my friends, my cousins, my sister. The amount of laughs, the atmosphere of adventure. I was so blessed naturally and didn’t know. My horse’s name was Pitiça which in Portuguese means a smaller horse, a horse with short legs. My horse wasn’t a “pure blood-something”, it was the one that my dad could afford and during a certain time made happy enough. But freedom is like this, when it comes from an outside source, eventually you will ask for more; you are not your own provider, a sign of how far you are from freedom indeed. My horse, my Pitiça was not able to run, run like my dream’s horse. Also, my Pitiça would represent some danger considering her unexpected movements used to show her moody temperament, her wild spirit. Looking back now, I assume that we both just felt the same: she had short legs, I didn’t have wings, she would eventually allow someone to climb on her back for an easy ride, I would never. I don’t remember how it all happened, how Pitiça just disappeared, how my life just kept going without her. Perhaps we knew she could never take me where I wanted; her legs were too short, we were too similar.
Posted by: nandadornelles on: January 2, 2010
A very beautiful part of me just went away. Not away as gone forever. A part of me just went on her own journey for her own challenges, to receive the joy from her own natural effort of living. I am not sad as if a piece had been taken from me. I am happy as only one can be when aware of its every part in every way.
When I first met XiangLyng I assumed she didn’t like me at all. Days went by at the Ashram where we were living and suddenly I thought we were put together by destiny because I was suppose to help her. It all happened out of a sudden and for someone I had the feeling didn’t like me, basically because of her short words, I assumed it was clear; I wanted to proof my purpose of life and she was searching for a new one. As life always turn out to surprise those who dare to assume things too early, at the end I was the one who needed help and XiangLyng, more than I could ever imagine, was there for me.
Usually, friendship arises from similarities. From liking the very same thing that the other also likes, planning leisure time that suit both in a pleasant and easy way, events flow, life runs through. XiangLyng and I had very few things in common. She is a Singapore woman and despite of both having the same bachelor degree and we both were volunteering in the same Ashram there is not too much left. Even the challenges we were facing were completely different. We were part of the same whole searching for the utter half inside ourselves so we could go on with our lives as one.
The saying that a friend is the one that listens patiently made sense in the very core of the meaning. Of course I had many beautiful important friends so far. I am not making less of any of them, but for the first time I needed a patient listener friend as I find difficult to be for myself so it happened I had the most perfect one in her. As I see things now, it is hard to be this kind of friend when you don’t share the same ideas, the same background, the same miseries. I reckon it is not that hard to listen and be sympathetic to someone when it comes to share ordinary miseries. Misery makes sense always and it is a very powerful east for a friendship. “Braces get tidier and tidier. Eventually even the dependence feeling arises so we promise to carry the friendship for our whole live as we do with our miseries. XiangLyng and I shared a whole new world. I can tell about myself, I will never be the same again. I will always carry with me the realizations that I had during the time we spend together. It is not that I couldn’t know it without her, but, very likely, it would have taken longer. Ideas and insights can get really confused and having some patient listener beside you is what you need to put diffuse thoughts down in words, face the right questions as running over the bullshit that arises inside your head to prevent you to reach the final goal, and then… PLIM, the magic bright light bulb is on. No wonder why she was the Brain…
Even though we all search for the same, the search itself happen in so many different ways making it more of a beautiful excuse to live. As beautiful as a friendship that is not based in similarities and miseries. We all are in different stages, we all have different backgrounds which makes sometimes very hard to understand why someone is still stuck in that. Why someone cannot see what we see. This very simple detail can put people miles apart from each other mainly because it becomes a fertile space for judgment. Don’t tell me it is not true. We do judge, we consider other less very easily if we are not paying attention on the whole part of the other that includes also ourselves.
I have as a habit never escape from my growing process. Sometimes I am braver, sometimes more or less cleaver, it can take short or longer periods. I don’t even escape of falling into escaping once and again. But one thing is sure, I am there. And this time I was so there that I was also XianLyng myself. She didn’t judge me at all. She kept listening to me, discretely being there in case I needed as I could had never done better – first off all because she is the master of discretion and we know I am not. So this time was no different. We both had the perfect ingredients; time, patience and the will of growing, of putting as much parts of us together as possible so life could be enjoyed at the most. And we did.
Just to finish the story as the adventure it couldn’t be predicted, XianLyng and I spent our New Year in as many ways it was possible. According to her “fuso” we were doing our own things separately, as individuals. According to Indian “fuso” we were together at home peacefully sleeping, following our previous timetable of keeping a very much healthy routine, sleeping and waking up early. And we also celebrate the Brasilian one laughing together at the side effects of an emergency consultation. – Xianlyng, you see! Of course there is a meaning t behind a bug going inside my year! We were together helping each other as in the way it all began. We both had our very own strengths and needs, we both had some virtue to share as some help to get. We both together were life reinsuring as just a true friendship can be.
Just now XianLyng left. She didn’t actually went away as I said in the beginning. I didn’t feel even sad in saying good bye. She just kept on going her way as I keep on my. I can see she goes stronger as I feel stronger. We said to each other: “we will see each other again”. It might be true, but ,if not, that is “O K” because we are together with the parts we help finding in each other and there is nothing more someone can ask for. I wish XianLyng the best journey ever in the same way and in the same amount as I wish for myself. True friendship never dies because exists within.
>>In time: just before XianLyng left I told her that having an ear infection would be a perfect excuse to stick to my personal believing as being with her had inspired me to do so far. The funniest part is that as soon as she left I felt strong enough to dismiss any excuse at all. XianLyng went on her way leaving behind my ability to stand up for myself. >>
Goa could never be the same without XiangLyng as life cannot flourish without friendship! 2010 already began differently and I propose a toast: to friendship, its reasons and its means! To a better life as just friendship can afford to make! To friendship as the very only beautiful way of life!
Posted by: nandadornelles on: January 2, 2010
Seja Bem-Vindo 2010!
Fica difícil de explicar. Só agora chegou o momento em que eu mesma pudesse entender. E parte de mim está de boca-aberta ao ver que tudo sempre esteve lá-aqui. É como uma grande admiração pela curta distância que nunca de fato buscou nos separar da Verdade. Acontece que é real; a caminhada é individual e tudo mais ao nosso redor não passa de sinais, setas indicando o caminho para a construção da experiência pessoal na descoberta de Deus.
Daqui, do Segundo dia de 2010, parte de mim é o desejo de facilitar, de tornar óbvio aos olhos de quem quiser ver, é a minha vontade de gritar, de te ensurdecer com a desilusão. A vontade não parte dos meus punhos, pois não seria o caso de quebrar o muro com as minhas próprias mãos uma vez que, agora eu sei, muro não há. É a vontade de por abaixo seja o que for que ainda nos separe; muros, mares ou sentimentos – meros resultados da nossa própria doce e ludibriante ilusão. Outra parte de mim é redobrar as forças no trabalho da consciência e da vitória triunfante do Amor.
Eu celebro agora a desilusão! Eu sou a felicidade em receber o próprio sentido inesperado da palavra (des)ilusão. Eu comemoro a descoberta de um novo mundo, quando uma mesma palavra traz o sentindo oposto do que se sabia, do que eu pensei que fosse sempre ser. E da desilusão que eu conhecia, daquela que nos deixa sozinhos, da que nos coloca diante do abismo, eu me reconstruo com seu oposto, com a desilusão que revela, aquela traz escondida, sutilmente germinada, a essência da Verdade. O que só se revela quando o outro parte. O yin que só pode ser na não-presença do yang. A desilusão que completa ao invés de faltar. A desilusão que salva ao invés de nos fazer naufragar. A desilusão como o mais positivo fim da ilusão, como só pode ser a manifestação de tudo aquilo que é, então, real.
2010 é pra mim uma grande, linda e preciosa desilusão que não seria possível sem muitas pessoas, muitos amigos, irmãos de Luz, colegas de trabalho no serviço do Amor. A desilusão que 2010 traz é Divina e me inspira a ir ainda mais longe, por nós, pela Terra, pela Divindade que nos habita e quer se manifestar. A divindade óbvia, escancarada, verdadeiramente proclamada. A chegada de 2010 é o espaço ocupado pelo novo que só se faz possível pelas ilusões que se desfazem, pela verdade que se mostra um tanto e um pouco mais. 2010 é a nossa capacidade de se desapegar, causa e efeito, 2010 é tudo o que finalmente permitimos, é o fim de tudo que encerramos, é o começo de todo o novo com que nos deparamos.
Comemoro agora a desilusão como quem comemora a queda de que tudo o que é falso, o fim de tudo o que não representa amor e gratidão. A desilusão como prêmio, não de consolação, mas como o mais lindo sinal de evolução. 2010 é saber da conexão que nos une em uma única e intransferível missão. É o mais profundo reconhecimento de cada um de nós como irmãos, como partes de um Todo, um Todo que já é e pedia com urgência a nossa atenção como meio para sua manifestação.
Nós conseguimos, nós já chegamos lá. Mesmo que alguns de nós ainda não saibam, ainda estejam trabalhando para entender o que há por trás do nome, da forma, da cor. Mas a verdade é que todos já estamos lá. O “lá” é agora, sem mais senão, também “aqui”. Uns de nós estão se sentindo mais próximos do que outros, mais intimamente ligados pela gratidão em podermos testemunhar conscientes, por podermos contribuir, por podermos já ser Mais Um a Multiplicar. Nós que multiplicamos o amor em tantas diferentes formas, em tamanha intensidade que já não nos permitiu julgar ou condenar. Nós que já não nos damos ao luxo de nos deixar influenciar com as aparentes diferenças. A gratidão que nos une em laços ainda mais fortes de entendimento amoroso, aceitação incondicional, promovendo a unidade. Nós viemos soltos, perdidos, fragmentos da consciência Crística apenas orientados a se reconectar. E nós fizemos, mais uma vez, nós não fugimos ou nos assustamos. Nós, mais uma vez, nos unimos e por isso vencemos.
2010 é dharma! É o conjunto sendo beneficiado pela realização individual. É o divino resultado da comunhão entre nossos dons e nossa missão. É a consequência inevitável da superação dos desafios com a mais pura honestidade. O que fizemos é louvável mesmo que as vezes pareça controverso. Nós desafiamos juntos nossos próprios monstros de forma a trazer eles também à luz, desvendando assim, e ainda mais, a nossa coragem, o tamanho da nossa bravura. Nós batalhamos e realizamos e, por isso, agora nos sentimos mais inteiros. Agora somos também as partes perdidas, temidas de nós. Agora entendemos o Todo, porque transmutamos o medo de ser mera parte.
Mais do que ser o Todo, agora somos também o entendimento da caminhada que nos traz até aqui. Diante do poder de se (re)conectar à fonte é que podemos compreender porque é preciso purificar o ser atér que se revele o coração dos que se propõem a caminhar. Agora, diante de tão forte e ilimitado poder, podemos conceber o perigo a que estariamos sujeitos se não fosse assim. Agora, também pela nossa jornada somos gratos – e é isso que nos une – porque assim como nossas impurezas foram transmutadas fazendo prevalecer e Ser o coração, também sabemos que o Segredo está seguro. Não é mais uma questão de fé. A nossa fé nos trouxe até aqui. A partir de agora nós sabemos, testemunhamos com nossos olhos mais abertos, finalmente enxergamos: Aos puros de coração está reservado o direito de Encontrar, de Saber. Toda a caminhada só faz eliminar qualquer traço de vaidade, ganância, luxúria, medo. Qualquer que seja o traço de não-Sentimento. É a caminhada como destruição de tudo o que não é Essência, é a certeza de que a Verdade estará sempre em boas mãos. É a mais criativa forma de assegurar e nos provar que no final nada prevalece mais do que o Bem. O bem que agora nós já somos.
Pra mim 2010 é ano sem pronome. Daqui da Terra de Shiva eu recebo 2010 como ano adverbial; é modo, é meio. 2010 é até mesmo atemporal. Não é o que há no meio, 2010 é o Todo, é o que havia como que por detrás. É o que sempre existiu. 2010 é o que se pensava escondido e precisava de um pouco mais do Todo para re revelar. 2010 é nós despidos, destemidos. 2010 não é mais uma batalha. 2010 já é vitória. 2010 não tem nem mesmo nome, 2010 É Em nome De.
Grata por poder falar daqui, daqui deste ponto onde o mundo é tão imensamente mais bonito e certa de que estamos sempre juntos, com amor. Em nome da presença Eu Sou, Amém.
Posted by: nandadornelles on: December 27, 2009
Todo ano, entre os dias 25 e 31 de dezembro eu páro tudo para escrever uma carta aos Mestres. Mais do que fazer pedidos para o ano que se aproxima, eu me dedico a esse ritual que transcende promessas de ano novo e se baseia em sinceros propósitos, guias para o ano que se aproxima . A verade é que tudo começou ainda um tanto assim: abençõa Fulano, Beltrano e Ciclano e me ajuda a praticar yoga todos os dias, não comer chocolate, emagrecer, não brigar com o pai e a mãe, sair do vermelho, etc. E agora, lendo a carta deste ano, eu me dei conta que porque eu mudei o conteúdo da carta tambem mudou, assim como, a certeza de que serei atendida do jeito mais avesso só aumentou.
O ritual é muito simples. Papel e caneta, concentra, traz à tona os mais profundos e verdadeiros sentimentos e deixa a palavra tomar forma. Depois, crie um local “sagrado”, leia a sua carta em voz alta para os Mestres perfeitamente adereçados e, queimando-a, reitere suas intenções em forma de oração. Hoje pela manhã eu subi o “caminho da Cruz Milagrosa”e fiz o meu. Entre os agradecimentos chamava atenção; “por 2009, um ano lindamente difícil”. E não é que foi mesmo!
Dias desses eu falava com a minha irmã sobre como ao invés de nos desesperar deviamos celebrar o fato de as coisas não sairem como a gente quer. Hoje, toda vez que eu me deparo com uma situação que reacionalmente parece nao ter solução ou cabimento, eu agradeço. Pra mim, falta de lógica e até de aparente saída é um indício, uma forte suspeita de que Deus está por trás de tudo isso e é só uma questão de tempo para que se manifeste. Se o mundo acontecesse de acordo com a nossa mundana capacidade, seria tão chato não?!
Então o meu desejo para o Seu, o Meu, o Nosso Ano Novo é de que ele seja imprevisível. Do fundo do meu coração quero que 2010 nos pegue contrariado, completamente despreparados. Que quando a gente achar que sabe de tudo e se sentindo bem seguro, venha a onda gigante e nos leve pro fundo, nos vire de cabeça pra baixo, nos deixe de pernas pro ar, sem fôlego, confuso, emocionado. Que o desafio venha sempre 10 vezes maior do que o esperado revelando o gigante que nos habita em silencio. Que o nosso tiro saia pela culatra nos permitindo pensar duas vezes, usar a criatividade, menos cabeça e mais coração. 2010 há de ser un amo novo onde e quando nada do que serviu até então possa mais; seja roupa, conselho ou fórmula para solução. Um ano novo requer pensamentos novos que só podem ser varridos com a força do temporal, com a fúria supreendente das tempestades internas e externas. 2010 é o plano furado e o espírito guerreiro faça chuva ou faça sol.
Pra mim 2010 vem assim: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia….” Se há de ser diferente vamos começar por nós mesmos. Vamos além do corte de cabelo. Que tal um dia de jejum, um dia sem o não-sei-o-que favorito, um dia dedicado ao pobre do mendigo. Nada vai mudar se não começar dentro de cada um de nós mesmos. Eu sei e todo mundo sabe, mas a gente faz de conta que muda fazendo de conta que pensa que mudar é fazer o possível dentro da zona de conforto, ou pior, que tem a ver com a decoração, a sala ou o fogão. Mudar é inverter, é desafiar, é ver para crer. É yin e yan em movimento. É ir até extremo e depois voltar, é dançar entre tudo o que pode ser sem se apegar, é não se iludir e sempre se reinventar.
Ontem eu sonhei com a minha festa de Ano Novo. Era todo mundo reunindo num salão comemorando a mundança. Eu quase nem podia acreditar. No meu sonho, tinha gente reunida que na vida real nem se fala, aqueles que quando se veem viram a cara. Mas no meu sonho todos estavam felizes e dentre todas as diferenças uma felicidade os unia; a celebração da mudança. A mudança era também a minha viagem, uma ida para algum lugar de onde não se podia voltar. Todos estavam felizes e todos me davam forças para seguir em frente, não desanimar. O que é que a gente faz nessa vida senão se preparar para partir, para se desmaterializar?
2010 pode ser o ano da realização se você deixar. Se você se desapegar de todas as desculpas que te impedem de ser feliz, de qualquer balela que te prende ao mesmo emprego ou ao mesmo dito cujo corte de cabelo, isso para não mencionar aquele capenga relacionamento. 2010 há de ser o ano do indivíduo. Que tudo nasça senão com o objetivo de celebração e para isso – parece fácil – é preciso se construir só, lindo e inteiro. Não adianta pedir ajuda para se realizar, mudar, tranformar se seguimos amparados na mesma bengala. Não adianta pedir um amor, um companheiro. Agora é a hora de pedir para se fazer inteiro e depois compartilhar com o par ou com os amigos. Você vai ver, no fim, não vai nem precisar. Vamos olhar para o caminho e diminuir a ansiedade em chegar. Vamos ser felizes com o que já é sem deixar de sonhar, sem deixar de mudar. Vamos abrir mão de tantos senãos e nos entregar. A realização é o próximo passo e, adivinha, nós somos os únicos com poder e força para nos transformar e nos curar; sinônimo basico de vida, de mudança. Não adianta questionar e, por via das dúvidas, buscar o melhor especialista para consultar. Só vale o que vem de dentro se você quiser de verdade mudar.
Já dizia a Rede Globo: “Invente, Tente, Faça um Ano Novo Diferente”.
Daqui, da Praia de Anjuna, Goa, Bardez, India, Eu Nos desejo um Feliz Avesso Ano Novo!!!!! Que 2010 seja de fazer cair os butiás do bolso!!! Amém!
Posted by: nandadornelles on: December 27, 2009
Eu sei que a beleza está nos olhos de quem vê. Exatamente isto é que me faz questionar se o que vejo e relato é verdade ou são apenas meus olhos. Acontece que eu não gosto de GOA.
Não me entenda mal, é claro que eu estou tendo experiências maravilhosas, mas, definitivamente não por causa de GOA. Claro que nossas vivencias são melhores e / ou piores considerando onde, quando e com quem estamos. GOA é um lugar lindo porque estou trabalhando exaustivamente em mim mesma através de minhas companheiras de viagem e das situações que enfrentamos juntas… quanto a GOA… hmmm… not that sure.
Deixa eu primeiro dizer: é claro que vale a pena conhecer GOA, principalmente se você já está viajando pela Índia. Mas, pessoal, a gente é muito mal acostumado! Até o pessoal do Sul, Capão da Canoa, Xangri-lá, se dá pra contar com Floripa, Garopaba, Bombinhas, então, aí, nem se fala. As nossas praias Brasileiras são lindas, algumas já sujinhas, umas de água muito fria ou agitada, outras muito lotadas, mas em geral, a costa Brasileira é de dar água na boca e eu não estou nem sugerindo Fernando de Noronha ou Porto de Galinhas. Então, se nós, humildes Brasileiros caímos de para-quedas em Goa, na Praia de Anjuna ou Vagator, Meu Deus, Alá, Shiva, Krishna e, Jesus Cristo, é claro – não da pra esquecer que aqui eles são católicos – chamem todas as deidades pra me explicar o que eu estou fazendo aqui.
Ok, se você está com saudade da liberdade indescritível de usar blusa de alcinha e shorts – como eu estava – bem, sim, Goa é o paraíso. Uma liberdade capenga que não tarda a ser questionada assim que você começa a sentir o peso do olhar faminto dos indianos. Goa tem praia sim, e mais para o norte as praias de Arambol, Mandrem, Morjim e Asvem dão pistas do porquê da fama de “bela”. Mas, ainda assim, água limpa e cristalina não estão entre os adjetivos. Olhando de longe até parece coisa bem querida; as vaquinhas tomando banho de sol, brincando nos corais, os cachorros convivendo livre e harmoniosamente com os bichinhos do mar. Mas aí, tudo tem dois lados e a sujeira é um dos lados bem visíveis das praias de GOA. Como cheiro e mosca não aparece na foto, dá até pra disfarçar porque é bem verdade e muito importante mencionar, o pôr do Sol no mar é lindo e não tem preço – para todo o resto, haja Mastercard!
Como tudo é uma questão de juntar a fome com a vontade de comer para tudo ficar lindo e colorido, se você busca liberdade a preço baixo, Anjuna é uma ótima opção. Mas não venha sem saber que Goa tem a parte “ruim” da Índia e mais uma parte “ruim” que o resto da Índia não tem. Posso dizer de Baga, Anjuna e Vagator, praias bonitas, sim, mas que juntam a sujeira e o caos amigavelmente básico da Índia com a liberdade, tanto para oferta quanto para procura, de festas, drogas – muitas e todas as drogas – e rock’n’roll. >> Só para elucidar o caso. Três dias atrás liga a minha amiga, flatmate e companheira de viagem, Jessica, ainda muito cedo da manhã. Ela estava dormindo na casa do namorado e uma “vizinha”surgiu do nada precisando de ajuda e ela queria saber se podia convidar a menina para ficar conosco em nossa casa até ela se acalamar e se organizar. Aprendendo a confiar e entender cada vez mais minhas intuições, eu não recebi uma imagem muito positiva enquanto Jéssica me contava a estória. Uma menina, 17 anos, a mãe voltou para a Espanha deixando pouco dinheiro que na noite anterior três rapazes roubaram quando invadiram o quarto do hotel onde ela dormia e a estupraram. Segundo Jessica, ela tinha marcas de “luta” por todo o corpo e as 3 da manhã, quando bateu na porta da minha amiga procurando por ajuda, estava em estado de choque. Eu nem precisava ouvir a estória até o final; a menina não era bem-vinda mesmo sabendo que uma parte de mim se realizaria em ajudar qualquer que fosse o necessitado ainda mais uma menina que sofreu abuso sexual. Acontece que a visão que eu estava recebendo não batia com a estória e só foi preciso mais umas horas até que Jessica voltasse pra casa sem a menina e contado a parte descabida que faltava na tentative de golpe baixo. No mesmo dia o gerente de um dos bares chamou a polícia assim que viu a a tal da moça circulando por lá que, segundo ele, andava sob o efeito de drogas constantemente causando tumulto e confusão. Como na noite anterior quando ela convidou três rapazes para acompanhá-la até o seu quarto de hotel para compartilhar momentos mágicos e nada silenciosos.
Desconsiderando alguns imprevistos um tanto inusitados para a concepção geral de Índia, Goa tem bons restaurantes e oferece, em larga escala, cardápio western; padaria alemã, restaurante italiano, café da manhã ingles, sucos naturais, todo o tipo de carne (medo!! ainda estamos na Índia, lembra?!), ovos de todas as maneiras e, sim, até Dominos Pizza Delivery, por que não?! Em geral, refeições básicas; Lassi, naan e palak paneer não custam mais do que $5, um mes de aluguel por menos de $90 e scooters por $4 a diária. É claro, pagando tão pouco não dá pra exigir aqueeele serviço e muito menos questionar para onde vai o dinheiro dos impostos que não para a melhoria das estradas… mas, não se pode ter tudo, não é!?
Falando em alugar uma casa, a minha tem de tudo. De repente, não o tudo que você está supondo, mas, é verdade eu não passo necessidade. Quase sempre tem água e luz – e se falta é por pouco tempo, então, tá tudo bem – tem cozinha com pia, fogareiro e frigobar, tem banheiro com chuveiro – claro que não elétrico nem a gás, né, lembra estamos felizes porque tem água encanada. Tem três quartos com nada mais do que janelas e camas – Indian style; madeira e colchonete – uma sala enorme e vazia perfeita para a prática de yoga e uma varanda agradável localizada estrategicamente ao lado do caminho utilizado pelos bachs de cabritos, porcos, galos e galinhas, vacas, gatos e, chachorros é claro, na ida e na vinda do pasto diário. Eu nunca podia imaginar tanta diversão sem sair de casa. Eu abro a porta dos fundos para dar o lixo organico de comer para os porquinhos e, quem diria, eles já estão ali me esperando, uns dormem, estirados aguardam pacientemente sem perceber que quase me matam do coração com a sua delicada e nada perfumada presença.
Graças a Deus, eu peguei uma micose no meu segundo dia de praia o que me impediu de voltar para a beira do mar. Anjuna para mim é conhecer os lugares, como o Jai Ganesh juices em Chapora, assistir o pôr do Sol ao mesmo tempo em que mato a saudade da família e dos amigos pelo Skype diretamente do restaurante Avalon ao som das ondas do mar na costa rochosa tomando meu Sweet Lassi. Goa é a espera pelo dia 5th de janeiro para assistir o show de Prem Joshua em Vagator. Enquanto isso, muita leitura, terapia de grupo, yoga, meditaçao e crescimento, afinal, estamos aqui pra isso e não é uma expectativa(zinha) frustrada que vai me desanimar.
Posted by: nandadornelles on: November 18, 2009
ANYCHA!!!
10 Dias de Silêncio e Meditaçao Vipassana?! Sim, eu também duvidei, e com toda razão. Algumas pessoas são quietas,discretas, silenciosas, cuidadosas. Eu tenho a sutileza de um elefante e gooosto de falar mais do que um papagaio. Céus, quando foi que eu decidi embarcar nessa estória de silêncio, mesmo?!
Bom, 10 Dias de Silêncio e Meditaçao Vipassana têm muito mais de meditaçao do que de silêncio. Aliás, nos dois primeiros dias, eu sentia tanta dor no corpo pelas 11 horas diárias sentada em posição de lótus – sem mencionar a brabeza por ter que ouvir sozinha a minha mente falar pelos cotovelos recitando, incansável, dez mil vezes a mesma ladainha, os mesmo velhos problemas – que o silêncio passou batido. Aliás, eu adoraria um silêncio, se é que fosse possível fechar a minha matraca interna. Eu queria muuuito um silêncio, mas isto esbarrava não só no meu não-silêncio como em um pilar importante que a própria Vipassana ensina que é não querer ou rejeitar nada; simples e pura aceitação. Então, não teve jeito; eu baixei a cabeça e trabalhei duro até o bendito silêncio chegar, se instalar e se romper. Tudo muito naturalmente… ahhh, alívio!!! O resto é estória, senão pra boi dormir, que seja para nos fazer rir.
DA QUEBRA DO SILÊNCIO
Então, como eu ia dizendo, a minha pessoa e silêncio são palavras, idéias, existências, ações – ou no caso, ação e não-ação respectivamente – que não fazem sentido na mesma frase. Eu lembro durante a minha gloriosa trajetória pela Escola de 1° grau São José quando, bimestre a bimestre, ano ano, as notas mudavam, os professores mudavam, a sala mudava, a cor do boletim mudava, os colegas mudavam, o método de ensino mudava, o de avaliação mudava também, até a previsível recuperação em Matemática mudava, só não mudava o comentário da professora na fatídica entrega de boletins: “blá blá blá a Fernanda é muito conversadeira”. Pobre da minha mãe. Eu sou tenstemunha, ela tentou de tudo, pedia por favor, comprava estojo do Paraguai, mochila da Gang, deus-sabe-lá-mais-o-que com a desesperada intenção de me proporcionar um entretenimento um tanto mais individual e, consequentemente, mais silencioso. Ela devia sentir tanta vergonha, pura impotência diante do meu desejo absurdo e incontrolável de compartilhar o que eu penso, o que eu vejo, o que eu sinto. Imagina: testemunhar uma graça e rir sozinha é desperdiçar uma metade tão crucial da graça, algo como deixá-la passar sem a felicidade do riso! Daonde eu tirei a teoria de que felicidade mesmo é aquela que se pode compartilhar e, ato básico para isso; comunicação. Bom, aí, voltamos ao fato inexplicável de que eu não pensei em nada disso antes de me jogar na dita “life changing experience – 10 Dias de Silêncio e Meditaçao Vipassana” onde – eu não tive escolha – experimentei a graça em rir sozinha e, como quem volta de uma experiência de quase-morte valorizando imensamente mais a vida e cheia de estória pra contar; nada me faz calar.
Mas enquanto isso, numa terra distante cercada por montanhas, príncipes indianos e seus castelos…
… Era o sexto dia, a dor física já havia passado e eu já havia resbalado no pretendido silêncio desejando bom dia para uma lagartixa e soltando um “Uhoh!”de admiraçãoo ao ser supreendia por uma cobra gigantesca em seu caminho para algum lugar próximo ao meu dormitório. Ainda assim, o silêncio trouxe espaço para assobiar, pesquisar, remexer e futricar até encontrar dezenas de pequenos problemas não resolvidos; o tempo e o espaço disponível em mim para fechar ciclos, recuperar memórias importantes e dispensar outras nem tanto. Quando, mais uma vez, arregacei as mangas e meti a mão na massa para, só pelo luxo de viver melhor, levar uma vida mais leve, me livrar de mais uns certos cacos véios, meia dúzia de sonhos frustrados, uns medos e umas manias.
Lá vamos nóóóós!! Com toda cara e coragem de quem desconhece o amanhã, me deparo, sem rodeios, com um medo real; o de ser “pêga”. Sim, sabe né, eu fui muito marota. Mas não, assim, daquelas que aprontanta “uma que outra” de vez em quando. Eu exerci a minha marotice desde que comecei a interagir com o mundo. Isso inclui registros de sérias marotices desde a minha passagem pelo jardim da infância até… (bom, ao menos agora as pessoas não ligam mais pra minha casa para exigir explicação dos meus pais). Mas, ao mesmo tempo em que eu podia sair com a marotice mais desnecessária imprevisilvelmente, eu também sempre fui muito pura de coração, o que nunca – mas nunca meeesmo – contou a meu favor durante meus atos marotos. Como uma marota-marinheira de primeira viagem, eu sempre fui pêga, senão com a boca na botija – o que pode, sim, ser levado ao pé da letra, mas é outra estória – ou, então, eu deixaria minhas inconfundíveis marcas que não tardariam a conduzir até o autor da ação; eu, claro, sempre. Como tudo o que acontece repetidamente na vida, acaba que se constrói um padrão e, até hoje, se alguém telefonar numa hora suspeita, bater na porta ou me abordar de uma forma não usual, esperada e ou justificada, eu já vou sentindo um frio na barriga e quase que vou logo dizendo: “não fui eu.”
Até então, eu nem tinha me dado conta do quão real era o meu medo de ser pêga. Mas, de repente, bem no meio do meu nobre silêncio em Vipasana, eu me deparei sentindo frios na barriga toda vez que ouvia passos na direção do meu dormitório. Batata, era só eu ouvir os passos para começar a vasculhar a minha mente em busca do registro dos úlitmos atos. “Ai meu Deus, o que será que eu fiz? 1 – estou vestida decentemente, 2 – não estava desrespeitando o silêncio, 3 – não tenho comida escondida no quarto, 4 – nem celular, 5 – não pulei o portão nem a janela, não beijei o vizinho, não bati na Karin, não briguei com a Juli, escovei os dentes, não grudei meleca na parede, não usei drogas, paguei a conta do celular, não roubei, não matei… Ai meu Deus, será que eu esqueci de alguma coisa?!!!
– Toc Toc.
- Ahhii, siiiimmm, o que é?! (ahhhhhhh Não, céus, o que foi que eu fiz agora??!!!)
- O Discurso já vai começar! vamos!
- Ah, Uuuuufa, sim, claro, já tô indo – ahhh, essa foi por pouco!
E assim, sucessivamente, todos os dias, 3 vezes ao dia. Toca o sino principal e, eu sei, é melhor eu me apressar ou, em breve, passos na direção do meu quarto me tocam a vasculhar os registros da minha memória recente. Não só isso, o segundo aviso para o início do Discurso vem de uma sinetinha que a voluntária carrega na mão blim blim blim… – ai, céus, gente, igual a da Irmã Ivete avisando que é hora de entrar para a sala de aula; – nããão!! buááhhhhhh, eu quero a minha mãããe!!!!!!!! Se eu não me apresso, se eu não estou com o pé na porta, não tem nheco-nheco, não adianta, eu não nasci pra ganhar colher de chá, logo bate na minha porta:
- Algum problema?!
- Ahh, hã, sim, quer dizer, não, já estou indo. Uuufaaa, tá, é só isso…
Então, na manhã do sexto dia, minutos após o almoço, eu deito na minha cama com a forte intenção de desançar por meia hora – a final, quais são as minhas opções?! Não é possível batalhar nem um chiclete quem dirá um chocolate, não rola chá ou café, – e que graça teria, sem ninguém pra trocar uma idéia, bater um papo, comentar sobre a comida ou a paisagem?! Tudo conspira para uma nobre soneca; silêncio, barriga cheia, cansaço de quem acordou de madrugada para o primeiro cilco de meditação. Foi quando, segundos antes de cair no sono, o medo de ser pêga me acorda. Coração bate mais forte: “rápido, memória, registros, ai, céus, hoje, que dia, o que foi que eu, mas hã, será?!” Passos na direção do meu quarto. “Ai meu Deus, e agora, será o SPC, o Ministério da Fazenda – ah, eu sabia, aquela declaração do Imposto de Renda que ficou pendente, ou ah, sim, claro, cééééus, é a Ir. Anita!!!!!!!!!!! Ahhhhhh não pode ser, como ela me achou aqui, na Índia!!!???” Passos, cada vez mais próximos, um … depois o…. outro. “Ai céus, é sim aqui, comigo, vai bater na minha porta, vão chamar meu nome, ai céus, seré que fui eu?!” Passos, mais um, mais outro, agora bem perto da minha janela… mas ahh, porque a pessoa não me chama, não me acusa, não me prende de uma vez, mas acaba com esse sofrimento!?!?! E pronto, rompendo o nobre silêncio, um peido estrondoso acaba com a minha tortura; é a minha vizinha indiana compartilhando os frutos do seu não-tão-silencioso processo digestivo.
Eu não sei nem se eu conhecia a sensação de rir sozinha dessa maneira. Essa Vipassana é mesmo uma técnica muito poderosa. De uma só vez detonou com o meu medo – um tanto descabido a essa altura do campeonato, de ser pêga e punida pelas minhas peripécias – como com a minha idéia de que algo que não se pode compartilhar se vive pela metade. Eu vivi intensamente a graça do peido indiano e entendi o seu recado – alto e claro no meio de tanto silêncio: Deixa de ser boba, sozinha ou acompanhada, larga mão do passado e te caga de rir com o presente!
Posted by: nandadornelles on: October 21, 2009
…uma parada, um chái
… vista panorâmica, sim senhor
… trocando de trem
… quer conferir peso e altura: balança mágica – só não faz milagre, mas funciona!!!
… pensando bem, pode serLimonada Sem Gelo, obrigada!
…Happy Diwali!! – luzes, redores de Malad
…Happy Diwali – um lindo ragoli no Taj Mahal Palace Hotel
… Happy Diwali! compras de ultima hora!
…cais do Porto
O Portão da India! Seja bem-vindo!
Posted by: nandadornelles on: October 8, 2009
… Amanhecer
… só uma flor
… um dia nublado
… outro ponto de vista
… tá na mesa, pessoal
… a arte do sabor
… todo passo é um caminho
… quem vê cara não vê coração
Grata, Sempre!
HARI OM!
Posted by: nandadornelles on: October 2, 2009

Como está o seu coco?! Sim, isso mesmo. Não, você não me ouviu mal. Eu sei que a gente, em geral, evita falar sobre essas coisas e usar essas palavras. Mas se estamos, de fato, tão empenhados na construção de uma mundo melhor, precisamos colocar os pingos nos “is”, as cartas na mesa e meter a mão na massa – ou seria, na merd*?! Vamos lá, não fuja do assunto. Como está o seu coco?
Quando meus amigos começaram a saber da minha viagem à Índia, o que não faltou foi a clássica piada-ameaça sobre os padrões indianos de higiene e sobre como eu, fatalmente, acabaria experienciando a ausência do papel higiênico. Como eu ainda estava do ladode lá, e de lá não se pode ter idéia do respectivo significado prático, eu deixei eles falarem, me fiz de descolada mas no fundo, nutria um medinho pelo desconhecido que não tardou a se revelar… e, com a bênção das Deidades Indianas, de uma forma muito melhor do que eu poderia imaginar.
Papel higiênico existe, sim, e banheiro, do jeito que a gente conhece também. É, claro, não é o “normal”. Mas, se você vem à Índia como turista, poucas vezes vai se deparar com “o buraco”. Papel higiênico, provavelmente você encontrará no quarto do seu hotel – no caso de você ter feito uma boa escolha – mas em geral, está fora de cogitação. Se você ainda não transcendeu a importância deste item, é melhor carregá-lo com você. Agora, que tal uma pausa básica e deixar que os fatos se encaixem e tudo faça sentido antes que a nossa oportunidade de aprendizado se perca descarga abaixo.
Dispensar o papel higiênico é encarar, sem medo, as consequências das suas escolhas. Ser responsável pelos nossos atos parece pré-requsito básico para a vida adulta e em sociedade. Não precisamos nem queimar muito os miolos para encotrar alguns exemplos – sim, a começar olhando para o nosso umbigo – quantos não são os atos que permanecem sem autores. Assim, como se alguns atos acontecessem sozinhos, como manifestção superior – ou inferior, na maioria das vezes, já que créditos pelos grandes atos todos querem receber. Bem, então, a responsabilidade total, completa e incondicional pelos atos – e toda a questão da escolha inerente a cada ato – não é tão básica e óbvia como pode parecer e deveria ser. Assumir consequências, principalmente as mais imprevistas e desagradáveis é um super desafio ao ego que busca sempre se comprazer através das nossas ações e que, às vezes, pode até acabar se rebelando feito um burro teimoso no caso de forçado a assumir as responsabilidades intrínsecas ao ato e/ou escolha. Afinal, toda ação tem uma reação e você – sim, eu, você; todos nós, somos responsáveis por elas.
A cadeia de ação e reação é infinita. A consequência do seu ato nunca é somente a que se revela direta e conectadamente. Também a ação do meu vizinho, do meu irmão e do Sr. João é parte manifesta de algum resultado de alguma ação, entre elas a minha e a sua. Aí é que o buraco fica mais embaixo e todo mundo tira o corpo fora e o mundo acaba indo parar do jeito que está. Porque afinal, se eu não paro para pensar, analisar, reavaliar – e quem sabe, numa hipótese linda, mudar – as minhas ações considerando o impacto que elas têm na vida do meu vizinho e do pobre do bichinho, então, acaba que tudo pode. Quando olhamos pro lado e vemos o outro agindo deliberadamente, e ainda nossa capacidade de reflexão só alcança a consequência imediata, então, “ah, qual é o problema?” – Afinal, o que é um peido pra quem está cagado? Bem… como esse texto gira em torno do coco mesmo, um peido para quem está cagado, no final das contas, pode fazer diferença, sim. Principalmente, se considerarmos quantos milhares de nós participam da experiência na Terra e compartilham de semelhantes processos de evolução – ou tentativas de – e merecem usufruir dos mesmos recursos naturais que eu e você apesar de todas as outras diferenças que nos tornam únicos.

Não usar papel higiênico engloba o entendimento de toda a cadeia da Responsabilidade e oferece uma leveza tripla para o praticante. Assim oh; quando você mete a mão na merda você:
1° – dispensa o papel higiênico = deixa de contribuir com a indústria do desmatamento + em lugares sem o devido tratamento de esgoto, você deixa de poluir uma importante parte do meio ambiente com o seu papel borrado, afinal, ele vai acabar no arroio ou rio mais próximo, reduzir a qualidade de vida dos serzinhos que vivem lá – quando não, acabando com esta - e roubar a pureza de um elemento básico da natureza que deveria ser inesgotável fonte de vida + todas as outras maiores e menores consequências naturais que a poluição causa;
2° – quando você enfrenta o seu coco sem medo (sim, coloando a mão na merda) você percebe que faz diferença, sim, o que você come e, aí, uma outra grande cadeia começa. Ainda sem a devida analogia com as demais grandes escolhas que regem as nossas vidas, dispensar o papel higiênico e assumir o resultado da escolha da sua última refeição é um lindo primeiro momento de reavaliação de valores. Sim. Porque, você pode muito bem não se importar em ter que “enfrentar” um coco desagradável (preciso descrever um coco desagradavel?) como resultado daquela refeição “deliciosa”, daquele pedaço de carne sangrento e gorduroso, daquela massa colenta, daquele snack cheio de corante e ingredientes manipulados com luvas e óculos protetores em laboratórios, ou, da simples gula. Tudo bem, não tem problema nenhum, mesmo, não vai ser nem pecado, se você assumir a consequência como manifestação indiscutível do quão importante a concessão dessa liberdade te faz que você não mede esforços para pagar o preço. Agora, sem fazer aquela cara de nojo, viu! Sabe né, até mesmo o cheiro pode te fazer desisitir de meter a mão na merda… bom, aí, de repente você passa a valorizar mais a sua tranquilidade na hora de encarar o resultado da sua escolha e aí… o único caminho é repensando as suas escolhas. Me diga, o que foi que você comeu? Depois que você dispensa o papel higiênico, você pensa duas vezes antes de comer. Se você quer um coco bonito e cheiroso, consistente mas não difícil, uma peça única – se é que você me entende – aí, bom mesmo é buscar na natureza os alimentos para colorir o nosso prato e não desagradar tanto o noso olfato e, agora também, o nosso tato, quando o resultado vier.

Ainda usando o nosso coco como base para a analogia posterior. Depois que você passa desse primeiro estágio de análise e assume as devidas responsabilidades, chega a hora do comprometimento com algo maior – nesse caso, ainda o coco. Quando você descobre o que é necessário para ter o coco do jeitinho que você quer, você passa a diminuir o valor de tudo mais que impede este resultado e que, geralmente, está direta e fortemente ligado ao seu ego. Por exemplo, aquela carne, aquela massa, o doce, o salgadinho, o refrigerante e o energético que o seu ego insiste em “dizer” que você precisa, passam a ser questionados. (Este momento é Lindo! Um ego sendo enfraquecido por um… coco!!! Essa é mesmo muito boa!! Aí dá pra ter uma idéia do que nosso ego é feito e a que ele tende a nos tranformar no caso de uma não-supervisão mínima!) Passar a se alimentar pensando no coco também faz você comer mais devagar, mastigar bem, sentir o processo de digestão, incentivar o seu corpo a receber o alimento escolhido cuidadosamente. É a consicência da consequência desde o início da ação. É saber quanto de aproveitamento e de desnecessário contém cada bocada, quanto de energia e quanto de trabalho você está oferendo ao seu corpo, quanto é amor, quanto é doce ilusão.
Passando, então, para as analogias, poderíamos entender que o nosso coco está em todo lugar como resultado básico, natural e inevitável das nossas ações; das mais simples escolhas às mais importantes decisões. Nosso coco, com suas mais variadas características, vai influenciar, positiva ou negativamente, outras formas de vida. Se chegamos ao ponto de dispensar o papel higiênico, quantos outros recursos mais – totalmente dispensáveis, ou ao menos questionáveis – fazem parte de nossa “cesta básica” e só acabam por poluir a nossa vida, abarrotar a nossa dispensa, contaminar o nosso corpo, prejudicar o meio ambiente, sabotar a nossa felicidade fortalecendo o nosso ego?!

A consciência do nosso coco pode ser um exercício de yoga considerando que ela nos faz estar presentes Aqui e Agora, agindo menos por impulso e com mais intenção. É estar completo no processo da existência, é estar em si pro que der e “vier”, literalmente. É o exercício do amor ao próximo, do desapêgo, da conexão com o Todo. Assim, o benefício é socio-ambiental, emocional e físico que se manifestam em um lindo círculo virtuoso: Você faz a sua parte pensando no meio ambiente → se sente mais leve, mais, naturalmente, alegre (menos culpas pra carregar=menos ansiedade pra lidar) → mais atos passam a ser gerados através da inspiração amorosa → comer passa a ser uma necessidade fisiológica e não uma descarga emocional→ se a necessidade é fisiológica seu foco está na qualidade e não na quantidade → comer menos e melhor contribui mais uma vez com o meio abiente (menos embalagens, nemos lixo e sobra mais para os outros (vamos lembrar de repartir o pão= mais senso de coletividade) → mais uma vez, menos culpas, menos ansiedade →O que gera tranquilidade (física e mental) para Meditação (oh o coco facilitando a prática do Yoga) → mais espaço interno e serenidade para encarar assuntos importantes → se deparar com a sua essência e ver que importante mesmo é estar aqui e agora (onde não existe problemas, lembra?!) → aí, com esse tempo livre (agora não mais ocupado com tanta desnecessariedade) de repente, se é da sua personalidade, se engajar em alguma causa e dar uma forcinha para quem de fato precisa → exercitando o amor ao próximo você ama ainda mais a si mesmo e valoriza ainda mais a sua existência e o mundo ao seu redor → mais felicidade pro seu lar → mais consciência e amor na hora de cozinhar → tranquilidade na hora de cagar… quando você se dá conta onde tudo isto começou, reforçando e confirmando a beleza do processo uma vez mais. É o seu coco servindo de inspiração para um mundo melhor.

Bom, como tudo nessa vida é uma questão de processos e todos começam pela básica e santa consciência, eu somo meus esforços para fazer a minha parte com dignidade. Graças à Índia e sua simplicidade, eu aprendo a comer com a mão, rezar antes, durante e depois das refeições, comer e beber só o que a Mãe Terra oferece como promessa de um coco melhor. Exercito as ferramentas que Deus me deu – minhas maozinhas – para encarar as últimas consequências do meu estilo de vida enquanto caminho para o descarte definitivo do papel higiênico. Quanto a usar o “buraco”; bem… ainda preciso melhorar o meu desempenho em alguns ásanas – para garantir um conforto básico durante o ato – e muita meditação para me liberar dos últimos vestígios de preconceito e/ou perder o medo do “monstro” que leva aquele pedacinho, agora tão querido, de mim.
